segunda-feira, 21 de agosto de 2017

LULA: COMO A GLOBO DEU O GOLPE


O ex-presidente Lula voltou a atacar a emissora da família Marinho para a concretização do 
golpe parlamentar que arruinou a imagem e a economia do País; "Os grandes monopólios de 
comunicação foram decisivos para o golpe. A Rede Globo, em particular, foi um dos seus 
principais articuladores e a sua grande propagandista. O golpe não teria sido possível sem o 
ataque sistemático e a sórdida campanha de desmoralização que a Globo fez ao governo Dilma 
e ao PT", disse Lula, em entrevista ao site Brasil de Fato; Lula também criticou a campanha 
judicial contra ele na Lava Jato; "Tenho 40 anos de vida pública, de dedicação aos 
trabalhadores, aos pobres, ao país. Será este o meu crime? Ter tirado o Brasil do mapa da 
fome?"

Do Brasil de Fato 

Na sua opinião, qual foi o motivo do golpe contra Dilma Rousseff?
Na verdade, as forças conservadoras nunca aceitaram o resultado das eleições de 2014. A direita se recusou a respeitar a escolha democrática da população. Um dia depois da eleição, já começou a sabotagem ao governo Dilma e a conspiração para derrubá-lo. Foi pauta-bomba em cima de pauta-bomba na Câmara e no Senado para inviabilizar a economia, para assustar investidores e consumidores, enquanto os projetos do governo, tão necessários ao país, não passavam ou eram completamente desfigurados. O que está cada vez mais claro, hoje, inclusive para muita gente que foi enganada pelas mentiras da imprensa, é que não foi um golpe só contra Dilma ou o PT. Foi um golpe contra a educação e a saúde públicas, contra os direitos dos trabalhadores e aposentados, para privatizar as empresas públicas e o pré-sal, para desnacionalizar a Amazônia. Um golpe contra o país.
Como o Sr. avalia o papel da mídia e, especialmente, da Globo no golpe?
Os grandes monopólios de comunicação foram decisivos para o golpe. A Rede Globo, em particular, foi um dos seus principais articuladores e a sua grande propagandista. O golpe não teria sido possível sem o ataque sistemático e a sórdida campanha de desmoralização que a Globo fez ao governo Dilma e ao PT. Para facilitar o golpe, ela ajudou a abafar as acusações contra os lideres golpistas (a blindagem a Aécio Neves é um exemplo flagrante disso), que só viriam a aparecer depois que a presidenta foi derrubada. A Globo não hesitou nem mesmo em se aliar a Eduardo Cunha para sabotar o governo e o protegeu de modo escandaloso até que ele terminasse o seu serviço sujo. Ela vendeu ao país a falsa ideia de que os problemas nacionais foram criados pelo PT, e que bastaria afastar o PT do governo – mesmo ferindo a lei e a democracia – para que o Brasil virasse uma maravilha. Hoje, com a mesma cara de pau, ela tenta convencer os trabalhadores e o povo pobre de que as pessoas vão viver melhor sem direitos trabalhistas e sem aposentadoria.
O juiz Sérgio Moro condenou o Sr. na ação sobre o apartamento do Guarujá. O Sr. também está sendo alvo de outros processos. Por que essa perseguição da Justiça?
O juiz Moro, na sentença que me condenou, diz que o tal apartamento não é meu, mas que isso não importa. Responsáveis pela Lava Jato já disseram que não há provas contra mim, mas que eles têm a convicção pessoal de que eu sou culpado. Todo mundo sabe que um principio básico do direito, que é sagrado em todas as verdadeiras democracias, é que o ônus da prova cabe ao acusador, não ao acusado. Para outros, esse principio vale. Para mim, não. Minha inocência está mais do que provada nos autos, Minha inocência está mais do que provada nos autos, mas isso simplesmente não é levado em consideração. Tenho 40 anos de vida pública, de dedicação aos trabalhadores, aos pobres, ao país. Será este o meu crime? Ter tirado o Brasil do mapa da fome? Não posso me conformar com tanta arbitrariedade. Qual a razão dessa partidarização da justiça? Chego a pensar que os que deram o golpe não podem admitir que o Lula concorra novamente à Presidência...
Caso seja eleito, quais são as medidas que o Sr. tomará para melhorar a vida do povo e os rumos do país?
É cedo para falar como candidato, muito menos como eleito. Antes, precisamos impedir que os golpistas destruam os direitos sociais arduamente conquistados pelo povo brasileiro na última década. E impedir que eles privatizem a preço vil as empresas públicas. E também é preciso garantir que as próximas eleições sejam de fato livres e democráticas. Um novo governo, legítimo, que tenha uma visão progressista do país, pode perfeitamente tirar o Brasil do atoleiro em que ele esta hoje. Nós já governamos o país e provamos na prática que o Brasil pode ser uma nação soberana, com verdadeiro crescimento econômico, geração de empregos, distribuição de renda, inclusão social e ampliação das oportunidades educacionais em todos os níveis. Para isso, é preciso acreditar que as classes populares não são um problema, e sim uma solução. Quando os pobres da cidade e do campo puderem voltar a comprar é que o comércio vai vender e a indústria produzir e, com isso, o investimento vai retornar. Será muito importante também elegermos um Congresso melhor que o atual, com mais representantes dos trabalhadores, dos camponeses, das mulheres e dos jovens.
O que o Sr. recomenda em termos de organização e foco à Frente Brasil Popular para avançarmos na luta contra os retrocessos e por democracia?
A Frente é uma coisa extraordinária, porque reúne diferentes setores da sociedade para pensar o Brasil e lutar pela sua transformação. Ela tem sido fundamental na resistência aos retrocessos políticos e sociais. O foco da Frente está correto, combinando formulação e mobilização permanente. Penso que é muito importante também a gente explicar para a população o que estamos defendendo. É preciso dar esperança ao povo de que outro Brasil é possível e que, com um governo popular, dias melhores virão.
Por tudo isso que o Brasil tem vivido, muita gente não acredita mais na política. O que devemos fazer diante dessa desesperança?
A gente não tem o direito de desistir. A minha mãe me ensinou isso. A gente tem sempre que lutar. Tenho 71 anos e não quero desistir. Não desisti de sobreviver ao nascer em uma região onde muitas crianças morrem antes de completar cinco anos. Não desisti de organizar os trabalhadores durante a ditadura. Construí com meus companheiros o maior partido político da América Latina e fui presidente do Brasil por dois mandatos. Se eu consegui tudo isso sem diploma universitário, sem pai rico, por que alguém jovem deve desistir? Se você acha que a política está­ ruim, entre na política e tente ser você mesmo o militante ou dirigente político que você sonha para o Brasil.
Hoje, quem são os principais adversários para termos um país com justiça social, solidário e com oportunidade para todos?
Eu acho que hoje tem muita gente ressentida no Brasil, muita gente que está de mau humor, achando que o egoísmo vai resolver alguma coisa. Tem muito empresário que quer tirar direitos dos trabalhadores e aposentados sem perceber que se o trabalhador e o aposentado não tiverem dinheiro, não vão consumir o que ele produz. A grande força da nossa economia é o mercado interno. Então ele pode achar que vai se dar bem sendo inimigo dos trabalhadores e no final as vendas dele vão cair. Tem gente que se ressente da melhora de vida dos mais pobres e quer um país para poucos, só para um terço da população. Tem gente que defende quase a volta da escravidão. Essas pessoas precisam entender que isso não é bom nem para elas, porque um país para poucos é um país fraco, inseguro, instável. Um país assim não atrai nem investidor estrangeiro, atrai só parasita em busca de riqueza rápida, que vem extrair recursos naturais ou comprar empresas baratas. Uma sociedade solidária não é apenas uma questão de justiça – ainda que isso seja o mais importante – mas também de necessidade. Quando os pobres e os trabalhadores melhoram de vida, toda a sociedade vida.
Muitas vezes os políticos ficam decidindo a vida dos brasileiros e do país fechados em escritórios em Brasília. O Sr. já fez muitas viagens pelo interior do Brasil, em caravanas como esta agora no Nordeste. O que o Sr. aprendeu sobre o nosso povo nessas experiências?
Aprendi que o povo brasileiro é de uma força e de uma grande generosidade, e que não se pode governar o país de Brasília, da Avenida Paulista ou da zona sul do Rio de Janeiro. Para alguém que vive nessas regiões, um programa como o Luz Para Todos pode não significar nada. Mas ele levou energia, trouxe para o século 21 milhões de brasileiros. Sem luz, um jovem não pode estudar. Sem se alimentar, com uma boa merenda na escola, o jovem não pode estudar. Criamos o Programa de Aquisição de Alimentos, que apoia o agricultor local e reforça a merenda com comida saudável, hoje isso está sendo destruído. A criança tem que comer, mas também tem que ter roupa para ir à escola. O Bolsa Família exige para o recebimento do benefício que a criança frequente a sala de aula. Sem transporte, um jovem da zona rural não pode estudar. Criamos o programa Caminhos da Escola, que levou ônibus escolares pelo interior do Brasil. Sem água, como se pode viver, ainda mais estudar? Instalamos milhões de cisternas no sertão. E se não tem faculdade próxima, como estudar? Ampliamos as universidades, os institutos federais de ensino, as escolas técnicas, levando elas para o interior. Foram centenas de novas extensões universitárias em todos os estados do país. A Bahia tinha só uma universidade federal hoje tem quatro. Eu conheço pessoalmente o tamanho desse país, que ele não é pequeno, e quem o governa não pode ter a mente nem a alma pequena. Tem que ouvir o povo, colocar o pé na estrada, conversar, procurar soluções, dar força para a sociedade civil. E tem que abrir o palácio ao povo, fazer a sociedade civil participar da construção das soluções para o país.
Como o Sr. avalia as ameaças do governo dos EUA diante da situação da Venezuela? Como o Brasil deveria ter atuado no processo de paz na Venezuela?
É inadmissível que Donald Trump faça ameaças militares à Venezuela. Aliás, a qualquer país, em qualquer região do planeta. A Venezuela tem direito à sua autodeterminação. É o povo venezuelano que deve decidir livremente o destino do país. Se há uma crise institucional, que se busque superá-la por meio do diálogo e da negociação política, mas respeitando sempre os governantes que foram eleitos pelo voto popular, dentro das regras democráticas, como era o caso do presidente Hugo Chávez e é o caso do presidente Nicolás Maduro. Em 2003, quando a Venezuela vivia uma crise semelhante, eu mesmo propus a formação de um grupo de países amigos da Venezuela, bastante plural, que acabou contribuindo para o restabelecimento da normalidade e da paz. Hoje, infelizmente, o Brasil não tem nenhuma autoridade moral para ajudar. É ridículo um governo golpista, ilegítimo, inimigo do seu próprio povo, querendo dar lições de democracia à Venezuela. Quando tivermos novamente um governo democrático e popular, o Brasil voltará a colaborar, sem interferências indevidas na soberania dos vizinhos, para consolidar a paz e a estabilidade democrática na América do Sul.

DIRCEU PÕE A MÃO NA FERIDA: OS BANCOS!


Dirceu assume a Casa Civil de Lula, em 2003

 Fundação Perseu Abramo : Por que os juros são altos?

Por José Dirceu

Em julho de 2015, o BC registrou R$ 3.111 bilhões em empréstimos, operações do sistema bancário equivalentes a 54,5% do PIB. Os bancos receberam por esses empréstimos R$ 880 bilhões, 15,4 % do PIB, a partir de juros reis médios de 28,5% a.a., contra uma média europeia de 3% a 5%.
Os bancos e todo o sistema financeiro de intermediários assumiram o controle da economia e subjugam o produtor e o consumidor, as empresas e os cidadãos que pagam a conta.
De uma atividade meio, o sistema bancário e financeiro brasileiro se transformou em atividade fim. Sua produtividade, que deveria depender de sua contribuição para o ciclo econômico real, passou a ser resultado de seu lucro, do que se apropria da economia real, inclusive das aplicações financeiras com a dívida pública, sua tesouraria.
Em 2015, segundo o BC, os bancos cobravam juros de 104% no crédito comercial; 403% no crédito rotativo; 253,2% no cheque especial; 25% a 30% no crédito consignado. Para pessoa física, 103%.
E evidente que parte fundamental da renda nacional é apropriada pelos bancos via juros, sem nenhuma razão econômica que a justifique a não ser o poder político e o poder econômico que controlam e exercem. Os efeitos e as consequências dessa apropriação são fatais para o crescimento e acarretam uma extraordinária concentração de renda, agravada pela estrutura tributária e pelos pagamentos de juros da dívida interna.
Nos últimos anos, a expropriação das famílias é cada vez maior: em 2005, 19, 3% da renda familiar era dirigida ao pagamento de dívidas; em 2015, 46,5% , basicamente por conta dos altíssimos juros. No setor produtivo, a realidade não é diferente. O juro do capital de giro é de 24%, o de duplicatas de 35%. Para se ter uma ideia, na zona do Euro é de 2,20% (BCE).
Os juros no Brasil são um obstáculo, uma trava ao investimento e ao consumo das empresas e famílias. Os preços finais com juros são, em média, 2 vezes os preços à vista do bem de consumo. Parte fundamental do lucro das empresas é apropriada pelo sistema bancário e se expressa no ditado popular “trabalho para o banco”.
Tudo se agrava com o papel da dívida pública, onde os altos juros, acima do lucro médio da economia, desviam centenas de bilhões de reais -- lucros das empresas, renda das pessoas físicas para a aplicação em títulos públicos com risco zero, liquidez total e renda superior à da atividade produtiva.
Com a demanda das famílias, o consumo, o mercado interno é decisivo para o crescimento ao lado do investimento público e privado, do crédito acessível e viável. Mas os efeitos das taxas de juros praticados no Brasil impedem, na prática, o desenvolvimento.
Lucros dos bancos crescem na recessão
Enquanto isso, os lucros dos bancos crescem mesmo na recessão. Em 2011, a economia cresceu 3,9%, o lucro dos bancos 9,6%; em 2012, o PIB foi de 1,1%, e o lucro dos bancos de 5,9%; em 2013 e 2014, o PIB cresceu 3,5% e 0,1% e o lucro dos bancos, respectivamente 11,2% e inacreditáveis 18,8%.
O lucro do Itaú foi de R$ 20,6 bilhões em 2014, um crescimento de 30,2%, e o Bradesco de R$ 25,6 bilhões. Dos 54 bilionários brasileiros, 13 são do setor bancário, segundo a revista Forbes.
Tudo se agrava com uma política induzida e dirigida pelo sistema financeiro de ajuste fiscal e elevação de juros em nome da austeridade e controle da inflação.
A questão fiscal é um capítulo à parte e relacionada com a estrutura tributária e a evasão fiscal, com os paraísos fiscais, por onde são desviados, segundo “The Economist”, US$ 20 trilhões dos US$ 73 trilhões do PIB Mundial – US$ 520 bilhões é a cota que cabe ao Brasil, de acordo com a revista. Só para se ter uma ideia, apenas em Luxemburgo o Brasil perde US$ 35 bilhões/ano ilegalmente enviados por bancos como o Itaú e o Bradesco e outros meios. São 2,5% do PIB. O crescente escândalo do HSBC, até agora inconcluso e sigiloso, revela que sua extensão é maior.
Nosso sistema bancário e financeiro é um dos mais modernos do mundo, altamente profissional e informatizado; seu custo é reduzido e seu funcionamento eficiente. A questão é que não cumprem sua função constitucional, a delegação outorgada pela carta patente que recebem do BC, para prestar o serviço, a atividade meio de administrar nosso dinheiro, servir como intermediário entre quem tem poupança e a demanda seja do empresário ou do cidadão. Fazer o serviço e cobrar por ele, criar riqueza e ter lucro.
A primeira grande falha é do BC que deve regular o sistema bancário e financeiro e não o faz, já que é capturado pelo próprio sistema e está a serviço de seus objetivos e de sua lógica da especulação financeira.
Isso acontece porque não há concorrência no segmento financeiro e, sem ela, não há regulação que funcione. A aplicação financeira passa a ser objetivo central de nosso sistema financeiro e não o crédito ao investimento e ao consumo.
A especulação financeira não produz riqueza – o que faz é aumentar o patrimônio de seu detentor, seja ele governo, banco, empresa ou pessoa física. Além disso, a especulação financeira tem alto custo, desvia recursos da aplicação produtiva, aloca mal os recursos disponíveis pelo poder que tem e exerce, legisla em seu favor e desregula o mercado financeiro e toda economia.
Há uma deformação aberta e evidente nas informações passadas à sociedade pelo sistema financeiro que exerce uma influência decisiva na mídia em geral. Os bancos estão entre os principais anunciantes da TV, rádio, jornais, revistas e, agora, da internet.
Além disso, o BC não exige transparência dos bancos e do sistema financeiro. Só no Brasil se anuncia o juro mensal, uma fraude já que o que conta é o juro anual, que é juro composto. Toda publicidade dos bancos, inclusive em seus sites, anuncia juros mensais. No crediário, o juros são de 104,89 %, 122%, fazendo com que o consumidor pague por dois produtos e leve um, se endivide por 18, 24 meses, reduzindo, na prática, o tamanho do nosso mercado interno; nossa demanda interna que é o principal motor do nosso crescimento.
A título de comparação, na Europa o juro do crediário é de 13,3% a.a. Ou seja, se um consumidor compra um produto de 600 euros em 18 meses vai pagar 699 euros. Aqui, quem compra um produto de R$ 600 em 18 meses vai pagar R$ 1.437. Na prática, no Brasil o comércio acaba virando uma atividade financeira, ganha no financiamento e não na venda, na intermediação comercial.
Vivemos em um mundo de juros baixos negativos para títulos públicos. Mas, no Brasil, a pessoa física paga 6,3% ao mês (julho/2014), totalizando 90,9 % ao ano. O cheque especial é uma loucura: 195, 34% no Itaú, 247,64% no Bradesco, 326, 21% no Santander (fonte: CBCPDepec 2015), com um juro médio de 280% segundo a ABECS. Como 50,1% do crédito para consumo é realizado no cartão de crédito, podemos avaliar o devastador efeito negativo na expansão do consumo e na apropriação da renda da família via juros.
Isso sem falar no “imposto” mensal cobrado pelo uso das máquinas de cartão de crédito – são 5% nas vendas à vista. Trata-se, na verdade, de um “imposto” privado sobre a metade do consumo financiado no país. Extorsão ainda maior, quase inacreditável, são os juros do crédito rotativo, agora regulados pelo governo, de 21% a.a, usados para financiar dívidas do cartão de crédito. Um assalto legalizado. Mesmo os juros do crédito consignado e de automóveis, com garantias seguras, são altos: 23,5% (contra 3,5% na França e 5% na Polônia) e 23,59%. O imobiliário, também seguro e garantido de longo prazo, de 12% é elevado se comparado com os europeus de 2,58 % em média -- 1,86% na Alemanha, 2,53 % na França. Também as empresas pagam juros elevados no Brasil que penalizam a produção. Em 2015, tomaram empréstimos no valor de R$ 1.642 bilhões, elevados por juros 50,6% ao ano de taxa média (de 24,16% no capital de giro, 34,80% na duplicata e 100,36% na conta garantida.
Reforma do sistema financeiro é essencial
Se considerarmos que o crédito para as pessoas físicas foi de R$ 1.469 bilhões em 2015 e que os bancos emprestam dinheiro depositado por nós, empresas e cidadãos, que seu capital hoje é formado basicamente pela expropriação, via juros abusivos, de grande parte da renda criada e intermediada pelos agentes econômicos, chegamos à conclusão de que o sistema é parasitário e improdutivo. E exige uma ampla reforma tão ou mais importante que a tributária e a política, por seu papel no déficit público , na competitividade de nossa economia frente a empresas internacionais financiadas a juros 4,5 vezes menores que os nossos.
O custo financeiro de nossas empresas é o maior entrave ao nosso crescimento e competitividade, mais grave que o custo tributário e logístico. Trata-se de um oligopólio de alto custo para o país, um grave problema sistêmico que precisa ser reformado.
Hoje, temos três bancos privados: Bradesco, Itaú Unibanco e Santander. Dois públicos – Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, além do BNDES e do BNB. Para demonstrar os efeitos da falta de competição no segmento bancário, o HSBC, antes de ser comprado pelo Bradesco, cobrava (Dados do Ipea 2009) 63,42% de pessoa jurídica no Brasil, e 6,68% na Grã Bretanha; o Santander, 55,74% no Brasil e 16, 81% na Espanha; o Citi, 60,84% no Brasil e 7,2% , nos Estados Unidos.
Nossa pessoa física paga 10 vezes mais juros que a do exterior; mesmo na América Latina perdemos feio.Os juros do cartão de crédito são de 280,82% no Brasil para uma inflação de 5,77%; na Argentina, 35, 82% e inflação de 10,5 ; no Chile, 32,54% para inflação 2,3% e Selic de 4,5%; na Colômbia, 28,35% para inflação de 1,7%, e Selic de 3,2%; no Peru, 44,80% para inflação de 2,9% e Selic de 3,2%; e no México, juros no cartão de 39,16% para inflação de 3,6% e Selic de 3,5%.
Dá para avaliar que não há nenhuma causa para essa diferença brutal a não ser o domínio que o capital financeiro exerce sobre nossa economia? Não há nada que justifique esses juros a não ser seus extraordinários lucros.
A concentração bancária no Brasil não tem paralelo com o resto do mundo. Na Alemanha, por exemplo, 42,9% do crédito vêm da caixa de poupança, 26,6% de bancos cooperativos e só 13% dos grandes bancos. Esse poder sem limite dos bancos, associado ao oligopólio da mídia, lhes dá o controle da informação e da formação de expectativas, o controle do BC via formadores de opinião. E induz o país a aceitar juros altos como o único remédio para atacar a inflação transformar a alta da inflação alçada à condição de principal problema do país.
O governo tem poderes, pelos artigos 17 e 173 da Constituição Federal, para impedir o cartel de bancos hoje existente, o aumento arbitrário do lucro, a dominação do mercado e eliminação da concorrência. Deve e pode retomar a transparência e rastrear as transferências e fluxos de capitais, evitando a fuga de capitais e evasão fiscal.
Deve fazer cumprir o artigo 192 e obrigar o sistema financeiro nacional a cumprir seus objetivos e fazer a Febraban cumprir seus fins e não se limitar a informar ao cliente os juros que pagará – e mesmo assim ao mês! Restaurar a função social da propriedade, ainda mais por delegação do Estado – a carta patente -, restaurar a livre concorrência, impondo, se for o caso, uma reorganização no sistema bancário nacional. Ou medidas necessárias à sua transparência e controle. Por fim, combater a evasão fiscal, a fuga de capitais, ilícita e ilegal, “doa a quem doer”, começando pelo caso HSBC, restaurando a CPMF.
O governo terá que reinventar a política dos fundos de pensão para além das aplicações financeiras e orientar os bancos públicos – BB, CEF, BNDES – a reduzirem as taxas de juros, como já fizeram em 2013, obrigando os bancos privados àconcorrência, somando esforço regulador com a taxa Selic.
Não há razão para a Selic, nem para a inflação, muito menos para os custos administrativos e tributários serem tão elevados no país. A verdade é que são altos que são altos para garantir os 5% de juros reais às aplicações. Outros países têm dívidas públicas altíssimas, déficit público e agências importantes com créditos e juros subsidiados, como é o caso dos Estados Unidos, Japão e vários países europeus. E seus juros estão muitíssimo distantes do patamar dos juros brasileiros. Os juros no país são o que são em função do oligopólio do sistema financeiro e de seu poder político. Em decorrência da expropriação da riqueza e da renda nacional que exercem, com consequente concentração de renda. Mas este é um outro capítulo.

FRANGOTE, BARBICHA E CIA DA LAMA JATO, GASTARAM R$ 2,5 MILHÕES EM DIÁRIAS


Entre 2015 e julho deste ano, o MPF já gastou cerca de R$ 2,2 milhões apenas com diárias dos 
procuradores que atuam na força-tarefa da Lava Jato; valores são desembolsados como verba 
extra para aqueles que se deslocam de suas cidades de origem para reforçar as equipes em 
Curitiba; os procuradores lotados em Curitiba também fizeram viagens para realizar 
diligências e colher depoimentos, além de acompanhar buscas e apreensões; para isso, também 
receberam diárias; o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima recebeu, por exemplo, R$ 
286 mil em diárias de 2015 até agora, além de seus salários regulares.

 coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.

Paraná 247 - O Ministério Público Federal gastou, de 2015 até julho deste ano, cerca de R$ 2,2 
milhões só em diárias pagas a procuradores que atuaram na Operação Lava Jato no período. Os 
valores são desembolsados como verba extra para aqueles que se deslocam de suas cidades de 
origem para reforçar as equipes em Curitiba.
De acordo com a assessoria da força tarefa, os procuradores lotados em Curitiba também fizeram 
viagens para outras cidades e países para realizar diligências e colher depoimentos, além de 
acompanhar buscas e apreensões. Para isso, também receberam diárias.
O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima recebeu, por exemplo, R$ 286 mil em diárias de 
2015 até agora, além de seus salários regulares. Marcelo Miller, que era braço direito do procurador-
geral Rodrigo Janot e deixou a carreira para trabalhar num escritório que prestava serviços para a 
JBS, recebeu R$ 78 mil em 2016.CURVA
O valor total das diárias caiu de R$ 895 mil gastos em 2015 para R$ 784 mil em 2016. Neste ano já 
foram pagos R$ 619 mil.

MULTIDÃO RECEBE LULA EM SERGIPE. ASSISTA


OS EUA NO GOLPE BRASILEIRO

A cada dia que passa fica mais nítida a participação de forças dos Estados Unidos no golpe do impeachment. Trata-se de tema polêmico, contra o qual invariavelmente se lança a acusação de ser teoria conspiratória. O ceticismo decorre do pouco conhecimento sobre o tema e da dificuldade óbvia de se identificar as ações e seus protagonistas. Imaginam-se cenas de filmes de suspense e de vilões, com todos os protagonistas  orientados por um comitê central.
Obviamente não é assim.
Um golpe sempre é fruto da articulação das forças internas de um país, não necessariamente homogêneas, e, em muito, da maneira como o governo atacado reage. No decorrer do golpe, montam-se alianças temporárias, em torno do objetivo maior de derrubar o governo. Há interesses diversos em jogo, que provocam atritos e se acentuam depois, na divisão do butim.
A participação gringa se dá na consultoria especializada e no know-how da estratégia geral.
E aí entram os princípios básicos, copiados das estratégias de guerra:
Etapa 1 - Ataques da artilharia: a guerra de desgaste, de exaurir antecipadamente o inimigo por meio de ataques diuturnos de artilharia.
Etapa 2 – a guerra psicológica, visando conquistar corações e mentes das populações dos países adversários contra suas tropas.
Etapa 3 – a primeira ofensiva, juntando o avanço dos tanques de guerra com ações táticas de Infantaria, visando impedir o inimigo de realizar determinadas operações
Etapa 4 – simultaneamente à Etapa 3, táticas de dividir as forças adversárias para ataca-las uma de cada vez.
Etapa 5 - Vencida a guerra, ocupar o país com um governo local que, ante um quadro de destruição ampla, ganhará legitimidade inicial com suas propostas de reconstrução. Por isso a destruição tem papel central na conquista do território, seja no decorrer da guerra ou no desmonte posterior.
Etapa 6 – a batalha decisiva. A aceitação ou não, da população do país, do modelo imposto pela guerra.
Vamos, agora, analisar o Caso Brasil.

Etapa 1 – os ataques de artilharia

Tem a função de fustigar os inimigos diuturnamente, de maneira a tirar seu fôlego e preparar o terreno para o início da batalha e o avanço da infantaria.
Quem acompanha as sutilezas do jornalismo pátrio percebeu nítida mudança no estilo editorial a partir do advento do Instituto Millenium que ajudou a definir um tipo de jornalismo de guerra mais sofisticado, e ser o ponto de convergência dos jornalistas que atendiam à demanda dos grupos jornalísticos por guerreiros.
Até então, a mídia atuava atabalhoadamente com factoides inverossímeis, dentro do que ficou conhecida como a era do jornalismo de esgoto.
A partir de determinado momento – e, especialmente, das notícias geradas pela AP 470, do mensalão – os ataques mudam de enfoque. Em vez do linguajar agressivo, cobertura intensiva do material fornecido pelo Ministério Público Federal e pelo relator Joaquim Barbosa, em linguagem aparentemente neutra, mas sempre incluindo frases-padrão. Em qualquer matéria, mesmo sem ligação alguma com a AP 470, qualquer menção ao PT era acompanhada de frases–padrão, tipo “partido que foi acusado de corrupção pelo STF”, e outros termos similares, repetidos exaustivamente. Instituiu-se método na campanha midiática.

Etapa 2 – a conquista de corações e mentes

Nas manifestações de junho de 2013 ocorreu a primeira explicitação do mal-estar coletivo com o início da crise. Antes, houve um trabalho crescente dos grupos de ultradireita nas redes sociais, se sobrepondo à jovem militância de esquerda que ficou rendida, sem informações e sem argumentos do lado de um governo, incapaz de articular um discurso político.
Factoides de apagão, de epidemias, ataques ao Enem, à organização  Copa do Mundo, tudo ficava sem resposta, sem informações do governo, deixando o campo aberto para o golpismo.
Os primeiros organizadores de encontros, jovens de extração de esquerda, foram jogados ao mar pela própria esquerda.
Sem competidores, os movimentos estimulados pelo exterior ganharam fôlego e o comando das ruas passou para grupos, como o MBL (Movimento Brasil Livre) e o Vem prá Rua, bancados financeiramente e com know-how de grupos empresariais norte-americanos, como os irmãos Koch, e brasileiros, como Jorge Paulo Lehman.
O know-how consistia na habilidade em criar agentes políticos do nada, valendo-se apenas das novas formas de comunicação e organização das redes sociais. Pelo extremo baixo nível das lideranças, percebe-se a enorme facilidade em se criar protagonistas para conduzir os movimentos de manada nas redes sociais
A Rede Globo levou dois dias para perceber que os aliados tinham assumido a iniciativa. Imediatamente seus comentaristas se alinharam em defesa das manifestações, depois de a terem desancado impiedosamente no início.
Nos links abaixo, algumas matérias explicativas desses movimentos de bilionários organizando a militância:
É movimento que repete o fenômeno da direita empresarial norte-americana nos anos 60, com grupos como o W.R.Grace, de irlandeses católicos fundamentalistas, investindo em cruzadas em países da América Latina.
Leia aqui sobre os Grace e sua Campanha Pelo Rearmamento Moral:

Etapa 3 – o ataque com tanques e infantaria

A conquista de corações e mentes foi relativamente simples. Havia o dado concreto do mal-estar econômico. Bastou forçar nas relações de causalidade com Dilma e o PT, trabalho facilitado pela incapacidade de ambos de entender o momento e enfrentar o jogo tanto no campo político quanto da comunicação.
As manifestações de rua acionaram a bomba de efeito retardado, que catapultou a guerra para a etapa decisiva.
As ações que permitiram transformar um pequeno processo de Curitiba em um escândalo do Rio de Janeiro, capaz de derrubar um governo em Brasília, foram alimentadas pelo DHS, o poderoso Departamento do governo dos EUA, que surge a partir dos atentados às Torres Gêmeas, organizando as ações de 23 departamentos internos na luta contra o terrorismo e as organizações criminosas. Quando os EUA definem o combate à corrupção como ponto central de sua nova geopolítica, o DHS assimila o novo pacto comn o mundo corporativo dos EUA.
Ele se torna o ponto de contato com Ministérios Públicos em todo mundo, no modelo da cooperação internacional, ao mesmo tempo em que novas leis anticorrupção são aprovadas por organismos internacionais. A primeira aproximação com o Brasil foi no caso Banestado. A partir daquele episódio, estreitam-se as relações do DHS com o juiz Sérgio Moro e o grupo de procuradores que assume a Lava Jato.
Leia aqui sobre o DHS.:

Provavelmente vem do DHS o know-how de estratégias político-midiáticas da Lava Jato, a organização das informações em sites, a criação de perfis de procuradores e, mais à frente, a utilização política dos vazamentos. Antes disso, a seleção de procuradores e delegados que atuaram de forma harmônica.
Junto com o bombardeiro de tanques, ocorreram também operações táticas de infantarias, com a divulgação de conversas gravadas da presidente e a sincronização da agenda policial com a agenda política do impeachment.

Etapa 4 – a divisão das forças inimigas

A corrupção política contaminou todos os partidos, sem exceção. As delações dos executivos de empreiteiras forneceram um amplo arsenal para a Lava Jato, podendo selecionar os alvos a serem atingidos.
A atuação da Lava Jato visou três objetivos centrais, todos diretamente relacionados com os interesses norte-americanos, dificultando radicalmente o retorno ao modelo combatido:
·       Inviabilizar rapidamente as multinacionais brasileiras que competiam com grupos norte-americanos no exterior;
·       Derrubar o governo Dilma e, com ele, a legislação do pré-sal;
·       Inabilitar Lula politicamente.
Para que nada se interpusesse no caminho, tratou de poupar Michel Temer, principal personagem do escândalo da Eletronuclear, assim como Eduardo Cunha, que só foi preso depois de consumado o impeachment. E foi por isso que a maioria absoluta dos delatores conseguiu a libertação bastando, para tanto, as palavrinhas mágicas: Lula ou Dilma sabia.
Agora, uma checagem minuciosa mostra um trabalho relapso, muito mais focado na quantidade que na qualidade das delações. Mas obedecia à estratégia de comunicação, de não dar um minuto de folga aos inimigos (PT e Lula). Cada declaração, mesmo vazia e sem provas, alimentava o noticiário diário, insuflava o clamor das ruas e atraía adesões do Judiciário.

Etapa 5 – a ocupação do território inimigo

A estratégia pós-impeachment consistiu em implementar rapidamente um conjunto radical de medidas visando fazer terra arrasada do modelo econômico vigente. Antes mesmo do impeachment já haviam sido fincadas as bases do acordo com os coronéis do PMDB, em torno da tal Ponte Para o Futuro. A ponto do próprio Temer, em evento nos EUA, afirmar que Dilma caiu por não ter aderido aos pontos da tal Ponte.
É evidente que havia um documento, que foi entregue pessoalmente aos líderes do PMDB por representantes do tal do mercado.
Provavelmente, a cabeça por trás da Ponte para o Futuro, e do trabalho de demolição do orçamento, foi Marcos Lisboa, espécie de menino de ouro do liberalismo pátrio e ponto de contato entre os grupos de mercado, os políticos do PMDB re a alta burocracia pública, graças ao contatos desenvolvidos em seu tempo de assessor do ex-Ministro Antônio Pallocci.
Nas eleições de 2002, foi indicado para Jorge Paulo Lehman pelo economista brasileiro Alexandre Scheinkman, diretor do prestigioso departamento de macroeconomia da Universidade de Chicago. Lehman tentou enganchá-lo na campanha de Ciro Gomes. Com a eleição de Lula, Lisboa acabou indo para a equipe de Antônio Palocci onde, saliente-se, realizou um belo trabalho de reformas microeconômicas.
No discurso que fez no evento do Jota-Insper, na sexta passada, há todas as impressões digitais das principais maldades em tramitação na Câmara, inclusive a que obriga o devedor inadimplente que devolve o bem a continuar devedor. Para Lisboa, economia saudável é que a permite ao banco tirar a máquina do empresário inadimplente, ainda que uma máquina parada seja menos eficaz para a economia que uma empresa produzindo; que permite ao banco punir o mutuário inadimplente. Para ele, a inadimplência é um ato de vontade do devedor, não contingências da economia. É um autêntico defensor da eugenia social e corporativa.
Todo o estoque de projetos, a começar da PEC do Teto e, a partir dela,  o desmonte de todas as políticas sociais e a ocupação de todos os territórios do Estado, do aparelhamento da Funai à Eletronuclear, do Inmetro ao TSE (Tribunal Superior eleitoral) o.Simultaneamente, lança  um conjunto de medidas estruturais, que destroem o modelo anterior de Estado, para que a Nova Ordem possa ser a única alternativa visível.
A contribuição externa  se deu no aconselhamento da estratégia da Ponte para o Futuro e do conjunto de leis atuais.

O papel da mídia

A exemplo da estratégia pós-millenium, o papel da mídia é vocalizar um conjunto de slogans vazios:
A equipe econômica é brilhante. A frase é repetida por Ministros do Supremo, empresários etc. A maioria absoluta dos quais jamais tinha ouvido falar antes, ou depois, dos membros da equipe econômica.
Se reformar a Previdência, o país sai da crise. Não há nenhuma relação de causalidade. Para chegar a esse ponto de terra arrasada – parte da estratégia de desmonte do Estado anterior – acabaram com a demanda, criaram enorme capacidade instalada, aumentaram as taxas reais de juros, todas medidas pró-cíclicas.
Sobre essa retórica, prepararei um artigo à parte.

Etapa 6 – a batalha decisiva

O teste final serão as eleições de 2018. E, aí, há uma ampla confusão e disputa entre os diversos grupos hegemônicos que dependem de três balas de prata para enfrentar Lula.
A primeira dificudade é a identificação de um candidato competitivo, capaz de levar adiante o desmonte.
O clube dos bilionários do golpe abriu os olhos para o risco de confundir sua imagem com a da organização comandada por Michel Temer. E entendeu que a aprovação de reformas, sob o jugo de Temer, tirará grande parte da sua legitimidade. Além de comprometer qualquer tentativa futura de protagonismo político.
Aí entram em cena os conflitos de interesse.
Os caciques do PSDB continuarão sendo escandalosamente blindados pelo algoritmo do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas, politicamente, estão liquidados.
Tasso Jereissatti pretendeu tirar o PSDB dessa rota suicida. Mas passou a enfrentar a pressão da banda fisiológica do partido, liderada pelo chanceler Aloysio Nunes. Sem financiamento empresarial e sem governo, parte relevante das atuais lideranças tucanas será varrida do mapa. Daí a insistência em permanecer no barco de Temer  
Por outro lado, o clube não dispõe de um nome competitivo para 2018. Marina Silva não tem fôlego. E Geraldo Alckmin não representa novidade alguma no panorama político.
Por tudo isso, o clube – mais a ala mercadista do PSDB, puxada por FHC – provavelmente jogará suas fichas na candidatura de João Dória Jr, apesar das imensas ressalvas que manifestam em relação a ele. Será uma novidade, mas dificilmente será competitivo.
Com o definhamento do PSDB, o antipetismo se tornou totalmente invertebrado.

O distrital misto

Sem uma liderança minimamente esclarecida, tenta-se, agora, esse aborto do modelo político ditrital misto  como última tentativa de sobrevida à atual bancada de deputados. E aí sobressai uma ameaça cada vez mais presente na política atual: a entrada de várias organizações criminosas no jogo.
O narcotráfico mostrou um poder assustador no episódio da helicoca, no qual a Polícia Federal e o Ministério Público Federal não moveram uma palha para apurar as ligações do dono do helicóptero, senador José Perrela, com o tráfico. O helicóptero foi devolvido dias depois para o dono, em outra atitude inédita.
Por outro lado, a extraordinária influência da Fenatran – a suspeitíssima federação de transporte urbano do Rio de Janeiro – no STF, através do Ministro Gilmar Mendes, acende outra luz amarela.
Finalmente, a tentativa de legalizar novamente o bingo abrirá nova frente de influência para o crime organizado.
O México é aqui e, ao contrário das suspeitas iniciais, o que mais se assemelha ao PRI mexicano não é o PT, mas esse amálgama que sai do golpe, com os primeiros indicios de parceria com o crime organizado.
O PSDB acena com o parlamentarismo, caso consiga o poder. É mais fácil Gilmar Mendes declarar suspeição em qualquer processo, do que a bandeira do parlamentarismo eleger um presidente.
O próximo presidente será eleito denunciando o saco de maldades produzido pelo atual governo, em parceria com o PSDB e com o mercado.
Por todos esses condicionantes, mais que nunca dependerão de ações no Judiciário para inviabilizar a oposição. Afinal, por mais que seja estreita a colaboração com os EUA, não poderão contar com a 7a Cavalaria contra os índios de Lula.

sábado, 19 de agosto de 2017

LULA NA UNILAB: Preconceito não é posição política, é doença

F
Lula durante a colação de grau dos alunos da Unilab. Para ver mais fotos do dia, visite o Flickr 

Falando a uma plateia formada por dezenas de graduandos africanos e brasileiros da Unilab, Lula 
voltou a dizer que o Brasil possui uma dívida com a África que não pode ser paga em dinheiro. O ex-
presidente foi escolhido como patrono dos formandos do curso de Humanidades da Universidade da 
Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira no campus dos Malês, em São Francisco do 
Conde, na Bahia. 
Ex-presidente foi o patrono de formatura dos estudantes da Universidade da Integração 
Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), a 14ª universidade criada durante seu 
governo, na noite desta sexta-feira 18 em São Francisco do Conde, na Bahia; em seu discurso, 
ele ressaltou que "o preconceito é uma doença e temos que vencer" e afirmou que "o Brasil 
não está fazendo favor quando oferece bolsa de estudo. O Brasil está pagando cada centavo, 
séculos de dívidas"; "Enquanto eu tiver força eu irei lutar p/ que não haja nenhum corte nos 
benefícios que um jovem africano recebe para estudar nesse país", destacou

Lula contou que foi ao Senegal quando era presidente, acompanhado do então ministro da Cultura 
Gilberto Gil e, na vila de Goré, visitou a "Porta do Nunca Mais", que era o lugar onde os africanos 
escravizados deixavam o continente. Mais de oito milhões deles rumo ao Brasil. "Como mensurar 
uma dívida dessa? O trabalho que nunca foi pago, a contribuição à cultura, à beleza, ao nosso 
gingado, nosso jeito de ser?".
Para uma dívida impossível de ser paga em dinheiro, o Brasil apostou na solidariedade. "Vocês não 
devem nenhum favor a este país. O Brasil não está fazendo favor, está pagando as horas, os anos e 
séculos da vida de africanos que foram trazidos para cá e trabalharam até morrer sem ganhar nada".
O ex-presidente contou das diversas iniciativas em seu governo de colaboração com a África. Lula 
foi o presidente que mais embaixadas criou na África, as trocas comerciais entre Brasil e o 
continente africano triplicaram durante seu governo. Citou que o Brasil incentivou a implantação de 
uma fábrica de remédios contra Aids em Moçambique, instalou um escritório da Embrapa em Gana e 
levou para a África o Programa Mais Alimentos, que financiava a compra de máquinas agrícolas 
entre outros projetos.
O ex-presidente assistiu à cerimônia de colação de grau e cumprimentou todos os formandos. Em sua 
fala, Lula disse que há preconceito contra os estudantes africanos no campus de Redenção, no Ceará. 
"Certamente se fossem brancos de olhos verdes, não haveria esse preconceito" e completou dizendo 
que não é possível admitir isso. "Preconceito não é posição política, é doença".
Para os formandos africanos, que devem agora deixar o Brasil e voltar a seus países para trabalhar ou 
estudar, Lula deixou um recado: "Voltem para casa, mas não se esqueçam de que o Brasil é uma 
extensão do continente africano que um dia a geologia separou".
Os alunos Fernando Colônia, da Guiné-Bissau, e Fabiana Pedreira, do Brasil, foram oradores da 
turma. Ambos pediram que a Unilab seja ampliada com mais cursos. E Fabiana disse, com beleza: 
"Agradecemos sobretudo por ter sancionado a lei de criação desta nossa Unilab, possibilitando que 
as duas margens opostas do Atlântico se reencontrassem, dessa vez em outras condições, para que 
assim nós, negras e negros, brasileiros e africanos, pudéssemos juntos construir uma nova história, 
de mãos dadas, à caminho da nossa emancipação política e social".


DORIA VS LULA NO NORDESTE: UM VARZEIRO PERNA DE PAU CONTRA UM CRAQUE

Doria é recebido a ovadas na Bahia

Lula Recebe titulo Honoris causa da Universidade do Recôncavo Bahiano


Doria fala para empresários no Ceará

Povo recebe Lula  no Ceará.

As imagens deste 18 de agosto de 2017 mostram não apenas 
dois políticos, mas dois Brasis.


No mesmo dia em que Doria perde o seu quarto secretário em oito meses — Gilbeto Natalini, do 
Verde, deixou o cargo supostamente por não ceder a construtoras –, ele foi a Fortaleza, Ceará, falar 
sobre gestão.
O que um prefeito que perdeu seu quarto secretário em oito meses têm a ensinar sobre gestão? 
Rodízio muito grande na equipe de primeira escalão revela que ou líder escolheu mal sua equipe, ou 
a convivência com ele é insuportável.
Sejam por um ou outro motivo, as trocas constantes no secretariado de Doria mostram que ele pode 
ser qualquer coisa, menos um gestor eficiente.
Já a outra imagem é a de Lula cercado por gente na sua chegada ao Recôncavo Baiano, onde, durante 
o governo do petista, foi inaugurada uma universidade.
Em uma, há um mar de gente.
Na outra imagem, mesas com pessoas convidadas pelo Lide, a organização criada por Doria para 
defender interesses dos empresários durante o governo de Lula — o nome disso se chama lobby — , 
a grande obra da vida do prefeito.
Os dois discursaram e deram entrevista.
Frases de um e de outro mostram o tamanho de cada um como político.
Lula disse que Doria o ataca porque ele, Lula, está na frente da pesquisa e usou uma metáfora 
futebolística: quem enfrentar o Barcelona vai tentar conter o Messi, não o Mascherano. Faz sentido, 
qualquer pessoa entende.
Doria respondeu de uma forma que qualquer um entende também, mas foi com canelada: “além de 
sem vergonha, preguiçoso, mentiroso e covarde, você é inexpressível (sic)”, disse.
Doria tentou entrar na metáfora futebolística: disse que, se Lula é Messi, ele é Neymar, que é negro e 
defende a seleção argentina. Não convenceu.
Na plateia de Doria, as imagens não mostram negros.
Já Lula foi a uma universidades onde negros, muitos africanos, receberam diploma universitário, 
muitos deles pioneiros na família com ensino superior.
Doria se comportou no Ceará como sempre: um homem mimado, que, contrariado, baixa o nível.
Já Lula, cuja alfabetização Doria colocou em dúvida, ao dizer que talvez ele não soubesse ler, teve 
um dia de estadista: ele foi o patrono da 2a. turna do Bacharelado em Humanidades, do Campus dos 
Malês da Universidade da Integração Nacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), em São 
Francisco do Conde, entidade criada em seu governo.
Doria, que quer ser o candidato da direita para enfrentar Lula, terá de aprender muito chegar à 
primeira divisão da política. Nesta sexta-feira, seu comportamento foi de várzea.

Lula recebido em Cruz das Almas, Bahia.

JUDICIÁRIO BRASIL: Desembargador humilha advogada por causa da roupa dela. ASSISTA !


Erros de delegada favorecem peemedebistas na Lava Jato


Senadores e ministros do TCU estão entre possíveis favorecidos por medidas da PF
 
Jornal GGN - No posto mais alto da carreira de delegada da Polícia Federal, Graziela Machado da Costa e Silva foi efetivada em 2012 à Classe Especial, última categoria adquirida pelos delegados. Em três episódios polêmicos da Operação Lava Jato, é ela quem assina o arquivamento de inquéritos contra políticos ou comete erros que podem ocasionar a anulação de toda uma investigação. 
Seus atos já foram confrontados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e também criticados pelo ex-relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro falecido Teori Zavascki. O GGN fez um levantamento destes casos e situações que ocasionaram o arquivamento de apurações contra políticos, em casos de falta de indícios que feriram imagens por tempo injustificadamente prolongado, e outros que mesmo com o avanço de provas foram engavetados.
Pelo posto que ocupa, seu nome apareceu pontualmente e em poucas situações desde o início das apurações da Polícia Federal nos crimes relacionados à Petrobras. A fim de verificar quando ingressou na carreira, o GGN acessou os dados da Transparência para servidores civis e militares do Ministério da Justiça. No sistema, foi possível identificar que integra a PF desde outubro de 2002, chegando ao atual cargo em 2012. 
Como delegada de Classe Especial, ela tem a atribuição de, além das já previstas nos cargos inferiores, também instruir e orientar policiais e servidores administrativos da PF em suas atividades e atuar em situações diplomáticas. Para se chegar à este nível, o Decreto nº 7014 de 2009 estipula que o servidor precisaria cumprir um mínimo de 13 anos de carreira: três anos para ser promovido da terceira à segunda classe, cinco para atingir a primeira e mais cinco para a classe especial.
ARQUIVAMENTOS 
A primeira das aparições da delegada envolve três senadores em duas situações opostas: contra dois deles foi empenhado mais de um ano para vasculhar indícios e nada foi encontrado, chegando-se ao arquivamento dos casos; e um terceiro, avanço com significativas coletas de indícios, mas o mesmo fim pelo engavetamento. 
Em junho de 2015, Graziela envia ao Supremo Tribunal Federal um documento apontando haver "elementos iniciais suficientes" que confirguram crimes de corrupção envolvendo as campanhas de três senadores, a partir dos levantamentos da Operação Lava Jato. As miras foram os parlamentares Humberto Costa (PE), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Valdir Raupp (PMDB-RO).
"Informação policial compilou alguns dados de doações eleitorais que denotam a relevância e protuberância dos valores despendidos por empresas privadas, especialmente as contratadas pela Petrobrás". As suspeitas sobre os senadores petistas partiram das delações do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa que narrou ter repassado R$ 1 milhão à campanha de Costa por meio de doação eleitoral e, nos mesmos moldes, à campanha de Lindbergh Farias.
Já contra o peemedebista, as acusações partiram do executivo Othon Zanoide de Morais, do Grupo Queiroz Galvão, de que Valdir Raupp teria recebido R$ 500 mil por empresas beneficiadas no esquema de carteis junto à Petrobras. Neste caso, houve um avanço nas diligências: além dos depoimentos, os investigadores já haviam levantado material de doações eleitorais, faltando apenas analisar os documentos.
Com as informações, Teori autorizou o prosseguimento das investigações até final de agosto daquele ano. Os casos seguiram separadamente e somente um ano depois, Graziela Machado indicia Valdir Raupp:
"Reunindo desde a tomada de diversas declarações, análise de passagens aéreas, vínculos societários e familiares, cruzamento de extratos telefônicos dos envolvidos, foi possível confirmar a implicação do Senador Valdir Raupp e de Maria Cléia Santos, assessora do senador, feita pelos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, assim como revelar a participação de Pedro Roberto Rocha, também responsável pela assinatura dos recibos eleitorais das doações promovidas pela Queiroz Galvão", disse a delegada, em documento ao STF.
Imediatamente após tomar conhecimento, a defesa de Raupp ressaltou que o STF não havia autorizado o indiciamento do parlamentar, o que estava vetado, colocando em risco todas as diligências. Zavascki confirmou o alerta do advogado e, em despacho, suspendeu a investigação contra o peemedebista e fez duras críticas à delegada:
"Esse ato [indiciamento], pelo menos neste juízo inicial, estaria usurpando a competência deste Tribunal, pois compete exclusivamente ao relator a supervisão judicial de inquérito que tramita nesta Corte, incluindo a autorização de indiciamento de pessoas com prerrogativa de foro. (...) Conforme indica a jurisprudência, é inviável indiciamento promovido pela autoridade policial em face de parlamentar investigado no âmbito desta Corte", disse Zavascki, em junho de 2016.
Com o petista Humberto Costa, foi preciso passar mais de um ano para a delegada concluir que "esgotadas as diligências vislumbradas por esta autoridade policial, não foi possível apontar indícios suficientes de autoria e materialidade e corroborar as assertivas do colaborador Paulo Roberto Costa". 
O ex-diretor de serviços da Petrobras, Paulo Roberto Costa, havia mencionado que o empresário Mário Beltrão, próximo do senador, o procurou em 2010 para pedir doações à campanha de Costa. O dinheiro teria partido da empresa White Martins, interessada em contratos relacionados às obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Mas os delegados não encontraram nenhuma provade que o pedido do amigo do parlamentar envolveu qualquer tipo de compromisso de irregularidades junto à Petrobras. 
Assim, após as buscas, restou "um panorama de dúvidas sobre as reais tratativas" das reuniões do suposto repasse e que os contratos sequer foram executados. Por isso, a investigação foi arquivada.
Se no caso de Humberto Costa foi necessário pouco mais de um ano para concluir pela falta de ilícitos, a delegada levou um ano e meio para arquivar as suspeitas sobre Lindbergh Farias (PT-RJ). Após os 18 meses de apurações, só restaram dúvidas às acusações de que o senador teria pedido R$ 2 milhões a Paulo Roberto Costa, em 2010.
"Os resultados das diligências realizadas, conquanto não infirmem as mencionadas declarações, não foram capazes de reforçá-las, persistindo até mesmo dúvidas em relação a circunstâncias essenciais dos fatos aqui versados, tais como o local da primeira reunião entre o investigado e o ex-diretor da petrolífera e a suposta pessoa que teria repassado os dois milhões de reais", informou o procurador-geral, Rodrigo Janot, após arquivo enviado por Graziela Machado da Costa e Silva ao Supremo.
Já no caso contra Valdir Raupp, o cenário era outro: os investigadores encontraram indícios, registros de encontros para acerto de repasses, conversas e telefonemas entre os investigados, anotações em agenda. Tais elementos, apresentados ainda no início das apurações, já foram considerados pelo relator Edson Fachin, em março deste ano, como "suficientes para aceitar a denúncia".
"Os indícios apontados convergem então para a possível prática do crime de corrupção passiva majorada pelo denunciado Raupp e ao menos na condição de participe por Paulo Rocha e Maria Cleia", havia destacado o ministro do STF, quando tornou Raupp réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo recebimento de R$ 500 mil de propina, na forma de doação oficial à campanha ao Senado, em 2010.
Após ter acesso aos levantamentos feitos pela PF, enviados ainda em junho de 2016, a Procuradoria-Geral da República denunciou que Valdir Raupp pediu ajuda ao ex-diretor da Petrobras para obter as doações, feitas por intermédio do lobista Fernado baiano. O doleiro Alberto Yousseff teria acertado com uma assessora do senador que a doação viria pela construtora Queiroz Galvão, que mantinha contratos com a estatal.
Mas a conclusão da PF mudou completamente com o novo relatório, enviado nesta semana ao Supremo: "Não foram colhidos elementos suficientes no sentido de que a atuação do senador foi precedida ou sucedida da solicitação de vantagens indevidas, configurando o crime de corrupção passiva", disse Graziela Machado, manifestando apenas que "o lobby" de Raupp pode ser "moral e eticamente questionável", abandonando os indícios anteriormente coletados. 
NÃO QUISERAM 'ESTANCAR A SANGRIA'
Foi em julho deste ano que a delegada Graziela Machado da Costa e Silva teve seu nome estampado nas principais manchetes, após assinar relatório concluindo que os peemedebistas José Sarney, Romero Jucá e Renan Calheiros não tentaram obstruir a Operação Lava Jato e "estancar a sangria", conforme diálogo deles mesmos em grampo de Sérgio Machado.
O objetivo do documento era indicar que a delação do ex-diretor da Transpetro, Sérgio Machado, estava desqualificada. Para ela, a estratégia de Machado de oferecer como prova os diálogos gravados entre os caciques do PMDB não comprovavam a prática de crimes de obstrução e contra administração da Justiça e teria sido feita apenas para o investigado - Sérgio Machado - se ver livre da prisão.
 
"Tem-se no caso presente que as conversas estabelecidas entre Sérgio Machado e seus interlocutores, limitaram-se à esfera pré-executória, ou seja, não passaram de meras cogitações (...) É preciso mais. Concluo que, no que concerne ao objeto deste inquérito, a colaboração que embasou o presente pedido de instrução mostrou-se ineficaz", entendeu Graziela, sugerindo a anulação do acordo de colaboração premiada do ex-diretor da Transpetro.
"No que concerne ao objeto deste inquérito, a colaboração que embasou o presente pedido de instauração mostrou-se ineficaz, não apenas quanto à demonstração da existência dos crimes ventilados, bem como quanto aos próprios meios de prova ofertados, resumidos estes a diálogos gravados nos quais é presente o caráter instigador do colaborador quanto às falas que ora se incriminam", completou.
Entretanto, as 59 páginas do relatório de Graziela miram na suposta tentativa dos peemedebistas em suas conversas e encontros de não remeter o caso de Sérgio Machado ao juiz da Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro. A delegada, entretanto, não faz a análise de "estancar a sangria" com o que realmente estava sendo discutido pelos políticos: a queda da então presidente Dilma Rousseff.
"Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria", é a íntegra da famosa frase de Romero Jucá. Com ou sem a intenção, a delegada não fez a análise sob este ponto de vista e focou na tentativa de persuasão dos peemedebistas de pressionarem Teori Zavascki, então relator da Lava Jato, a não enviar a investigação de Sérgio Machado a Moro.
Como resultado, a delegada do maior posto da Polícia Federal concluiu que não houve tentativa e estancar a sangria da Operação Lava Jato por José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá.
ERROS AMEAÇAM SOBREVIVÊNCIA DE INQUÉRITO
O último caso polêmico por medida tomada por Graziela Machado da Costa e Silva foi similar ao primeiro: desde junho de 2015, a Polícia Federal analisa o esquema de corrupção passiva para favorecer a empreiteira UTC nas obras da usina de Angra 3. Agora, aparentes erros de peritos da PF podem colocar em risco toda a investigação. 
As suspeitas recaem contra o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Raimundo Carreiro, o ministro Aroldo Cedraz e seu filho, advogado Tiago Cedraz, além dos senadores Edison Lobão (PMDB-MA), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR). 
Apesar de ter início há mais de dois anos, o último relatório dos delegados foi enviado em julho ao Supremo Tribunal Federal (STF): assinado por Graziela Machado da Costa e Silva, o material estava pronto para o preparo da denúncia pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Se não fosse pelos erros.
O dono da UTC, Ricardo Pessoa, narrou que Tiago Cedraz pediu R$ 1 milhão ao ministro Raimundo Carreiro, do TCU, que era relator do processo relacionado à Angra 3 no Tribunal. Depois do repasse, o contrato de Angra 3 no Tribunal "fluiu", disse o empreiteiro. Além de Pessoa, delatores da Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Odebrecht confirmaram os ilícitos. 
Neste caso, Renan e Jucá teriam recebido doação eleitoral em 2014 como propina desde que Edison Lobão, então ministro de Minas e Energia e liderança do PMDB, garantisse o consórcio da UTC como vencedora da licitação das obras de montagem eletromecânica da Usina de Angra 3.
"Ficou claro que os senadores foram remunerados pela representatividade dentro do PMDB e deste no Ministério de Minas Energia, ao qual estava vinculada a Eletronuclear, a quem o consórcio liderado pela empresa de Ricardo Pessoa havia firmado contrato para execução de obras da Usina Nuclear de Angra 3", apontava Graziela.
Entretanto, o relatório da PF trouxe como meios de provas telefonemas entre os envolvidos, para comprovar a intenso contato entre os investigados para os acordos, sobretudo em datas próximas da votação do TCU. Erros grosseiros foram identificados nas análises dessas chamadas telefônicas, atribuídas a pessoas das quais não correspondiam os equipamentos.
Apesar de seguir defendendo as conclusões do relatório, os diversos erros cometidos levaram à conclusão de mais de 14 mil registros de telefonemas entre investigados, de forma equivocada. A PF deverá, agora, recalcular e reanalisar as comunicações entre os investigados, o que além de atrasar o andamento do inquérito traz riscos à confiança das apurações e, consequentemente, à sobrevivência do inquérito contra os peemedebistas e ministros do TCU.