sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O MONSTRO EM AÇÂO: MP corre para tirar PSDB do foco e arranja denúncia contra Lula




POR FERNANDO BRITO  

O Ministério Público Federal, rápido como uma flecha, cuidou de fornecer material para as revistas semanais “deixarem pra lá” as denúncias surgidas contra o “Santo” – apelido dado a Geraldo Alckmin nas planilhas da Odebrecht e apresentou denúncia contra Lula na Operação Zelotes.
São denúncias mais do que vagas, por “tráfico de influência” – porque Lula já não era presidente há mais de dois anos quando das supostas irregularidades -, no qual o petista teria feito valer – não se especifica como – seu prestígio para obter atos governamentais que beneficiassem montadoras de veículos, instaladas no Nordeste.
Curioso é que tudo o que foi feito foi prorrogar um incentivo que foi concedido ainda no governo Fernando Henrique Cardoso…
Como vai ficando evidente que no tal “triplex” não vão arranjar nada, tamanha a falta de qualquer prova de irregularidade, vão criando uma espécie de “palpite triplo” para ver se em alguma ação conseguem condenar Lula, fazem voar o caso para segunda instância e o tornam “ficha-suja” para que não possa se candidatar em 2018.
O jogo, embora muito sujo, está clarinho, clarinho.

LULA NÃO TEM SAÍDA: TEM QUE INDICAR ALGUÉM OU SER CANDIDATO!

Metalúrgicos do ABC inauguram manifestações contra a escravatura previdenciária



POR FERNANDO BRITO

12 mil trabalhadores, segundo os dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, 
participaram do primeiro ato de massas contra a reforma da previdência e da absurda exigência de 49 
anos de contribuição para que a aposentadoria não sofra descontos.
Metalúrgicos da Volks, Mercedes, Ford, Toyota e Scania, além de várias fabricantes de Autopeças se 
concentraram por quase duas horas para exigir que Michel Temer retire o projeto que foi enviado à 
Câmara e negocie uma proposta comum com os trabalhadores.
“Com essa proposta não tem discussão, tem luta. Não vai ter arrego e a nossa proposta é que o 
Michel Temer retire o texto. O Brasil tem que se contagiar com esta mobilização dos metalúrgicos do 
ABC. O caminho é ocupar as ruas”, afirmou o presidente do Sindicato, Rafael Marques.
Oposta à CUT, que lidera essa manifestação, a Força Sindical também realizou hoje uma assembléia, 
marcando para os dias 24 e 25 de janeiro – neste, uma concentração na Praça da Sé – atos de repúdio 
à proposta em todo o país.
Ao contrário da PEC da Morte, que não tem efeitos imediatos e cuja repercussão na vida da 
população é mais difícil de ser compreendida, a reforma da Previdência tem um potencial explosivo 
diante de um governo que – daqui a alguns dias veremos – tem índices de aprovação bem próximos 
do zero, a esta altura.
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LULA VOLTA AO CNJ CONTRA PARCIALIDADE DE MORO


Defesa do ex-presidente reage contra despacho do juiz Sergio Moro nesta quinta-feira 8, em 
que ele afirma que Lula promove demanda contra todo o "serviço policial federal"; "A 
verdade é que Lula moveu uma ação de reparação de danos morais contra um agente policial 
federal que usou de seu cargo para satisfazer seu intento pessoal de promover um verdadeiro 
ataque à imagem, à reputação e à honra do ex-Presidente", respondem os advogados, 
lembrando que a ação "é cível e não tem qualquer relação com Moro", e que por isso "não 
cabia a ele emitir qualquer juízo sobre o tema"; conduta do magistrado "também pode 
implicar, em tese, desvios funcionais, razão pela qual o tema foi submetido na data de hoje ao 
Conselho Nacional de Justiça", anunciam

247 - A defesa do ex-presidente Lula reagiu nesta sexta-feira 9 contra um despacho proferido ontem 
pelo juiz da Lava Jato, Sergio Moro, em que ele afirma que o petista promove demanda contra todo o 
"serviço policial federal".
"A verdade é que Lula moveu uma ação de reparação de danos morais contra um agente policial 
federal que usou de seu cargo para satisfazer seu intento pessoal de promover um verdadeiro ataque 
à imagem, à reputação e à honra do ex-Presidente", respondem os advogados.
A defesa lembra que a ação "é cível e não tem qualquer relação com Moro", e que por isso "não /
cabia a ele emitir qualquer juízo sobre o tema". "A conduta do magistrado do Paraná, além de mais 
uma vez reformar a sua parcialidade, também pode implicar, em tese, desvios funcionais, razão pela 
qual o tema foi submetido na data de hoje ao Conselho Nacional de Justiça", afirmam os advogados.
Leia a íntegra da nota:

Nota de posicionamento

Não é correta a afirmação constante no despacho proferido pelo juiz Sergio Moro na data de ontem 
(08/12/2016) de que o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva promove demanda contra todo o 
"serviço policial federal". A verdade é que Lula moveu uma ação de reparação de danos morais 
contra um agente policial federal que usou de seu cargo para satisfazer seu intento pessoal de 
promover um verdadeiro ataque à imagem, à reputação e à honra do ex-Presidente.
Sergio Moro, que insiste em julgar Lula a despeito de todas as provas já apresentadas de que perdeu 
a imparcialidade, mais uma vez se transforma em acusador de Lula ao classificar a ação judicial por 
este proposta como "lamentável". A demanda proposta pelo ex-Presidente contra o agente policial 
federal é cível e não tem qualquer relação com Moro, e por mais este motivo não cabia a ele emitir 
qualquer juízo sobre o tema.
A conduta do magistrado do Paraná, além de mais uma vez reformar a sua parcialidade, também 
pode implicar, em tese, desvios funcionais, razão pela qual o tema foi submetido na data de hoje ao 
Conselho Nacional de Justiça.

Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira
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BLACK FRIDAY: BRASIL EM LIQUIDAÇÃO TOTAL !!


E você, vai ficar aí parado? 

Por Eugênio Aragão ex Ministro da Justiça

Está na cara que a Presidenta Dilma foi derrubada para abrir a temporada de liquidação dos ativos do 
Brasil para uma comunidade internacional de banqueiros quebrados com a crise econômica mundial.
Está na cara que o Sr. Temer conspirou porque estava revoltado com seu papel de vice-presidente 
decorativo.
Está na cara que o Sr. Temer não tem legitimidade e nem estatura para gerente da liquidação a que se 
propôs com sua turba de ministros investigados por corrupção.
Está na cara que o maior interessado nessa virada fascisto-estelionatária tem nosso irmão do norte 
como maior beneficiado geopolítica e economicamente.
Está na cara que o a turba do golpe exerce o poder em benefício pessoal;
Está na cara que a PEC 55 vai nos devolver à condição de país frequentador do mapa da fome e vai 
expulsar milhões da recém adquirida condição de inclusão na sociedade e no mercado.
Está na cara que o projeto de reforma previdenciária visa a beneficiar fundos e seguradoras privadas 
com a transferência de rendas públicas e não tem nada a ver com a conversa de sistema deficitário.
Está na cara que o STF resolveu cuspir para cima num grande acordão para salvar o golpe e garantir 
a liquidação do estado brasileiro.
Está na cara que a Lava Jato foi e é um estratagema não só para derrubar o governo legitimamente 
eleito de Dilma Rousseff, mas também para varrer o PT da política.
Está na cara que o ano que vem vai ser uma ano mais violento que este é que não tem luz no 
profundo túnel em que o golpe nos projetou.
Mas, está na cara, dirão os golpistas: e daí? Só levamos o que sempre foi nosso e só emprestamos 
aos governos do PT em confiança, num gesto não correspondido!
E nós, está na cara, estamos condenados a dormir com um barulho desses se não reagirmos, e 
devolvemos à sociedade o que é dela: inclusão, dignidade e democracia.
Está na cara mas muitos não querem ver. E estamos esperando o quê?
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WLAD COSTA INDICA NOVO SUPERINTENDENTE REGIONAL DO INCRA EM SANTARÉM

Superintendência Regional do Incra em Santarém tem novo titular , incra em santarém

Rogério Zardo é indicação do deputado federal Wlad Costa, presidente do Solidariedade no Pará

Rogério Borges Zardo é o novo superintendente regional do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) no oeste do Pará. A portaria de nomeação dele foi publicada hoje, 9, no DOU, Diário Oficial da União.
Zardo é indicação do deputado federal paraense Wlad Costa, vice-presidente nacional do partido Solidariedade.
Também foi nomeado hoje Asdrúbal Bentes, ex-deputado federal do PMDB, para o comando da Superintendência Regional do Incra no Sudeste do Pará, com sede em Marabá.
Mineiro de Uberlandia, Rogério Zardo tem 53 anos e disputou vaga neste ano para Câmara de Vereadores de Mocajuba, cidade paraense conhecida como ‘Pérola do Tocantins’.
Não teve sucesso. Obteve 142 votos, insuficiente para conquistar uma vaga no parlamento mocajubense.
O vereador eleito menos votado no município conseguiu 440 votos, Salomão Sacramento, do PPS.
Zardo vai substituir no cargo de nº 1 do Incra em Santarém Elita Beltrão, que faz parte do quadro de pessoal da autarquia federal.
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PEGO COM A BOCA NA BOTIJA.... AMIGO DE MORO, DORIA, QUERIA LEVAR CHOCOLATE AO LULA NA CADEIA ...KKKKKKKK


Na primeira entrevista que concedeu após ser eleito prefeito de São Paulo, o tucano João Doria 
prometeu visitar o ex-presidente Lula na cadeia, em Curitiba; uma das acusações da Lava Jato 
a Lula é a de que o ex-presidente teria sido beneficiado com uma antena da Oi, no sítio em 
Atibaia (SP), que, segundo o cartório de registro de imóveis, não pertence ao ex-presidente; no 
curso das investigações, a Lava Jato questionou à Oi se a empresa atendia a pedidos de 
políticos; eis que a resposta surpreendeu: sim, a operadora instalou, a toque de caixa, uma 
central telefônica na casa de praia de Doria, em Trancoso (BA), depois de ser pressionada por 
ele; e agora: Lula visitará Doria em Curitiba

247 – Na primeira entrevista que concedeu após ser eleito prefeito de São Paulo, o tucano João Doria
prometeu visitar o ex-presidente Lula na cadeia, em Curitiba, e também garantiu que nenhum
político do PSDB seria preso na Lava Jato (relembre aqui).

Naquele momento, uma das acusações da Lava
Jato a Lula era a de que o ex-presidente teria
sido beneficiado com uma antena da Oi, no sítio
em Atibaia (SP), que, segundo o cartório de
registro de imóveis, não pertence ao ex-
presidente.
No entanto, no curso das investigações, a Lava
Jato questionou à Oi se a empresa atendia a
pedidos de políticos.
Eis que a resposta surpreendeu: sim, a operadora
instalou, a toque de caixa, uma central telefônica
na casa de praia de Doria, em Trancoso (BA),
depois de ser pressionada por ele.
Os detalhes da história foram revelados pelos repórteres Flávio Ferreira e Julio Wiziack, na Folha de
S. Paulo (leia aqui). Na sua resposta, Doria disse que o pedido beneficiou outras pessoas, além dele
próprio. E agora: Lula visitará Doria em Curitiba?

por : Mauro Donato 
Inúmeras vezes Lula repete em seus discursos que a elite sempre ficou incomodada ao vê-lo ascender. Que não suporta saber que um nordestino, sem formação e metalúrgico esteja tomando vinho em vez de cachaça barata.
Ter uma adega virou crime, um pecado capital, se o proprietário for Lula. Possuir dois pedalinhos num lago cujas dimensões pouco diferem de algumas piscinas 5 estrelas? “Que absurdo!”, exclama a madame a bordo de sua lancha de 3 milhões de dólares.
O episódio da antena de telefonia instalada nas proximidades do sítio que Lula diz não ser dele – mas muito frequentou – é mais um exemplo para se atentar que, tirando alguns excessos, os discursos do ex-presidente não são apenas demagogia. Não é simples retórica embalada em vitimismo.
Quando questionada a respeito da tal antena vizinha ao sítio de Atibaia, a empresa Oi afirmou que pedidos assim não são tão raros e que muitas vezes são atendidos.
Para ilustrar o que estava falando, relatou exemplos de antenas instaladas junto a localidades descobertas da prestação do serviço, por solicitação da tal elite. Um dos casos prontamente atendidos foi de João Doria.
Em 2012 o futuro prefeito dos paulistanos deu um aperto na Oi para que o condomínio de luxo em Trancoso (BA), no qual possui uma casa, recebesse serviço de telefonia. E tudo saiu a toque de caixa.
“Nosso condomínio acaba de ser inaugurado e dele fazem parte o Ivan Zurita (presidente da Nestlé), Nizan Guanaes, Amilcare Dalevo (dono da Rede TV!), o Ronaldão (Fenômeno), Roberto Carlos (cantor), Dody Sirena e eu, entre outros empresários e personalidades que estão completamente sem telefone no condomínio”, escreveu Doria em um email para James Meaney, diretor de operações da Oi na ocasião.
Em menos de 20 minutos o e-mail já estava na caixa de entrada de um técnico da diretoria de Implantação para a Bahia com a ordem explícita: “Entender e resolver imediatamente”. Em 15 dias o condomínio passou a ter telefone e internet (o prazo normal gira em torno de seis meses).
João Doria execerceu pressão sobre um diretor da Oi que havia sido seu entrevistado no programa Show Business. Utilizou-se de seu status de ‘personalidade’ e também se fez valer da saia justa na qual ficaria a empresa depois de desfilar propaganda disfarçada de entrevista como eram aqueles programas bajuladores do novo prefeito.
O email de Doria não deixa dúvidas. Eram ‘personalidades’, ele incluso. Daí, tudo pode, tudo precisa ser feito, atendido. Onde já se viu alguém como Dody Sirena ficar sem telefone? E alguém importante como Amilcare Dalevo, então?
Onde já se viu ficarem na fila? “Que absurdo”, exclamaria a madame em sua cobertura na Vieira Souto. Sim, eram personalidades. Mas Lula é Lula, não pode. Ele era apenas o presidente da República, queria falar no celular com quem? Para que esse luxo todo?
Doria apela a seu status para atacar mas em sua defesa alega que a instalação não beneficiou apenas a ele, mas também ‘funcionários e prestadores de serviço que antes não tinham acesso à telefonia’. Já a antena de Atibaia…
Não se está aqui a defender incondicionalmente as escorregadas de Lula. Mas quando ele é um dos benefeciários de qualquer coisa, o assunto é tratado como crime. Mesmo sendo uma situação idêntica e corriqueira entre os endinheirados. É sobre isso que se deve debruçar.
Há sim uma rejeição da elite em ver Lula não morar em um barraco. Há sim um desconforto da elite ao ver a filha da empregada doméstica frequentar a faculdade. É inegável.
Não é possível fechar os olhos para as motivações do golpe que guilhotinou Dilma/Lula/PT. Uma sociedade mais justa não estava nos planos, nunca esteve.
A Odebrecht afirmou que realizou pagamento em dinheiro vivo, cash, bufunfa, via caixa dois, para as campanhas de 2010 e 2014 do governador Geraldo Alckmin (PSDB).
Segundo a delação premiada acordada com a Operação Lava Jato, R$ 2 milhões em espécie foram entregues ao irmão da primeira-dama, dona Lu Alckmin. Mas Alckmin é o ‘santo’. Lula sempre foi o demônio.
Entre os poderosos, aqueles que estão, sempre estiveram e querem continuar acima da lei, brecar a Lava Jato era fundamental. E para a casta branca e rica, dona de empresas e casas bacanas, que foi para as ruas pintada de verde e amarelo, o zé povinho é uma praga que precisa ser mantida longe e paga com salários baixos.
Os avanços sociais nos dois mandatos Lula e mais um de Dilma são acanhados mas superam qualquer outro período. Isso fez com que a elite se sentisse ameaçada e expusesse seu ranço.
O caso do condomínio de Trancoso ilustra que os privilégios que os ricos condenam em Lula (ou em qualquer pessoa menos favorecida) são os mesmos que conferem para si. Isso não é elitismo?

BANANA REPUBLIC: VALENTES APENAS COM OS MAIS FRACOS


Luis Nassif


Peça 1 – a Previdência e o pacto democrático

Os grupos que se uniram para assaltar o poder romperam o pacto democrático e, agora, há uma disputa feroz pelo controle do aparelho do Estado. É nítido na maneira como se pretender desconstruir o modelo de Estado que surge da Constituição de 1988.
A Previdência Social, com o Regime Geral e com a Seguridade Social significaram um avanço civilizatório gigantesco e foram fruto do pacto, da luta democrática e social que floresce em 1988, no pós-ditadura, como lembra o ex-Ministro Miguel Rossetto.
Como proposta, a reforma da Previdência e o desmonte da Seguridade Social é a barbárie, a própria negação do direito previdenciário construído pela democracia brasileira.
Os problemas enfrentados agora pela Previdência não decorrem do descontrole das despesas, mas da brutal queda da arrecadação previdenciária, por conta da recessão, desemprego e renúncias previdenciárias legais, acentuadas no governo Dilma.
O que se pretende não é a correção de distorções, mas o desmonte do modelo previdenciário.
Ao igualar homens e mulheres, as novas regras desconsideram a condição feminina, a maternidade ou o fato de, nos lares mais humildes, a mulher sempre receber o encargo de administrar os problemas familiares, um conjunto de responsabilidades que impede o cumprimento integral do tempo de trabalho.
Além disso, na realidade do mercado de trabalho brasileiro, com a rotatividade periódica do emprego, é muito difícil mesmo para o homem cumprir integralmente o tempo de trabalho. Sua renda não permite juntar uma poupança para pagar a Previdência nos tempos de desemprego.
Finalmente, é criminoso tirar o salário mínimo do BPC (Benefícios de Prestação Continuada), muitas delas famílias extremamente pobres, com pessoas com deficiência. Tenta-se tirar o único benefício dos pobres entre pobres, famílias em situação de miséria.
As distorções não param por aí.
Retirar o tempo de trabalho e de contribuição é um enorme erro, por conta do perfil de trabalho do brasileiro: pobres começam a trabalhar formalmente aos 16 anos; os mais ricos, aos 25 anos. No campo, começa-se a trabalhar muito mais cedo e em muito piores condições de trabalho.
Países que têm como critério a aposentadoria por tempo de trabalho são aqueles de mercado de trabalho mais homogêneo.

Peça 2 – os problemas reais da Previdência

Há um problema geracional em todos os sistemas de previdência, na medida em que aumenta a expectativa de vida das pessoas e aumenta também a idade média da população. Cria-se a situação em que o tempo de aposentadoria passa a ser maior que o tempo de contribuição.
São problemas de longo prazo que exigem acordos no presente, para implementação gradativa, sem grandes traumas.
Por ser tema estrutural, as soluções têm que ser negociadas, pactuadas, aceitas pelos cidadãos. Pela fórmula atual, a pessoa só conseguirá se aposentar com a aposentadoria integral com 45 anos de contribuição.
No governo Dilma, adotou-se inicialmente a fórmula 85/95 – a soma do tempo de contribuição com idade respectivamente para mulheres e homens. Permitia uma aposentadoria superior ao fator previdenciário, mas que iria se ajustando ano a ano.
Não resolvia o longo prazo, mas valia como como início de discussão. O passo seguinte seria convocar as centrais sindicais, o Congresso e os empresários para discutir as saídas e acertar o grande acordo.

Peça 3 – a impossibilidade de um acordo

Pela abrangência, pelos impactos sobre as próximas décadas, propostas dessa natureza não podem provir de um governo ilegítimo, empurrando goela abaixo da população, baseando-se na máquina de moer consciências das Organizações Globo.
Trata-se da consolidação de um modelo infame que, em outros tempos, envergonharia até mentes mais insensíveis, como o Ministro Luís Roberto Barroso – que se jacta de falar em nome do futuro, contra o atraso.
A insensibilidade de Barroso, a maneira como atropela princípios básicos de um regime democrático – como endossar as medidas autoritárias em cima do orçamento -, o pensamento autocrático  são típicos de uma burguesia da República Velha, pré direitos sociais básicos.
E, se insisto em mencioná-lo, é por ser o representante máximo do que mais anacrônico a elite brasileira produziu, o intelectual falsamente sofisticado, que trata as ideias com a mesma superficialidade com que busca bens de consumo da moda, sem jamais se introjetar princípios básicos constituintes de uma sociedade civilizada.
A agenda proposta inviabiliza o direito previdenciário.
É indecente num sistema tributário em que a maior parte dos tributos é arrecadado de contribuintes de baixa renda, cortar os benefícios dos mais pobres mantendo as brechas que permitem aos de maior renda beneficiar-se do planejamento fiscal e dos juros praticados pelo Banco Central.
Tenho sido, em geral, contrário às medidas radicais, à intolerância política, ao radicalismo estéril. Mas endosso a posição de Rosseto: qualquer tentativa de negociar esse pacote será um endosso à liquidação do direito previdenciário.

Peça 4 – o país da bazófia

A exacerbação em torno do golpe, a falsa frente majoritária que derrubou o governo criou em muitos de seus protagonistas a falsa sensação de segurança, típica das torcidas organizadas, que transforma os pusilânimes em valentes, os fracos em truculentos, os tímidos em arrogantes.
Passado o instante de catarse, muitos são apanhados em flagrante, com seus medos e fragilidades, como as cortinas do teatro que se abrem e flagram o ator urinando no vaso de flores na frente de uma plateia lotada.
Valente 1 – a Ministra Carmen Lúcia declara guerra aos políticos, dá palavras de ordem, pratica quatro frases de efeito e arregimenta a categoria e o populacho. Aí, no meio do caminho tinha um presidente do Senado, e ela recua tão ostensivamente que faz questão de registrar seu voto de presidente favorável a Renan. Nem seguiu a máxima do recuo: não seja tão lento que pareça provocação, nem tão rápido que sugira medo.
Valente 2 – O valente Eliseu Padilha anuncia a reforma da Previdência e retira dela os militares e a Polícia Militar – que supunha os únicos poderes armados. Aí a policia civil e os bombeiros fazem o maior pampeiro, inclusive enfrentando a PM do Rio de Janeiro. Depois, 190 representantes de sindicatos de policiais, bombeiros e agentes penitenciários invadem o Ministério da Justiça. O Ministro Alexandre de Moraes, depois de sua notável performance carpindo pés de maconha no Paraguai,  nem ousa aparecer.
No final do dia, vem o recado ligeiro: policiais e bombeiros estão fora da reforma.
Valente 3 – com a queda de Geddel Vieira Lima, depois de dias e dias ganhando coragem, Michel Temer nomeia o tucano Antônio Imbassahy como Secretário de Governo. O centrão bate o pé e Imbassahy sai de cena, antes mesmo de entrar.
Valente 4 – O douto representante de Eduardo Cunha e Eliseu Padilha na EBC, Laerte Rímoli, manda embora a apresentadora Leda Nagle. Os protestos invadem a rede e merecem home de O Globo Online. Imediatamente, recua, antes mesmo de pensar em uma saída estratégica.
Valentes 5 – Tal e qual um Aníbal, o Cartaginês, Geddel e Padilha irromperam nas hostes adversárias indo direto ao butim, mandando demitir servidores, criando um crivo ideológico nas verbas da Secom. Com os primeiros petardos, Geddel é flagrado aos prantos, pelos corredores do Planalto, e Padilha internado com pressão alta. Nesse ínterim, a postura altiva de Dilma Rousseff é reconhecida pelo Financial Time, que a premia como uma das mulheres de 2016 por seu comportamento na tragédia do impeachment.
Duas conclusões reiteradas:
1.     O governo Temer morreu.
2.     Não há saída fora do grande pacto em torno das eleições diretas.

EUA ajudaram a Lava Jato a monitorar Lula e Dilma

Secretaria do MPF responsável pelos acordos de cooperação internacional admite ao GGN que 
não participa das "negociações" entre a força-tarefa de Curitiba e oficiais estadunidenses. 
Defensor de Lula, Cristiano Zanin suspeita que irregularidades vão além de acordos de 
cooperação internacional secretos.

Cíntia Alves



Jornal GGN - A defesa de Lula suspeita que além de a Lava Jato exportar irregularmente seus principais delatores para ajudar em procedimentos secretos nos Estados Unidos, a força-tarefa também aceita auxílio de autoridades estrangeiras, em território nacional, ou fazem uso de tecnologia por elas ofertadas, com o intuito de enquadrar o ex-presidente da República, entre outros objetivos.
Em entrevista ao GGN, realizada por e-mail, nesta quinta (8), o advogado Cristiano Zanin Martins questionou os métodos usados pela força-tarefa para monitorar o ex-presidente. Ele citou, inclusive, o episódio em que o juiz Sergio Moro vazou para a imprensa o áudio de uma conversa entre Lula e Dilma Rousseff, material que fomentou a tempestade perfeita para o impeachment.
"O que estamos vendo é que agentes públicos que integram a força-tarefa da Lava Jato estão atuando em conjunto com agentes estrangeiros, inclusive em território brasileiro, sem que haja qualquer formalização dessa cooperação. Isso parece estar ocorrendo não só em relação a delações premiadas internacionais, mas também em relação a atos de investigação e inteligência policial", disse Zanin.
"Há agentes estrangeiros participando de monitoramento telefônicos, de análises cibernéticas? Que tecnologia foi utilizada para separar e divulgar, em apenas duas horas, uma conversa captada sem autorização judicial entre a então Presidente Dilma e o ex-Presidente Lula? São essas e outras situações que precisam ser esclarecidas, até porque há condutas penalmente relevantes que podem, em tese, estar sendo cometidas por determinados agentes públicos brasileiros", acrescentou.
Zanin é um dos integrantes da banca de advogados que defende Lula no caso triplex, que está nas mãos do juiz federal de Curitiba, Sergio Moro - classificado pelo procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal na capital paranaense, como o "símbolo da Lava Jato".
Moro, nas audiências do caso triplex, atendeu a pedidos do MPF e impediu que a defesa de Lula fizesse perguntas a delatores da Lava Jato sobre eventuais acordos de colaboração premiada com os EUA. Em uma das últimas oitivas, o magistrado chegou a dizer que não iria por em risco um eventual acordo com o Estados Unidos por "mero capricho" da defesa de Lula.
Os advogados tentam, sem muito sucesso, abordar o elo suspeito entre a força-tarefa e autoridades estadunidenses numa tentativa de demonstrar que as irregularidades cometidas colocam em xeque o valor das delações obtidas contra Lula. Até agora, pelo menos quatro testemunhas usadas contra o petista sinalizaram que foram abordados por agentes da terra de Donald Trump. Um deles, inclusive, deixou escapar que procuradores da Lava Jato intermediaram a conversa em solo tupiniquim.
A atuação de Moro para favorecer a Lava Jato e impedir que as suspeitas sobre os acordos com os Estados Unidos sejam esclarecidas representa um obstáculo a mais à defesa de Lula, avalia Zanin.
"A testemunha não pode se recusar a esclarecer um fato perante a Justiça brasileira sob o argumento de que tem uma 'cláusula de confidencialidade' com órgãos internacionais. O documento sequer foi mostrado. Mas mesmo que isso tivesse ocorrido, jamais poderia servir para impedir a realização de atos de instrução que estão sendo realizados pela Justiça do nosso País."
O silêncio das testemunhas, autorizado por Moro, ofendem a legislação nacional e a soberania política do Estado brasileiro, prevista na Constituição.
ACORDO DE COOPERAÇÃO SUSPEITO
Dentre as questões feitas pela defesa de Lula que são censuradas pelo juiz Sergio Moro está a possibilidade de a Lava Jato ter intermediado acordos de colaboração entre seus delatores e agentes do Departamento de Justiça estadunidense tangenciando o Estado brasileiro, ou seja, sem participação das autoridades centrais desse país.
O decreto nº 3.810/2001, que versa sobre como devem se dar as ações conjuntas entre Brasil e Estados Unidos, prevê um procedimento específico para solicitações de cooperação entre Brasil e Estados Unidos em matéria de investigação, inquérito, ação penal e, "ao que parece, esse procedimento não foi observado. Ao contrário, pelo que se vê tudo está ocorrendo de modo informal e voluntarista, sem possibilidade de controle", disparou Zanin.
O artigo II do decreto diz que cada país designará uma "Autoridade Central" para enviar e receber solicitações de cooperação. No Brasil, a autoridade central será o Ministério da Justiça, que na prática transferiu essa responsabilidade para a Procuradoria-Geral da República através da Secretaria de Cooperação Internacional (SCI).
Mas a SCI, hoje capitaneada pelo procurador da República Vladimir Aras, admitiu ao GGN que os procuradores de Curitiba abriram um canal direto com as autoridades estadunienses, ou seja, que qualquer cooperação que esteja em curso está ocorrendo não apenas sem a participação do Ministério da Justiça, mas à revelia da Procuradoria-Geral da República, comandada por Rodrigo Janot. Consultado pela reportagem, Aras disse que as questões sobre Lava Jato e Estados Unidos devem ser cobradas exclusivamente da força-tarefa de Curitiba "porque a SCI não participa dessa negociação".
Procurada, a força-tarefa de Curitiba não quis comentar o caso.  
Sem transparência do que ocorre entre a Lava Jato e autoridades dos EUA, o processo de Lula, na visão de Zanin, fica prejudicado. Como também fica prejudicada a soberania nacional, uma vez que não há controle do Poder Executivo sobre o que a Lava Jato está oferecendo aos EUA.
No artigo publicado no UOL, Anderson Bezerra Lopes apontou que os delatores da Lava Jato podem entregar aos EUA informações preciosas sobre as operações da Petrobras, colaborando para a deterioração da economia nacional.
"Em nenhuma hipótese é admissível que agente de Estado estrangeiro ingresse no território brasileiro para atividades de investigação criminal sem expressa celebração de acordo de cooperação. (...) Não é admissível o fornecimento de informações e documentos de caráter estratégico que estejam relacionados com a defesa nacional. Neste ponto, é preciso recordar que algumas dessas testemunhas ocuparam os mais altos postos de direção da Petrobras e, nessa condição, tiveram acesso a informações e documentos sigilosos acerca dos recursos naturais (por exemplo, gás e petróleo) e da política energética brasileira."
Para Lopes, a Lava Jato está sujeita a ser investigada por crime de traição à pátria, se as suspeitas se confirmarem.
Na visão de Zanin, a Constituição em seu artigo 127 obriga o Ministério Público a defender a ordem jurídica, o regime democrático e os interesses sociais e individuais indisponíveis. "E é a mesma Constituição que estabelece como um dos fundamentos da República a sobenania, de modo que o País deve assegurar a independência nacional nas suas relações internacionais. A Constituição também estabelece que o mercado interno integra o patrimônio nacional, dentre outros fundamentos de proteção à economia."
O espaço está aberto para o posicionamento dos procuradores.

PUTZ.... O "SANTO" PATRÃO DE SÃO PAULO, RECEBEU EM "DINHEIRO VIVO" !!!


Alckmin, como o Cerra, prefere dinheiro vivo! Esses tucanos... 

Saiu na Falha gravíssima (que não virá ao caso, naturalmente) denúncia que envolve o "santo":
Odebrecht delata caixa 2 em dinheiro vivo para Alckmin 

POR FERNANDO BRITO

Apontado como dono do codinome “Santo” nas planilhas de Odebrecht, a Folha diz que depoimentos de executivos da empreiteira, nos acordos de delação premiada, informam que pelo menos R$ 2 milhões em dinheiro vivo foram entregues ao cunhado do Governador Geraldo Alckmin, Adhemar Ribeiro, em seu escritório.
Seria apenas uma das várias doações clandestinas feitas ao tucano paulista, enquanto as outras teriam sido recebidas através de seu atual secretário de Planejamento, Marcos Monteiro.
O mais “curioso” no caso é que o valor das doações oficiais à campanha de Alckmin pela empreiteira e suas controladas não passa de 10% do que teria sido entregue “cash”, na mão.
Eu já ouvi falar muito em 10% ilegais, mas 90% é a primeira vez.
Doações “por fora” para campanha é prática brasileira desde o tempo do “D. João Charuto”, tanto quanto pagamento de fornecedores por este meio. Quem se fizer de vestal sobre isso é hipócrita.
Mas “paco” de dinheiro – tanto quanto depósito na Suíça, como conteriam os depoimentos sobre o financiamento da Odebrecht a José Serra – é sinal de apropriação privada. Não é o demonizado “caixa 2”, que  só os cínicos não sabem que aconteceu desde priscas eras.
É corrupção, mesmo, sem outro nome possível.
Agora, ajude o leitor a este ingênuo blogueiro: se fosse o cunhado de Lula que tivesse recebido a “bolada” em dinheirinho bem lavado, quantos minutos isso teria no Jornal Nacional. Vai ter capa da Veja esta noite?
Vai, né?
PS. O “jeitinho” da Folha de colocar Lula entre os denunciados é comovente. Dizem que o estádio do Itaquerão foi “um presente” para Lula. Se foi “presente”, não teria sido pago, não é? O estádio é de Lula. Ele pode mandar fechar e juntar a parentalha para fazer um “churraquinho na laje”, quer dizer, um “churrasquinho no gramado”? Francamente….

MIL VOVÔS ADAMS NÃO DÃO UMA DILMA



por Luís Carlos Bolzan, especial para o Viomundo
Em menos de 48 horas o Judiciário brasileiro desce ao seu mais profundo degrau na história do país.
Em foto de rara de felicidade, imagem eterniza momento de cumplicidade entre juiz Sérgio Moro e senador Aécio Neves (PSDB/MG).
Aos sorrisos e muito à vontade, cena simboliza a mais constrangedora demonstração de promiscuidade entre juiz e político delatado inúmeras vezes, sendo o juiz responsável por processo que apura delações contra vários políticos, entre eles o próprio senador Aécio Neves. A pretensão de isenção sucumbe diante da imagem explícita de afinidade entre ambos.
Não bastasse isso, nessa quarta-feira (07/12), outro fato inusitado e escandaloso atinge a República.
Após liminar do ministro do Marco Aurélio Mello pelo afastamento de Renan Calheiros (PMDB/AL) da presidência do Senado, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Carmen Lúcia, pauta para apenas 48 horas depois o julgamento pelo plenário da decisão monocrática do seu colega.
Em decisão divergente de julgamento anterior de mesma matéria, ainda não findado pelo pedido de vistas de Dias Tóffoli, três ministros mudam seus votos e decidem com outros três (6 x 3) que Renan pode ser mantido na presidência do Senado, mas fica fora da linha sucessória da presidência da República.
A decisão deixa dúvidas em vários aspectos:
Por que réu pode assumir presidência de um Poder da República e não de outro?
Senado é menos importante?
É ninho de corruptos e por isso não sofrer com presidência sem prestígio?
Senado é galinheiro ou pocilga desprezível?
Como ficará outra votação sob pedido de vistas que ainda não se encerrou?
Ministros que mudaram seus votos já divulgados mudarão seus votos? Ou manterão “um voto lá e outro cá”, completamente divergentes?
A sequência fica ainda mais sinistra e deprimente pela divulgação por meio da imprensa de medida adotada pelo Senado durante sessão do STF, retirando urgência de projeto de lei do senador Renan Calheiros, que trata de punições a agentes públicos, inclusive, juízes, promotores e policiais, quando cometem crimes por abuso de autoridade.
Acordo entre STF e Senado para livrar Renan ou infeliz coincidência dos tempos políticos e judiciais?
Sim, Papai Noel está chegando e parece que nos altos escalões do poderes da República ele veio mais cedo.
Seria este realmente o motivo?
Há quem diga maldosamente que as capas pretas não seriam togas, mas mantos de verdugos prontos a assassinar a democracia em troca de aposentadoria integral sem ter que trabalhar 50 anos, bastando para isso a certeza de cometer abusos crimes para gozar da regalia que demais trabalhadores assalariados do país não têm.
A sincronia do tempo jurídico e da necessidade política se faz presente também nas súplicas governamentais divulgadas à exaustão pela mídia amiga, desde um dia antes, dada a pauta do Senado marcada para dia 13 de dezembro, sobre PEC 55, também conhecida como PEC da morte.
Calafrios percorreram Palácio do Planalto e redações da grande mídia ao se darem conta de que, com afastamento de Renan, quem assumiria seria um senador do PT, Jorge Viana (AC).
Ou seja, poderia colocar em risco a certeza da vitória de seu saco de bondades para rentistas detentores de títulos da dívida pública.
Com a decisão do STF tudo seguirá como planejado pelo golpismo.
O governo poderá entregar ao “mercado” de especuladores seu primeiro trunfo: a morte do SUS, da educação e de outras políticas públicas para deleite de donos do capital vadio viciado em dinheiro público.
Vício que hoje já consome cerca de R$500 bilhões por ano do orçamento público, aproximadamente 5 vezes mais que orçamento do SUS federal.
Mas o corte tem que ser em políticas públicas essenciais para população e preservação da despesa inútil de juros?
STF demonstrou concordar com caminho dada a precisa sincronia de sua decisão e necessidade do governo.
E pensar que muitos criticaram Lula quando este se referiu ao Supremo como acovardado? Talvez não fosse covardia, mas simples vilania?
Carmen Lúcia exigiu respeito aos juízes depois que Renan se referiu a um juiz de primeira instância como “juizeco”. Parece que a ministra não se deu conta que respeito se conquista, e o STF definitivamente jogou o pouco respeito que ainda tinha junto ao povo brasileiro pela janela.
Também foi a Ministra Carmen Lúcia que protagonizou frase festejada por setores da sociedade Brasileia em 2015. Disse ela:
Na história recente de nossa pátria, houve um momento em que a maioria de nós brasileiros, acreditou no mote segundo o qual uma esperança tinha vencido o medo. Depois, nos deparamos com ação penal 470 e descobrimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança. Agora parece que se constatar que o escárnio venceu o cinismo.
Uma frase não poderia ser mais precisa para o momento atual. Sim, ministra, o escárnio venceu o cinismo nestas últimas horas, “como nunca antes na história desse país”.
Apesar das frases de efeito, a ministra Carmen Lúcia mostrou seu real e diminuto tamanho, assim como do STF que preside. Não basta fraseologia. A república precisa de atitude. Não se curvar diante do poder da corrupção nem de interesses espúrios.
Dilma Rousseff não se curvou. Enfrentou e não cedeu. Foi golpeada.
Carmen Lúcia com sua fraseologia vergou e sucumbiu e ficou. Pagar o preço da permanência é o sinal da morte moral.
Mil Carmens Lúcia não dão uma Dilma Rousseff.
dilma_ft_0A presidenta Dilma Rousseff foi eleita uma das 10 mulheres de 2016 pelo pelo jornal Financial Times, por sua capacidade de resiliência em meio ao processo de impeachment.
Numa longa entrevista conduzida pelo jornalista Joe Leahy, chefe da sucurasal brasileira do FT, Dilma fala sobre o golpe que a tirou da Presidência, sobre crise econômica, seu passado militante e seus passeios matinais de bicicleta.
Dilma afirma: “Por que não poderia ceder à tentação de amarrar-me a uma das colunas do Palácio? Porque nesta fase, a melhor arma é a crítica, a conversa, o diálogo, o debate.”
Dilma aparece ao lado de figuras como Hillary Clinton, primeira mulher candidata à presidência dos EUA, e a cantora e ativista Beyonce.
Simone Biles, ginasta norte-americana
Jean Liu, presidente da Didi Chuxing, maior empresa de transportes da Cinha
Dilma Rousseff, ex-presidente do Brasil
Mary Berry, apresentadora da BBC
Maria Grazia Chiuri, primeira mulher a dirigir a Dior
Njideka Akunyili Crosby, artista plastica nigeriana
Margrethe Vestager, líder do partido Social-liberal da Dinamarca
Phoebe Waller-Bridge & Vicky Jones, autoras da série Fleabag
Hillary Clinton – primeira mulher candidata à Presidência dos EUA
Beyonce – cantora, ativista e ícone

CASO RENAN ESCANCARA PROTAGONISMO POPULISTA DO JUDICIÁRIO; STF É O PRIMEIRO A VIOLAR A CONSTITUIÇÃO


O caso Renan Calheiros escancara o protagonismo do Judiciário, que não encontra freios na 
esfera da legalidade.

A República inaugurada em 1988 está de joelhos

por Roberto Amaral na CartaCapital

A crise institucional está instalada, e o País à beira do caos. Crise alimentada por um STF irresponsável, um Congresso sem representatividade e impopular, e a presidência da República chefiada por um presidente ilegítimo, frágil e tíbio.
Todas as condições estão dadas para o impasse em que afinal nos metemos.
A economia se deteriora a olhos vistos. A recessão transmuda-se em depressão e não há perspectiva de restauração no curto prazo.
A promessa de recuperação econômica realizou-se como fraude: informa o IBGE que o PIB encolheu 2,9% no terceiro trimestre, dando continuidade a uma sequência de dez meses de queda.
Pela sétima vez são reduzidas as projeções do PIB. Devemos chegar ao final do ano com uma retração de 3,43%. Nenhum setor da economia está respondendo aos paliativos governamentais. Os investimentos privados, cuja atração era o passaporte para todas as maldades, caíram 29%. O BNDES reduziu seu desembolso em 35%.
Com exceção do agronegócio, o quadro geral é de redução da atividade econômica em todas as áreas e setores, com destaque para a o setor industrial, o que mais sofre na depressão.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, o desemprego em dezembro é de 12% e tende a continuar em alta.
A burguesia industrial dá sinais de inquietação, pois já vê no final do túnel um Brasil próximo da tragédia grega, afundado na depressão, a outra face de nossa inépcia e da opção neoliberal pela inserção subordinada na globalização.
A federação se esfacela com a falência generalizada de Estados e municípios. Minas Gerais e Rio Grande do Sul já declararam ‘calamidade financeira’; no Rio de Janeiro a crise, aguda, é financeira, administrativa e moral e caminha para a convulsão social, fomentado pela falência da administração pública, mas alimentada igualmente por uma repressão policial que lembra os piores momentos da ditadura militar.
Para 2017, a indústria paulista prevê uma nova leva de 150 mil desempregados. O desemprego cresce em nível assustador em todo o país e a resposta do governo é aumentar o arrocho: reforma da Previdência, penalizando o trabalhador, ‘flexibilização’ da CLT, terceirização, redução dos investimentos por 20 anos. É o fracasso rotundo do reajuste.
O plano político, reflexo, é igualmente desolador: a crise dos Poderes e das instituições se faz acompanhar pela crise dos partidos e da representação.
Em seis meses uma presidente da República, eleita, é substituída, pelo Congresso, por um presidente sem voto, seis ministros de Estado são demitidos por corrupção (e na raia mais dois esperam sua vez, um deles já com seus bens bloqueados pela Justiça), o presidente da Câmara é afastado pelo STF que também afastou de suas funções, em decisão pelo menos polêmica, o presidente do Senado Federal, para logo restituí-lo de modo também pouco ortodoxo, separando o cargo de presidente do Senado da pessoa do sr. Calheiros, para fim de avaliação dos critérios de moralidade e probidade administrativa.
Quando o círculo se fechará?
A preeminência do Judiciário, em sua fase de protagonismo populista, não encontra freios na esfera da legalidade, pois não há mais poderes que lhe possam fazer face.
Corre solto como potro selvagem no campo limpo, sem rédeas, sem limites, num trote de ziguezagues. O STF, outrora guardião da Constituição, é o primeiro a ofendê-la.
Outrora guardião da ordem, é o primeiro a instaurar a insegurança jurídica, com seguidas decisões temerárias, de discutível fundamento constitucional, e seus membros se dão ao luxo de, entre uma vilegiatura e outra, uma viagem e outra, um passeio e outro, um convescote e outro, uma palestra aqui outra acolá, um chopp no shopping da moda, palestras nas entidades patronais, tudo fora de Brasília, se digladiarem, em plenário e na troca de farpas em entrevistas à imprensa que os incensa e os inebria.
A política, o espaço legítimo e próprio para a construção dos consensos, foi judicializada, depois de desmoralizada como instrumento de realização do bem comum.
A direita grita morte à política, anatematizada como responsável pela crise, estrutural, cevada por séculos de exploração de um capitalismo predador, pelo reinado de uma classe dominante alheia aos interesses de seu país e de sua gente.
Esse quadro de acefalia, disfunção administrativa e conflito entre os poderes, assentado sobre uma crise econômica das mais graves, é inédito em toda a história recente e indica o esgotamento da República inaugurada pela espezinhada (até pelo STF!) Constituição de 1988.
O regime está de joelhos. Não se trata mais de intentar a salvação do doente terminal, mas de estabelecer sua sucessão mediante uma repactuação, difícil, dificílima mas ingente e urgente em país dividido politicamente, no qual as forças em antagonismo são levadas ao paroxismo.
As lideranças políticas nacionais sobreviventes, de todos os matizes, precisam agir enquanto há o que fazer. São chamadas a negociar e construir, para além das divergências de hoje – se pretendem salvar-se salvando a via política – um programa de transição, desta para uma nova república, sem ruptura democrática. É o que o país pede, a crise exige, porque os riscos institucionais são a realidade cotidiana de nossos dias.
Toda e qualquer alternativa, de curto a médio prazos, porém, passa pela eleição direta antecipada do presidente da República. Só ela emprestará legitimidade, e só um líder ungido pela vontade da soberania popular poderá reconciliar o país e conduzi-lo na longa travessia que se avizinha, sem indicar ainda porto seguro.
Se a eleição direta é conditio sine qua non para a saída institucional, a questão que a realidade põe de manifesto é como chegar a ela preservando a ordem constitucional desafiada pelo Judiciário judicante, pelo Executivo inepto, pelo Legislativo desapartado da sociedade.
Como realizar eleições realmente livres e limpas sem um reforma eleitoral profunda, sem a democratização dos meios de comunicação de massas, e como realizar tudo isso com esse Congresso, esse que temos?
Para tanto é fundamental abrir o diálogo entre contrários, retirar da pauta propostas econômicas e sociais não legitimadas pelo voto popular, para que possa ser construído um ambiente próprio ao entendimento.
Uma vez mais, para o nosso campo a alternativa está nas ruas. Na mobilização popular.
Foi a mobilização popular que impôs à ditadura a Anistia, foi a mobilização popular que implodiu o Colégio Eleitoral que a ditadura criara para eleger seu delfim em 1984.
Foi o povo nas ruas que assegurou a convocação da Constituinte. Mas, antes, é preciso ganhar as ruas, pois hoje a direita também nelas se manifesta, clamando por retrocessos inimagináveis há pouco tempo.
A tarefa fundamental que hoje se coloca para as forças progressistas é assegurar, até como instrumento para solução da crise, a continuidade da ordem democrática.
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O que está por trás da cena de Moro e Fagner num bar ao som de “Vamos Prender Vagabundo”


Fagner com Moro, a mulher Rosângela e um amigo

por : Joaquim de Carvalho


O Código de Ética da Magistratura registra que o juiz “deve comportar-se na vida privada de modo a dignificar a função, cônscio de que o exercício da atividade jurisdicional impõe restrições e exigências pessoais distintas das acometidas aos cidadãos em geral”.
Esta semana, teve grande repercussão na internet um vídeo em que o juiz Sérgio Moro aparece num bar em Curitiba bebendo na companhia do cantor Raimundo Fagner e aplaudindo uma música que conclama à prisão de “vagabundos”, que têm “foro privilegiado” e “só querem para eles”.
Infração ética?
O bar em questão é o Paraguassu Grelhados, do empresário João Luiz Zucolloto, que se define como “amigo há pelo menos dezesseis anos” do juiz Sérgio Moro, amizade que nasceu do relacionamento entre um irmão de Sérgio Moro e o irmão de João Zucolloto, que se formou em Maringá, assim como Moro, e é advogado em Curitiba.
Na Paraguassu Grelhado, segundo João, Sérgio Moro pode ser visto com frequência, na companhia da mulher e dos filhos. Ele gosta muito de aperitivo, principalmente a elogiada (pela crítica gastronômica local) porção de iscas de fraldinha ao molho de mostarda.
“Sérgio Moro vem normalmente sábado ou domingo, acho que aqui é o refúgio dele para tirar o stress, as pessoas respeitam”, afirma João. Foi no Paraguassu que se estreitou a amizade de Sérgio Moro com o cantor Fagner.
Pelo que João e a mulher, Néia, se recordam, Fagner e Moro tinham se falado por telefone, quando o cantor viu pela TV uma reportagem de uma caravana de motociclistas que foram à porta do Fórum da Justiça Federal em Curitiba manifestar apoio à então embrionária Operação Lava-Jato.
“Fui eu que organizei aquela manifestação. Reunimos umas trezentas motos, e a Band News cobriu. Não sei se era 2013 ou início de 2014, mas sei que o Fagner viu pela TV e gostou”, conta João.
Fagner estava na companhia de Fábio Aguayo, que é presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), que tem sede em Curitiba, e perguntou se ele tinha o contato de Sérgio Moro, pois queria lhe dar um abraço.
“O Fábio, sabendo da minha amizade com o Sérgio Moro, pediu para passar o recado a ele. Foi o que fiz e eles se falaram por telefone. Depois, Fagner veio a Curitiba e quis encontrar o Sérgio Moro, e então é que os dois vieram ao Paraguassu, num domingo à tarde”, conta João.
O dono do bar aproveitou o encontro e convidou o músico Luis Eduardo César, que é também superintendente de vendas de um laboratório farmacêutico.
Luis levou o violão, com a ideia de que Fagner poderia dar uma canja e que ele também pudesse mostrar composição de sua autoria, batizada de Força Tarefa, que costumava cantar com os amigos de uma banda em outro bar, no bairro de Santa Felicidade, também em Curitiba.
Fagner cantou “guerreiros são pessoas / são fortes / são frágeis / guerreiros são meninos”. Depois, Luis cantou sua música:
“Eles só querem pra eles
Tudo é só deles
Foro privilegiado
Tudo de bom e de melhor,
de gosto, de prazeroso,
mulherada só carrão, vinho bom e avião
E o que sobra para nós?
É a miséria baby
Mas que sobra para nós?
É muito imposto baby
Mas eu moro em Curitiba e o Sérgio Moro também
O bicho vai pegar
Vamos enjaular todo mundo
Venha você também fazer parte dessa arte
Vamos prender vagabundo”
A cena, postada no youtube, termina com o juiz Sérgio Moro aplaudindo.
Localizei Luis pelo celular. “Trabalho em laboratório, e tenho paixão pela música. Sou músico desde os 9 anos de idade”, diz ele, hoje com 53. Luis conta que teve a ideia de fazer a música depois de ver pela TV tanta reportagem sobre corrupção. Formado em economia, filho de economista, ele morou nos Estados Unidos quando tinha catorze anos. “Lá é diferente”. Durante a conversa, ele me perguntou: “Você é petista?” Não, não sou. “É que tenho amigos petistas e eles não gostam da minha música. Eles acham que, quando falo vagabundo, estou falando do Lula. Mas estou falando de tudo isso que está acontecendo. Sou contra o foro privilegiado”. Luis diz que esta semana esteve em um evento da indústria farmacêutica em São Paulo e um conhecido, que é petista, soube da música e não gostou. “Ele disse: só vou concordar com você quando o Sérgio Moro prender alguém do PSDB.”E ele prendeu ou condenou alguém ligado ao PSDB? “Sabe que eu nunca pensei nisso”, responde. Luis não quis dizer em quem votou, mas afirma que já compôs jingles para candidatos do PT. Ele deixa escapar “Lula enganou todo mundo”, “não votei nele, mas lá atrás tive admiração, por ver alguém que saiu de baixo e chegou a presidente”. Ao contrário de Luis, o cantor Fagner nunca escondeu o voto. Ele fez campanha ostensiva para Aécio Neves e, no ano da última eleição presidencial, gravou uma mensagem pelo aniversário do amigo. Depois de mandar “um beijo para todo mundo aí na fazenda”, ele agradeceu a Aécio pela “amizade tão longa”. Com Sérgio Moro, a amizade é mais recente, mas já tem alguns frutos. No restaurante, Fagner, além do abraço, tinha uma missão, revelada ao dono do Paraguassu Grelhados: agendar um encontro do juiz com artistas da Globo, que queriam manifestar apoio à Lava Jato. O encontro ocorreu no dia seguinte. Na comitiva, além de Fagner, estavam, entre outros, Suzana Vieira, Luana Piovani e Vítor Fasano. O apoio dos artistas foi selado no mesmo restaurante, que excepcionalmente abriu numa segunda-feira para receber os convivas. Também estava presente o procurador Deltan Dallagnol, chefe da Operação Lava Jato. A Lava Jato aproximou Sérgio Moro desse grupo de artistas e também do presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas, Fábio Aguayo. Quando a mulher de Moro, a advogado Rosângela, foi acusada de advogar para o PSDB e teve publicada uma foto sua com o ex-senador tucano Flávio Arns (que também foi do PT), Fábio que saiu em sua defesa, e o blog do jornalista Esmael Morais, um dos mais importantes acessados do Paraná, registrou: Segundo o empresário curitibano Fábio Aguayo, amigo do casal, Rosangela é procuradora jurídica da Federação Nacional das APAEs. Segundo ele, a participação de Arns no movimento apaeano confunde o pessoal que a identifica com os tucanos. “Ela não é do PSDB”, garante Aguayo que no mês passado apresentou os Moro para o cantor Raimundo Fagner, que compôs uma música em homenagem ao juiz. Aguayo consolidou sua liderança no setor de casas noturnas quando encabeçou, alguns anos atrás, uma campanha que evitou a aprovação da lei que obrigava ao fechamento bares às 23 horas. Depois, tentou evitar a proibição de cigarro nos estabelecimentos. Mais recentemente, envolveu-se numa polêmica em Curitiba. Em nome da Abrabar, liderou uma campanha pela retirada de moradores de rua da “por bem ou por força de ato de ordem pública ou social”. Depois de deflagrada a campanha, uma moradora de rua foi assassinada, e a primeira-dama da cidade, Márcia Fruet, presidente da Fundação de Assistência Social de Curitiba, escreveu em sua página no Facebook:  “Esse é o resultado das exigidas medidas higienistas, propaladas como civilizatórias. Quando os representantes de classe verbalizam o ódio, a intolerância, legitimam a violência, despertam o que de pior há no ser humano.” Como representante do setor, Fábio esteve também à frente da campanha pelo impeachment e publicou na página da Abrabar a relação de “bares cafés, restaurantes, tabacarias, casas noturnas e similares” que transmitiriam ao vivo a votação na Câmara dos Deputados. Na lista de bares e restaurantes, escreveu quais os estabelecimentos eram a favor do impeachment e quais eram “imparciais”. Também registrou que alguns bares e restaurantes não transmitiram porque os proprietários eram contra o impeachment.  Em outubro passado, seu amigo Fagner voltou a Curitiba e deu um show no teatro Guaíra. Fábio Agayo estava em um camarote e registrou a cena em que Fagner anuncia a presença de Sérgio Moro e o agradece pelo “muito que você tem feito pelo Brasil. Fábio Aguayo aponta o celular para um homem sentado em outro camarote, de boné vermelho, enquanto a palmas se intensificam. Era Moro. A câmera capta também o momento em que Fagner levanta os braços e faz uma reverência, se curvando na direção de Moro, que retira o boné, se levanta e acena para a plateia. Mais aplausos e gritos de apoio. “Moro!”
Néia, do Paraguassu Grelhado, conta que, no dia seguinte, Fagner foi ao restaurante, desta vez sem Moro, e deixou um presente para ser entregue ao juiz Sérgio Moro. Era um boné azul claro.
“Fala para ele trocar de boné, porque aquele está muito manjado”, foi o que disse Fagner, segundo a empresária. “E está manjado mesmo. Até a mãe do Sérgio Moro fala: é melhor você ficar sem boné porque, com esse boné, você é mais reconhecido do que sem boné”, disse Néia, que esteve domingo passado com Moro, num churrasco na casa do cunhado.
Moro estava descontraído e até fumou charuto, como sempre faz nesses encontros. Mas os amigos ficaram preocupados, segundo ela, porque a agenda de viagens do juiz está muito carregada nos próximos dias. “Ela vai viajar bastante”, contou.
Começou ontem, quando veio a São Paulo para uma homenagem da Revista IstoÉ, em que se deixou fotografar conversando ao pé do ouvido com o senador Aécio Neves, citado, juntamente com a irmã, Andrea, por delatores da Operação Lava Jato.
Hoje, já circula pelo whatsapp a mensagem para que todos assistam ao programa Jô Soares:
“Hoje às 23 horas, Jô Soares entrevista o Juiz Sérgio Moro na Globo. Divulguem para estourar de audiência.”
Como diz o Código de Ética da Magistratura:
“(o juiz) deve comportar-se na vida privada de modo a dignificar a função, cônscio de que o exercício da atividade jurisdicional impõe restrições e exigências pessoais distintas das acometidas aos cidadãos em geral”.
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