sábado, 23 de setembro de 2017

CPI DA JBS MIRA INVESTIGAR DELAÇÕES DE CURITIBA EM CPI



O feitiço pode virar contra o
feiticeiro na CPI da JBS, pois,
segundo os deputados Wadih
Damous (PT-RJ) e Paulo Pimenta
(PT-RS), membros da comissão, o
juiz Sérgio Moro poderá ser um dos
investigados.
Damous cogitara antes, inclusive,
uma CPI exclusiva para investigar 
as delações premiadas e o
magistrado da lava jato.
Agora, de acordo com os deputados
titulares da CPI, a comissão de
investigação da JBS pode servir
para uma regulamentação dos
instrumentos de delação premiada
no Brasil.
“Delatores e investigadores da
Polícia Federal e Ministério Público
Federal que acabam estabelecendo
parcerias não republicanas,
escritórios envolvidos, esse modus
operandi que tem que ser
investigado e esclarecido”, disse o deputado Paulo Pimenta. Segundo ele, esses áudios [da JBS]
revelaram ao público o modus operandi de um processo do qual já se suspeitava há tempos.
“Muitas vezes os investigadores sobretudo os de Curitiba fazem promessas para conseguirem
delações das quais a lei não autoriza que sejam feitas”, afirmou Damous ao defender investigação da
relação que se estabelece entre investigadores e delatores. Para ele, há indícios de coação, e
promessas a partir do acordo que não têm previsão legal.
“Acaba fazendo que a palavra de um delator que fez uma parceria mal explicada com um procurador
ou um juiz sirva para condenações, como já assistimos”, afirmou Pimenta, lembrando da fragilidade
dessas provas baseadas apenas em delações.
“Não podemos ter no país a condição de que determinados procedimentos estejam fora da lei. Essas
gravações revelaram como verdadeiras suspeitas, que tratativas ocorrem, estão fora da lei e que de
fato devem ser investigadas”, concluiu.
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APÓS MINISTRO FANFARRÂO ANUNCIAR PACIFICAÇÃO ROCINHA TEM NOVOS TIROTEIOS


Após um breve período de aparente tranquilidade, foram registrados novos tiros na 
comunidade da Zona Sul do Rio de Janeiro, na madrugada deste sábado (23). Disparos foram 
ouvidos por volta de 4 horas, segundo relatos de moradores, informou a Polícia Militar (PM); 
ontem à noite, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, anunciou que a comunidade estava 
pacificada.

O RICO SE DROGA E O POBRE LEVA PORRADA


O PROBLEMA DA ROCINHA NÃO É O TRÁFICO: É A DESIGUALDADE SOCIAL!
No sexto dia consecutivo de tiroteios na Rocinha, o Rio continua tentando entender o que se passa nos becos da favela que sofre desde domingo com a guerra entre traficantes. Mesmo à distância, de sua casa em Londres, o jornalista inglês Misha Glenny se mantém informado sobre os últimos acontecimentos na Rocinha. Em seu livro “O Dono do Morro”, publicado ano passado pela Companhia das Letras, narrou a história do homem que, antes de ser Nem, chefe do tráfico mais procurado da cidade, era Antônio, responsável pela distribuição das revistas NET para assinantes até entrar no crime, a dois dias de completar 24 anos. Para escrever o livro, o jornalista chegou a morar na favela e gravou 28 horas de entrevistas com Nem na cadeia.
Ainda não se sabe exatamente como Antonio Bonfim Lopes, preso no porta-malas de um Corolla em 2011, na Lagoa Rodrigo de Freitas, teria ordenado da penitenciária federal de Porto Velho a expulsão do traficante Rogério Avelino, o Rogério 157, seu sucessor no comando dos bandidos. Glenny afirma que “sempre soube que Nem estava intimamente envolvido com o funcionamento da favela porque outras pessoas envolvidas com isso me diziam”. Segundo o jornalista, “o foco total de Nem é a Rocinha”.

Você está acompanhando os últimos acontecimentos na Rocinha?
Misha Glenny: Tenho acompanhado tão perto quanto posso, conversando com pessoas da Rocinha e de outras partes da cidade. Embora eu esteja surpreso com a intensidade da luta que começou no domingo, soube há vários meses que havia tensão dentro da facção ADA na Rocinha.
Era um conflito previsível?
MG: Não é apenas uma divisão entre Nem (Antônio Bonfim Lopes) e Rogério Avelino. Este conflito tem relação com o colapso da UPP, a falência do Rio, a guerra que se inicia entre Comando Vermelho e PCC, e também a incapacidade dos vários ramos da Justiça de se comunicarem adequadamente. Nesse sentido, o conflito era previsível. Desde 2005, a Rocinha tem sido uma das comunidades mais estáveis do Rio, com algumas das menores taxas de criminalidade e violência. O fato de a violência ter retornado é obviamente um mau sinal para a comunidade, mas é muito ameaçador para a cidade como um todo.
Você achou que Nem deixaria o comando do tráfico na cadeia?
MG: Sempre soube que ele estava intimamente envolvido com o funcionamento da favela porque outras pessoas envolvidas com isso me diziam. Espero que ele faça o que me disse que faria, que é parar seu envolvimento quando finalmente sair da prisão.
Nem se preocupava com a Rocinha na cadeia?
MG: O foco total dele é a Rocinha. Seu mundo inteiro é a Rocinha e ele sempre esteve preocupado com o fato de ela se tornar instável. Não teve grandes problemas com a UPP até o assassinato de Amarildo, em 2013. Depois disso, parecia preocupado que a instabilidade voltasse à favela.
Rogério Avelino costuma publicar fotos no Facebook em que aparece com colares e anéis de ouro em todos os dedos das mãos. De acordo com pessoas que vivem na Rocinha, ele começou a explorar os próprios moradores. Que tipo de conseqüência essa mudança de perfil pode ter trazido?
MG: Até eu visitar a Rocinha e conversar com pessoas lá, não posso dar uma resposta definitiva. Eu suspeito que, se as pessoas foram hostis a ele, não teria sido apenas por sua personalidade, mas também pelo fato de que sua liderança não era clara. Li os relatos sobre como Rogério assumiu funções de milícia, como taxar o gás e outros serviços essenciais. Se ele fez isso, foi um erro.
Dentro da Rocinha, as pessoas vêem Nem como uma figura positiva. Que Nem você conheceu na prisão?
MG: Na prisão ele de fato era uma figura positiva. Era tratado com respeito pela equipe da penitenciária e, em troca, também tratava a todos com respeito. Ele foi extremamente pensativo ao responder as perguntas, tanto as difíceis quanto as fáceis. Posso entender por que as pessoas que estão fora da Rocinha têm uma visão negativa dele e, embora seu poder na favela tenha se apoiado no monopólio sobre a violência na comunidade, as estatísticas demonstram que ele evitou a violência - quando era chefe da Rocinha, os homicídios caíram significativamente não apenas na Rocinha, mas em São Conrado, Gávea, Vidigal e Leblon.
Você confirma em seu livro que o major Edson Santos, comandante da UPP da Rocinha quando Amarildo foi assassinado, transformou a unidade "em uma espécie de milícia em que até os traficantes de drogas estavam pagando policiais". A corrupção policial foi um dos fatores responsáveis pela falência da UPP na Rocinha?
MG: Depois de Amarildo, o então secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, sabia que, se não abordasse a questão da corrupção policial na Rocinha, as UPPs entrariam em colapso em toda a cidade. Beltrame manteve a coisa funcionando por um tempo. Mas a administração de Sérgio Cabral nunca esteve interessada em apoiar a UPP policial com uma bem gerida UPP Social, que recebesse os recursos adequados. Com a crise econômica da cidade, especialmente após as Olimpíadas, ficou claro que o experimento corajoso de Beltrame morreria. Agora é um projeto fantasma.
Com o fracasso da UPP, o que poderia trazer estabilidade à Rocinha?
MG: Isso depende do Brasil. Este é um país em estado de trauma constitucional e político. Acredito que a operação Lava Jato e investigações associadas finalmente estão iluminando a profunda relação de corrupção entre negócios e política, e o sistema político disfuncional que surgiu após 1988. O Brasil continua sendo o país com o potencial mais inimaginável. Cabe às elites decidir se querem se envolver em um verdadeiro projeto de renovação nacional ou se preferem continuar com uma sociedade de desigualdades indescritíveis.
Como a paz foi mantida a partir de 2005?
MG: A partir de Lulu (Luciano Barbosa da Silva, chefe do tráfico querido pelos moradores até ser morto em uma operação do Bope), a Rocinha prosperou por três razões: os chefes cultivavam o apoio da comunidade; o isolamento geográfico em relação a outras favelas, especialmente complexos do Alemão e da Maré, que permitiu uma sensação de segurança em relação ao Comando Vermelho; um mercado vibrante para vender cocaína no Leblon, na Gávea e em São Conrado. Se Rogério ultrapassasse os limites com a comunidade, é perfeitamente concebível que todos acolheriam as forças de Nem.
Você veio ao Brasil enquanto estava escrevendo seu livro "McMafia". O que o fez se interessar pela Rocinha e por Nem?
MG: A questão mais importante do Brasil é a desigualdade. Se Nem tivesse crescido numa família de classe média respeitável, com uma educação adequada, teria sido um excelente empresário. Ele acabou no negócio das drogas porque sua filha de 10 meses ficou doente e ele não podia pagar o tratamento. Ele era um membro respeitável da sociedade, trabalhava duro e ganhava pouco. Ele entrou para o tráfico porque realmente não tinha escolha.
(...)

LULA: 'DAQUI A POUCO ELES VÃO NA BOLSA DE VALORES ESCOLHER UM PRESIDENTE'


Em discurso no lançamento da campanha de filiação do PT, nesta sexta-feira, 22, o ex-
presidente Lula disse que filiar-se ao PT é a solução para quem busca contribuir para o país; 
"O PT precisa convencer as pessoas que não existe saída fora da política. O PT tem que ser um 
partido que enfrenta essa discussão contra a negação da política", afirmou; Lula criticou 
também a ameaça à soberania nacional e disse que querem retirar do povo o poder se suas 
escolhas; "A soberania nacional precisa entrar na ordem do dia. O que acontece no Brasil hoje 
é que o que menos interessa é o país como nação. Daqui a pouco não vai ter mais eleição pra 
presidente. Eles vão na Bolsa de Valores escolher um presidente"

247 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta sexta-feira, 22, do lançamento da 
campanha de filiação do PT, na sede nacional do partido em São Paulo.
Em seu discurso, Lula disse que filiar-se ao PT é a solução para quem busca contribuir para o país e 
quem busca solucionar suas próprias angústias com o futuro do Brasil. "O PT precisa convencer as 
pessoas que não existe saída fora da política. O PT tem que ser um partido que enfrenta essa 
discussão contra a negação da política", afirmou Lula.
"Fora da política teremos nazismo, fascismo, qualquer coisa. Menos democracia, menos participação 
popular. Por isso que é importante as pessoas participarem do PT. E vocês querem contribuir com o 
país, solucionar o seu problema de incerteza no futuro, entre no PT, porque o PT vai ajudar a resolver 
suas angústias políticas e ideológicas e garantir um Brasil livre e soberano", afirmou o ex-presidente. 
Lula criticou também a ameaça à soberania nacional e disse que querem retirar do povo o poder se 
suas escolhas. "A soberania nacional precisa entrar na ordem do dia. O que acontece no Brasil hoje é 
que o que menos interessa é o país como nação. Daqui a pouco não vai ter mais eleição pra 
presidente. Eles vão na Bolsa de Valores escolher um presidente", afirmou. 
Acompanhe como foi o lançamento da campanha de filiação ao PT:

JANETE SAI MESQUINHO, DO MESMO MODO QUE ENTROU

Joao Plenário diz que “dormiu o voo todo” e nem precisou olhar para Janete

POR EUGÊNIO ARAGÃO, ex-ministro da Justiça

Quem leu a notívaga mensagem de despedida de Janot aos colegas pôde até se convencer de que ele nada tem a ver com o estado de caos que deixou no País, tal a força das palavras que usou, com a mesma prosódia de seu patético “Corrupção, Nãããão“, chororô com que se lançara na campanha de destruição da democracia no País.
Mas, em verdade, os “larápios egoístas e escroques ousados” estão no poder porque ele deixou. Talvez sua vaidade lhe ofuscou a vista. Pensar assim é menos grave que lhe apontar protagonismo no golpe de 2016. Foi, porém, sua omissão imprópria que permitiu a Temer e sua turma praticar o maior arrastão de que se tem notícia na história política do Brasil.
Vamos recapitular, Dr. Janot?
Para começar, o Sr. não foi escolhido PGR porque foi o primeiro da lista, mas porque prometeu acalmar o País, então sob forte comoção de uma ação midiática em torno da Ação Penal 470-DF, do STF, o chamado processo do “mensalão”. O Sr. criticava fortemente seus antecessores, por atuação que entendia politiqueira, a começar pelo caso de José Genoino, que, no seu próprio entender, tinha sido condenado por um jogo de conveniências, de forma injusta. O Sr. prometeu atuação mais discreta, equilibrada e com esforço de manter íntegras as instituições. O Sr. prometeu diálogo permanente com os atores políticos do Congresso e do governo. O Sr. prometeu desfazer injustiças cometidas pelo açodamento midiático do ministério público. Foi por isso que foi escolhido.
O Sr. sabe muito bem que a balança, na indicação, pendia mais forte para Ela Wiecko, pessoa com comprovado compromisso com as causas sociais e com severas restrições, abertamente expostas ao debate acadêmico, ao punitivismo moralista. O Sr. sabe que, até o dia em que foi formulado o convite a si, Ela Wiecko era candidata tão quanto ou mais forte que o Sr. Nada valia seu boquirroto primeiro lugar na lista e, sim, a palavra por mim empenhada aos interlocutores da Senhora Presidenta da República de que o seu era o melhor nome.
O que ninguém podia imaginar – e muito menos eu, que o conhecia há quase trinta anos e sempre o tive como parte de um projeto democrático de defesa do Estado de Direito – era que o Sr. estava praticando propaganda enganosa, com único fim de ser escolhido e colocar uma cerejinha no chantilly de seu currículo pífio. A vaidade é um sinal da fraqueza que acaba por contaminar qualquer propósito ético ou político. E o Sr. se revelou por quatro anos um fraco.
Mal instalado na cadeira de PGR, pede a prisão de José Genoino, quem sabia inocente e a quem prometera proteger, se o caso fosse, até o abrigando em sua casa. Mas não foi só isso. Revelou-se, em almoço festivo na sua casa, agastado, de público, com a repercussão midiática de minhas entrevistas como seu Vice-Procurador-Geral Eleitoral. Tinha medo de que lhe fizesse sombra. Não foi preciso. Sua mediocridade o colocou na sombra.
O que se deu a partir de março de 2014 é bem conhecido do País. Com o início da Operação “Lava Jato”, o Sr. ensaiou o contraponto. Tentou conversar e buscou preservar ativos de empresas em risco. A turma de Curitiba deu piti. Ameaçou o escândalo midiático com o Sr. no Centro. O Sr. foi dominado pela paúra, né? Enfrentar adversidades não parecia ser seu forte. Viajou para os Esteitis só com seus lambisgóias, vetando a participação da União e do executivo federal.
Uma extensa agenda de órgãos do governo americano o esperava. E o Sr. não queria aqueles a bordo, que teria que entregar. O governo brasileiro. Voltou de lá e já não queria papo sobre preservação de ativos: “Isso é muito maior do que nós!”, me advertiu. Nós quem, cara pálida? Só se o Sr. se vê tão pequeno, que não é capaz de lutar contra os que querem afundar a Pátria! Tamanho é relativo. Prefiro ser o Davi a enfrentar Golias.
Mas o Sr. não. Preferiu esconder sua fraqueza no moralismo tacanho que faz sucesso neste País dominado pela falta de ideias e de ideais. “Corrupção, Nãããão” – dããã! Faltava só o sorvete na testa. Como o impulso agora era seguir a manada no seu estouro contra as instituições, passou a fustigar a Presidenta que o nomeou no esforço de pacificação nacional. Traiu sua missão. Cruzou os braços diante do mais descarado processo de quebra da constitucionalidade, o impeachment sem crime. “Matéria interna corporis”. E o País que se dane. “Nu d’eis é bom. Nu meu não”, seu bordão pusilânime.
E quando Moro praticou o crime de vazar gravações ilícitas, o Sr. se calou. Mais adiante, prestes a ser votada a admissibilidade do impedimento no Senado, o Sr. mandou instaurar um inquérito contra a Presidenta por fato pífio e sem lastro probatório: a nomeação do colega Marcelo Navarro para o STJ, que, segundo Delcidio do Amaral, teria sido escolhido para abafar a responsabilidade da Odebrecht. Ora, ora. O Sr. devia saber da inverdade dessa falsa delação. O Sr., tanto quanto eu, conhecia bem Marcelo, pessoa corretíssima, de conduta ética irreprochável. Tanto que o Sr. pediu por ele. Pedir pela indicação então é republicano e atender o pedido é criminoso? Explique-me isso. Mas o motivo de instaurar o inquérito, calçado na palavra de um escroque, era útil para destituir Dilma Rousseff. E a partir daí veio o caos que nos transtorna até os dias de hoje.
O Sr., internamente, se cercou de uma corriola, de gente que o adulava interesseiramente e o tornava impermeável a outras opiniões. Vocês se mereceram, o Sr. e seu “grupo de colegas”, que excluíram os demais. A patotinha “neo-tuiuiú”, que foi o desastre de sua administração. Quase todos foram promovidos por “merecimento” em detrimento de muitos outros valiosos procuradores mais antigos. Preferiu a opinião dos verdes ativistas à dos maduros serenados. E se submeteu a essa opinião. Sei que o Sr. mal lia o que assinava. Deixava tudo para seu “Posto Ipiranga”, seu chefe de gabinete, resolver. E, geralmente, resolvia de forma conspirativa, vendo inimigos para todos os lados. A vaidade foi dando lugar à paranoia.
Mas, cá para nós, suas peças processuais eram de qualidade duvidosa. Teori Zavascki, de saudosa memória, já o notava. Seu “Posto Ipiranga”, pelo jeito, era tão pouco Ipiranga, quanto o Sr. era o homem público que prometera ser. Lembro-me de um mal escrito parecer que queria que eu assinasse em sua substituição, no habeas corpus impetrado por Marcelo Odebrecht. Abundavam os adjetivos, as frases feitas, as muletas de linguagem e os clichês. Liguei para o Sr., avisando que não subscreveria a pérola na forma em que estava redigida. Dei-lhe a opção: aguardar seu retorno, para o Sr. mesmo assinar ou refazer a peça. Comprometi-me, por lealdade, a não alterar a conclusão, mas não teria como assinar um parecer daquele jeito. O Sr. preferiu que eu corrigisse. E assim foi feito. Só com supressão de adjetivos e frases feitas o parecer perdeu quase metade de sua extensão.
Mas essa turminha de colegas foi bem remunerada para fazer sua corte. Dez diárias mensais ou auxílio moradia com função comissionada, com redução a 20% do volume de trabalho no ofício de lotação. Melhor do que isso só a vida do Moro, que tem exclusividade para os feitos da tal “Lava Jato” para poder passear mundo afora a fazer campanha de si mesmo. E ainda ganha diárias e honorários de conferencista. Para vocês, este País é uma piada. Para outros, a maioria, é exclusão e sofrimento.
Blasé. Rempli de soi même. É nisso que o Sr. se converteu. Um bufão que nada entende e nunca entendeu de direito penal a subscrever palpites que os outros redigiram para si. Mas a farmácia no gabinete ia muito bem, com uns bons goles para refrescar sua vaidade.
A melhor coisa, depois de tanta parvidade desastrosa para o País, depois de tanto amadorismo dourado em combate à corrupção, era o Sr. sair calado. Em boca fechada não entra mosca. Mas não, esqueceu-se que agora já não passa de um subprocurador da planície e, com o biquinho dos despeitados, não aceitou ser convidado, como todos, por meio eletrônico. Insistiu na majestade perdida. Sua pequenez, até na saída, chegou a ser assustadora.
Dr. Janot, sei que não é fã do Evangelho, mas nele há muita sabedoria. Talvez devesse lê-lo. Mire-se em Lucas 14:7-14, na parábola dos primeiros lugares (Lc 14:7-14).
“7 Reparando como os convidados escolhiam os primeiros lugares, propôs-lhes uma parábola:
8 Quando por alguém fores convidado para um casamento, não procures o primeiro lugar; para não suceder que, havendo um convidado mais digno do que tu,
9 vindo aquele que te convidou e também a ele, te diga: Dá o lugar a este. Então, irás, envergonhado, ocupar o último lugar.
10 Pelo contrário, quando fores convidado, vai tomar o último lugar; para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, senta-te mais para cima. Ser-te-á isto uma honra diante de todos os mais convivas.
11 Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado.”
Palavras do Senhor.

PS. Adorei ver o Sr., no seu voo de férias para Portugal, na boa companhia de Gilmar Mendes, de quem o Sr. dizia manter conflito meramente pessoal comigo. Deve ter sido um deleite para todos os passageiros experimentar essa coincidência cáustica. O Diabo sabe para quem aparece. E o Sr. está muito bem na foto em classe executiva. Sempre disse que procuradores da república são a categoria mais bem paga do Brasil. Poderia fazer um filme sobre suas “Vacances de M. Janot” – e o nome do filme seria “Incendiou o País e saiu de férias”.

Traficante, 'primeira-dama' e ex-guarda-costas em guerra por poder na Rocinha: a visão de biógrafo de Nem


Danúbia é mulher e 'herdeira' de Nem | Foto: Reprodução/ Facebook

Da BBC:


De um lado, o antigo guarda-costas e atual desafeto, que assumiu o poder do morro depois da prisão do mentor. De outro, a mulher do ex-chefe, condenada por tráfico, foragida, mas que, nas redes sociais, ostenta os cabelos pintados bem louros, o corpo bronzeado com biquínis e decotes, óculos escuros de grife e colares de ouro com pingente de coroa.Ainda é cedo para concluir que a disputa de poder na Rocinha, zona sul do Rio, e a violência detonada na área, que culminou em novo tiroteio na manhã desta sexta-feira e com a decisão de intervenção do Exército, tenham sido ordenadas pelo traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, vulgo Nem, de dentro de uma prisão de segurança máxima, considera o jornalista britânico especializado em crime organizado Misha Glenny.
Mas o racha interno e a crescente tensão entre a mulher e “herdeira” de Nem, Danúbia Rangel, e seu ex-aliado e sucessor, Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, precedem o conflito, em uma disputa de protagonismo que pode ajudar a explicar o embate – que gerou fortes tiroteios e imagens de guerra de domingo para cá na maior favela do Rio.
Glenny conta a história de Nem no livro O Dono do Morro: um homem e a batalha pelo Rio (Companhia das Letras), lançado no ano passado. Em entrevista à BBC Brasil, ele considera que ainda há lacunas a se preencher sobre o papel que o ex-chefe do morro, preso em 2011 e atualmente em um presídio de segurança máxima em Porto Velho, Rondônia, teve no episódio.
Mas diz que Nem continua sendo “extremamente influente” na Rocinha e que Danúbia vinha buscando maior protagonismo na comunidade, com uma divisão de forças entre ela e Rogério 157.
“Claramente havia muita tensão entre o Rogério e a Danúbia. A única coisa que eu ainda não entendi é se a Danúbia estava agindo motivada por sua própria ambição, ou se estava representando, de fato, o Nem”, considera Glenny. “Eu suspeito que se trate mais da primeira opção, mas essa é só uma interpretação minha.”
Danúbia teria sido expulsa da Rocinha a mando de Rogério, e ambos estão foragidos. Ela, porém, parece se manter ativa nas redes sociais, onde, na segunda-feira, em uma conta que acredita-se ser dela, gabou-se de um perfil publicado no jornal O Globo. Postou o link da matéria destacando um trecho que a compara com a Bibi Perigosa vivida por Juliana Paes na novela A Força do Querer. “Viu só como estou poderzão ainda?”, escreveu com um emoji de sorriso escancarado.
Na semana anterior, essa conta postou um panfleto do disque-denúncia com sua foto e de outras mulheres procuradas pela polícia, fazendo troça: “Eu e minha coleguinhas bombando por aí”, diz, ao lado de carinhas chorando de tanto rir.
Glenny diz que Danúbia não é muito popular na Rocinha, sendo uma “forasteira” que veio da Maré, complexo de favelas na zona norte do Rio. Teria autoridade na favela não por sua personalidade, mas por ser mulher de Nem, tornando-se uma rara liderança feminina no mundo do tráfico – que lhe rendeu a alcunha de “Xerife da Rocinha”. Ela é a quarta esposa de Nem – que, segundo Glenny, sempre se mostrou “muito apaixonado” por ela. Antes, foi mulher de dois traficantes na Maré, ambos mortos pela polícia. Daí também o apelido de “viúva negra”.
No domingo, a Rocinha foi invadida por dezenas de traficantes de morros como o São Carlos e o Vila Vintém, favelas controladas, assim como a Rocinha, pela facção criminosa conhecida como Amigos dos Amigos (ADA). O bando estaria, a pedido de Nem - segundo os jornais -, tentando tomar o controle das mãos de Rogério 157, em uma disputa interna da favela por integrantes da mesma organização.
Glenny, que se encontra em Londres, diz que segue acompanhando de perto a escalada de violência no Rio e considera que os governos estadual e federal tem sido "incapazes" de lidar com a guerra de facções no Rio, que as Unidades de Polícia Pacificadora só continuam existindo "no papel" e que o envio do Exército para o Rio "não teve qualquer impacto na redução da criminalidade".
Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
BBC Brasil - O seu livro narra desde a ascensão de Nem a "dono do morro" à sua prisão em 2011. Ele agora está em um presídio de segurança máxima em Rondônia - que papel você acha que ele desempenhou nessa disputa?
Misha Glenny - Citando fontes da polícia e do sistema prisional, os jornais dos últimos dias têm dado como certo que Nem comandou a invasão da Rocinha através da Danúbia (Rangel, sua mulher). Para mim, isso ainda é uma questão em aberto. Não digo que não aconteceu, mas não está comprovado. O Nem continua sendo uma figura incrivelmente influente e popular na Rocinha, e as pessoas o ouvem muito, mas não sabemos ainda até que ponto ele está envolvido. Se a ordem partiu dele, para quem teria dado a mensagem? Desde o início do mês ele não teve visitas da família, e só na terça desta semana foi visitado por seu advogado.

 
BBC Brasil - Sempre vemos disputas entre facções rivais no Rio, mas o que parece notável neste caso é que a disputa é entre integrantes da mesma facção (a ADA). O que precipitou esse conflito interno?
Glenny - Na última vez que estive no Rio, em dezembro, já tinha havido um racha entre a Danúbia e o Rogério (Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, sucessor de Nem no comando do tráfico da Rocinha). A Danúbia havia criado seu próprio bonde e tinha seus próprios seguranças. E havia um terceiro protagonista nessa história, o Perninha (Ítalo Jesus Campos), que era braço direito do Nem e foi assassinado no dia 13 de agosto (investigações apontam que Perninha planejava tomar a favela a mando de Nem). Há indícios de que ele estava se aproximando da Danúbia, queria abrir suas próprias bocas de fumo, e por isso foi assassinado.
Então antes de se falar em uma ofensiva comandada pelo Nem a partir da prisão, é preciso considerar que já havia essa disputa interna dentro da Rocinha. Havia divisões internas, com a Danúbia aparentemente querendo ter mais protagonismo, e a comunidade se dividindo sobretudo entre ela e o Rogério.
BBC Brasil - A Danúbia agora está foragida e teria sido expulsa da comunidade pelo Rogério. Qual é a importância e o papel desempenhado por ela na Rocinha? Você a conheceu?
Glenny - Eu conheci a Danúbia. O Antônio (Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem) sempre me deu a entender que é muito apaixonado por ela. Ela é sua quarta esposa e se tornou uma figura muito poderosa na Rocinha, embora não seja muito popular na comunidade.
Sua autoridade vem do fato de ser casada com o Nem, não de sua personalidade. Ela vem do Complexo da Maré, é uma forasteira. E, sobretudo, é uma mulher. Do ponto de vista sociológico, sua história é muito interessante. A tradição no tráfico de drogas no Rio não é particularmente amigável a mulheres. E certamente não em posições de liderança. Então é uma situação incomum.
Claramente havia muita tensão entre o Rogério e a Danúbia. A única coisa que eu ainda não entendi é se a Danúbia estava agindo motivada por sua própria ambição ou se estava representando de fato o Nem. Eu suspeito que se trate mais da primeira opção, mas essa é só uma interpretação minha.
BBC Brasil - Como a operação da ADA se distingue das outras? Há muito foco na personalidade dos líderes, como vemos até hoje na influência da figura do Nem, mesmo preso desde 2011?
Glenny - A ADA nasceu com muito sangue, a partir de uma ruptura no Comando Vermelho (CV) nos anos 1990, que se deu com muitas mortes. É a mais jovem facção das três (cariocas). Quando o Nem assumiu o controle da Rocinha, ele adotou o estilo de um de seus antecessores, o Lulu (Luciano Barbosa da Silva, que chefiou a comunidade antes dele e foi morto pelo Bope em 2004).
A sua marca foi usar menos violência e se concentrar mais em corromper a polícia e construir uma rede de serviços sociais para assegurar o apoio da comunidade. Essa é uma das marcas da ADA, mas em outras favelas a facção é mais violenta, por causa das ameaças do CV e do Terceiro Comando Puro (TCP).
A desvantagem é que a Rocinha é uma das maiores, se não a maior, distribuidora de cocaína do Rio. É muito valorizada e disputada. Por outro lado, é uma comunidade difícil de invadir se você não tem apoio interno e um contingente grande o suficiente.
BBC Brasil - Nos últimos dias, moradores da Rocinha disseram que o Rogério vinha impondo a cobrança de taxas por serviços como distribuição de gás, métodos associados a milícias. Você acha que o Nem poderia querer tirá-lo por isso?
Glenny - Como eu disse, não estou certo de que o Nem estivesse ativamente tentando se livrar dele. Não temos provas disso ainda. Mas certamente o Nem não aprovaria a troca do modelo que ele implementou por outro mais adotado pelas milícias, contrariando o que foi tradição na Rocinha nos últimos 18 ou 19 anos.
Depois de um período muito violento entre os anos 1990 e o começo dos anos 2000, a Rocinha teve o que os moradores consideram seus anos de ouro, com o sistema introduzido por Lulu e seguido e ampliado por Nem.
O Rogério não se fez nenhum favor ao impor novas taxas de pagamento aos moradores, cobrando taxas para mototaxistas operarem, pela distribuição de gás, esse tipo de serviço. Há muita insatisfação dentro da Rocinha com o Rogério e com a maneira como ele vinha chefiando a favela.
BBC Brasil - Você teve uma série de conversas com o Nem nas entrevistas que deram origem ao seu livro. Como o descreve?
Glenny - Eu passei um total de 31 horas com ele. O Nem é uma pessoa que não age espontaneamente. Ele pensa muito antes de tomar qualquer decisão e gosta de discutir as opções com outras pessoas. Fica ansioso no processo, mas quando chega a uma decisão tende a levá-la adiante. Ele é calmo.
Se tivesse tido uma educação melhor, acho que seria uma empresário bem-sucedido, porque tem carisma e sabe tomar decisões. Mas a tese do meu livro é que ele se permitiu ser preso porque achou excessiva a tensão de ser dono do morro.
BBC Brasil - Você diz que tem estado em contato constante com moradores da Rocinha. Que sensação que eles têm te passado?
Glenny - O sentimento é de preocupação generalizada. As pessoas estão extremamente assustadas e apreensivas. Não sabem como a situação vai se desenrolar, mas sabem que ainda não terminou.
Está na natureza dos conflitos em favelas que, quando eles acontecem, explodem sem aviso prévio. Podem ocorrer a qualquer hora. Os períodos de disputas podem ser longos ou curtos, mas eles geralmente são sangrentos. Isso está na memória coletiva da Rocinha. E quando você tem tiroteios dentro de uma favela, as chances de danos colaterais são enormes.
E o pano de fundo é que, como todo mundo sabe, o Estado não está funcionando direito. Isso cria muita tensão para a polícia. Nas imagens de domingo, vimos que os policiais da UPP estavam se escondendo e evitando confronto.

Image captionEsposa de Nem aparentemente se mantém ativa nas redes sociais e faz piada com sua situação criminal | Foto: Reprodução/ Facebook

BBC Brasil - Que tipo de mensagem isso transmite para os criminosos?
Glenny - Significa que o Estado está cedendo o monopólio da violência para os traficantes na favela. É difícil não sentir raiva da administração Sérgio Cabral (ex-governador do Rio, preso em Bangu e condenado nesta semana a 45 anos de prisão por um esquema que teria movimentado R$ 220 milhões em propina entre 2007 e 2014).
Quando Cabral era governador, o Beltrame (o ex-secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame) fez um bom trabalho em estabelecer a UPP policial. E o governo do Rio falhou consistentemente em investir em uma UPP social. Esse era o combinado, com as UPPs você teria a polícia nas favelas e a partir daí incrementaria o investimento social nas comunidades.
Mas esse investimento social nunca aconteceu, e isso levou o Estado a perder ainda mais credibilidade nas favelas. Atualmente o governo do Estado, do (governador Luiz Fernando) Pezão, do (secretário de Segurança) Roberto Sá não tem qualquer credibilidade dentro das favelas, porque as UPPs já não existem mais, a não ser no nome.
BBC Brasil - Essa crise é o pano de fundo para o confronto que estamos vendo na Rocinha?
Glenny - Há dois panos de fundo que precisam ser considerados. O primeiro é a instabilidade nas relações entre o Comando Vermelho (CV), o Terceiro Comando Puro (TCP) e a Amigos dos Amigos (as três maiores facções criminosas do Rio), e o papel que o Primeiro Comando da Capital (o PCC, fundado em São Paulo) vem desempenhando no Estado.
O PCC está envolvido nessa luta entre as facções, fornecendo armamentos à ADA e ao TCP. Você deve lembrar as rebeliões que explodiram nas prisões neste ano, incluindo decapitações. Foram fruto de uma disputa entre o PCC e o Comando Vermelho. E uma das formas de o PCC atingir o CV é fortalecendo seus inimigos, fornecendo armas para suas facções rivais no Rio.
O outro contexto importante é o colapso absoluto das UPPs. É aqui que vemos o verdadeiro impacto da falência efetiva do Estado do Rio. Não há recursos para segurança, e a ajuda federal, com o envio do Exército para o Rio, não teve qualquer impacto na redução da criminalidade. A comunicação entre as lideranças militares e as polícias do Rio é atroz. Não há uma estratégia de segurança integrada.
O Rio enfrenta uma crise econômica e política severa, há enorme tensão em Brasília com a Lava Jato, há o escândalo da JBS, há tudo isso ao mesmo tempo. Estamos vendo uma guerra de facções irromper, que considero ainda pequena - mas as instâncias estaduais e federais são incapazes de lidar com ela.

Image captionSegundo britânico, na Rocinha Danúbia é vista como forasteira | Foto: Reprodução/Facebook

Tradicionalmente, e particularmente desde que o Nem passou a chefiar a favela em 2005, a Rocinha tem níveis de criminalidade e homicídio muito mais baixos que outras favelas. Se as coisas estão ruins na Rocinha, você sabe que a situação é grave.
BBC Brasil - No ano passado, quando você esteve na Flip, você considerou que o Rio não teria problemas de segurança até as Olimpíadas, mas depois disso a coisa tendia a piorar.
Glenny - A Olimpíada foi um buraco negro de atividades corruptas. Quando a Copa e a Olimpíada passaram, ficou evidente que o Brasil tinha navegado nos preços altos das commodities sem fazer melhorias estruturais à economia e ao sistema político. Então a Olimpíada pôde ser vista pelo que foi: uma brincadeira muito danosa à cidade do Rio de Janeiro.
A UPP foi introduzida em parte para mostrar para o mundo lá fora que o Rio seria uma sede segura para os jogos. E muitos diziam que quando a atenção internacional se desviasse, a situação se deterioraria rapidamente. E é isso que estamos vendo.
BBC Brasil - Você vê alguma saída para o problema?
Glenny - No momento, temos a atuação do Exército no Rio, mas isso não resolve o problema. A solução é colocar as finanças do Rio nos trilhos e adotar políticas sérias - na verdade, acho que o Brasil precisa considerar seriamente a descriminalização e legalização da posse de drogas por uso pessoal, seguindo o exemplo de outros países do continente americano.
Isso não vai resolver o problema do varejo de drogas, mas vai tirar uma quantidade enorme de pressão de cima da polícia, em um momento em que a polícia precisa de apoio, dada a instabilidade da situação.
BBC Brasil - Depois de passar tanto tempo fazendo pesquisa na Rocinha, como você se sentiu ao ver as imagens dos conflitos nos últimos dias?
Glenny - Não fiquei surpreso. Mas fiquei muito entristecido. E apreensivo por estar longe. Gostaria de estar lá para acompanhar melhor o que está acontecendo e tentar comunicá-lo para o resto do mundo, porque não tem a atenção que merece.
(…)

PARA BARRAR 2ª DENÚNCIA NA CÂMARA, POSTIÇO VAI LIBERAR R$ 1 BILHÃO EM EMENDAS PARA AS PROSTITUTAS DO CONGRESSO

Verba para manutenção da quadrilha

Com a autorização do Congresso para o governo fazer um rombo maior nas contas públicas, o 
governo liberará R$ 1,016 bilhão em emendas parlamentares. A liberação do dinheiro foi anunciada 
após o envio à Câmara da denúncia contra o presidente Michel Temer por organização criminosa e 
obstrução à Justiça.
A maior parte desse dinheiro será destinada às emendas individuais. O ministro do Planejamento, 
Dyogo Oliveira, argumentou que a equipe econômica não teria opção de não fazer a liberação, 
porque é uma norma da Constituição Federal.
Dyogo ressaltou que as emendas parlamentares são recursos. Lembrou que esse dinheiro é um fonte 
importante para obras de infraestrutura em cidades pequenas.
— Eu acho importante esse recurso ser destinado para o interior. Talvez pela minha origem — falou 
o ministro que nasceu em Araguaína, no Tocantins.
Questionado sobre a proposta dos congressistas de usarem parte das emendas parlamentares para 
financiarem as eleições do ano que vem, ele disse que o Planejamento não foi instado a se 
manifestar. Dyogo disse que considera a proposta uma solução neutra do ponto de vista estritamente 
fiscal.
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COM SEGUNDA VOTAÇÃO DE TEMER A CAMINHO, ALDO REBELO ENTRA NO PSB E ESPECULAÇÕES SOBRE CHAPA DE “UNIÃO NACIONAL” DISPARAM



Da Redação

A confirmação de que o ex-comunista Aldo Rebelo vai se filiar ao PSB na próxima terça-feira deu
início a um frenesi de especulações nas redes sociais sobre um acordão nacional pelo qual ele seria 
candidato a vice numa chapa encabeçada por Rodrigo Maia, do DEM, em eleições indiretas no 
Congresso.
Pela proximidade que Aldo desenvolveu com os militares quando foi ministro da Defesa no governo 
Lula, o ex-comunista é apontado como articulador de uma chapa tutelada pela caserna cujo objetivo 
político principal seria o de superar o racha histórico entre varguistas e anti-varguistas no Brasil.
Aldo também foi ministro da articulação política de Lula e presidente da Câmara dos Deputados. Ele 
é palatável para a maior bancada do Congresso, a do agronegócio, já que militou pelo novo Código 
Florestal e em defesa do interesse dos latifundiários.
Em julho, num manifesto convocando à “união nacional”, ele ofereceu algumas pistas aos 
kremnologistas — os leitores dos bastidores de Brasília — sobre as prioridades do pós-Temer.
No texto, que poderia muito bem ter sido formulado num think tank militar, a “missão” é 
apresentada:
Hoje, nos marcos da economia globalizada e com o País em condições mais favoráveis que no 
passado, temos a missão de iniciar um novo projeto nacional, o quinto movimento, em três direções 
e três objetivos: 
1) ampliar a soberania nacional com o pleno desenvolvimento econômico, científico, tecnológico e 
dos meios de defesa do País;
2) elevar a qualidade de vida do povo brasileiro com a redução das desigualdades sociais; proteção 
da infância e da maternidade, acesso à educação de qualidade, saúde e saneamento básico; combate 
sem tréguas ao crime organizado e valorização da segurança pública contra o banditismo em todas as 
suas formas; 
3) fortalecer a democracia e a tolerância na convivência entre os brasileiros, com realização de uma 
reforma política que liberte nosso sistema político do controle de interesses corporativos e 
oligárquicos e assegure o predomínio dos grandes debates dos temas nacionais na esfera pública. 
A crise nacional acontece em meio a um quadro global de mudança de época, marcado por: 
a) agravamento das consequências socioeconômicas negativas da globalização dirigida pelas 
finanças especulativas internacionais; 
b) alteração do eixo geoeconômico mundial para a Eurásia-Pacífico; 
c) emergência de um cenário de poder multipolar, em contraposição à unipolaridade do período 
posterior ao fim da Guerra Fria; 
d) novas revoluções científicas e tecnológicas e rápida introdução de tecnologias inovadoras (Quarta 
Revolução Industrial), com profundos impactos sobre as formas de produção de bens e serviços, 
níveis de emprego, relações de trabalho, qualificação da força de trabalho e as próprias relações 
sociais em geral. 
Mas é mais adiante que o input da caserna fica mais delineado: fortalecimento das Forças Armadas, 
indígenas tutelados na tradição do marechal Rondon e ‘colonização’ da Amazônia nos moldes de 
uma ocupação humana tradicional sempre foram pontos-chave na cartilha dos militares.
Leiam:
As Forças Armadas são instituições fundadoras da nacionalidade e do Estado Nacional e cumprem a 
dupla missão de defender e construir o País. Do programa nuclear ao nosso primeiro computador, da 
pesquisa espacial, indústria aeronáutica e defesa cibernética, as instituições armadas têm cumprido 
papel de vanguarda e pioneirismo. Cumprem missão humanitária socorrendo os índios e ribeirinhos 
da Amazônia ou as vítimas da seca no sertão nordestino sem perder o etos de organização de 
combate e de defesa da Pátria.
Portanto, é preciso valorizar e reconhecer as Forças Armadas brasileiras, seus feitos e seus heróis, 
seus valores, patriotismo e elevado espírito de generosidade e solidariedade para com a comunidade. 
Tal atitude deve ter sentido educativo para as crianças e para a juventude exposta ao ambiente de 
corrosão dos valores da nacionalidade com que convivemos no dia a dia.
A política ambiental deve refletir um real compromisso com o desenvolvimento sustentável do País, 
em vez de simplesmente se enquadrar em agendas formuladas por atores e interesses externos. Entre 
outras prioridades, deverá enfocar as deficiências em saneamento básico, disposição de lixo, 
ocupação irregular de áreas de risco, e a ampliação da infraestrutura de previsão e resposta a 
emergências causadas por fenômenos naturais.
Da mesma forma, é preciso uma urgente redefinição da política para as populações indígenas, 
compatibilizando-a com o direito de toda a população a uma evolução civilizatória digna, 
respeitando-se as suas tradições culturais e sua contribuição decisiva para a constituição da 
identidade nacional. Somente assim será possível assegurar-lhes uma integração gradativa à 
sociedade nacional, como cidadãos plenos e aptos a dispensar, eventualmente, a tutela permanente do 
Estado.
Alvo de pressões e cobiça internacional, a Amazônia clama por ações efetivas de controle e 
afirmação da soberania sobre seu imenso território, e por políticas públicas de estímulo e apoio ao 
seu desenvolvimento e de proteção de suas populações indígenas e ribeirinhas e da biodiversidade.
Mas, por que os congressistas votariam em uma eventual chapa Maia-Rebelo?
Por causa deste trecho do manifesto (íntegra aqui):
O combate à corrupção deve ser um objetivo permanente da sociedade e do Estado, mas não se pode 
paralisar o País a pretexto de se eliminar um mal que é endêmico nas economias de todo o mundo. 
Em linguagem cifrada, é a promessa de que combater a corrupção é prioridade, mas não do jeito 
escandaloso e paralisante como vem sendo feito por MPF e Polícia Federal na Lava Jato.
Aldo Rebelo deixou isso mais explícito em entrevista à repórter Manuela Azenha, do Nocaute, 
São instituições muito jovens, que não sabem o que é o país, não têm conhecimento da história e 
consideram o combate à corrupção algo absoluto sem qualquer relação com nenhuma outra atividade 
social, o emprego, a economia, o interesse nacional. Aliás, o Ministério Público celebra, à margem 
da lei, uma série de convênios de cooperação com instituições internacionais, que deviam ser 
monopólio do Poder Executivo. Eu fiquei muito tempo no Congresso, vi coisas absurdas, de agentes 
de segurança, policiais federais, delegados que recebiam dinheiro na própria conta de agencias 
internacionais de combate ao tráfico, com a agência norte-americana.
O senhor acha que por trás do impeachment havia esse interesse de entrega do patrimônio brasileiro?
Depois do pré-sal os americanos rearticularam uma frota para vigiar essa parte do Atlântico, o Brasil 
passou a figurar como um grande protagonista, player na área de energia. Há gente bem informada 
que julga que os elementos, as gravações que deram origem a esse processo, sequer foram feitos por 
instituições nacionais, foram colhidas de alguma forma pelos métodos que levaram à gravação da 
presidente do Brasil, da primeira-ministra da Alemanha e depois repassados de alguma maneira para 
que esse processo fosse desencadeado. Há méritos do combate à corrupção – isso precisa ser 
reconhecido e valorizado. Mas não se pode fechar os olhos para a destruição da economia, de 
empregos, da ciência, tecnologia.
As especulações ganharam força porque:
  1. Rebelo disse que iria para o PSB na “hora certa”;
  2. As manifestações de chefes militares nos últimos dias podem ser entendidas também como um fora Temer;
  3. Rodrigo Maia ameaçou Temer com uma rebelião logo agora, que a segunda denúncia contra o usurpador chegou à Câmara, usando como desculpa quizílias partidárias de segunda ordem;
  4. Temer publicou um vídeo espantoso nas redes sociais, prometendo ‘resistir’ no tom de um Nixon ou Collor.Ele fala que é vítima de uma conspiração. Pode ter razão. É importante lembrar também que o Brasil institucional sempre abominou o povão e preferiu resolver as coisas em conchavos de bastidores.

CLARISSA: GAROTINHO É UM PRESO POLÍTICO!


Deputada Clarissa: não confundam meu pai com essa gang do Rio de Janeiro!  É o 
mesmo "crime" eleitoral de quando o sequestraram de uma UTI cardíaca!
PHA: O Governador e Deputado Federal Anthony Garotinho está em prisão domiciliar, condenado a 9 anos e 11 meses por uma operação chamada "Chequinho", por uma suposta compra de votos na eleição de 2016. Para esclarecer alguns pontos políticos desta questão, eu vou conversar com a Deputada Federal Clarissa Garotinho (PRB-RJ), Secretária Municipal de Desenvolvimento e Inovação da cidade do Rio de Janeiro, e filha de Garotinho. Deputada, a primeira questão que eu gostaria de esclarecer para os assinantes e leitores do Conversa Afiada: seria importante a senhora descrever que existe uma luta política, partidária entre o grupo político do Governador Garotinho e os Manhães, que tem o Juiz e o Promotor nesse caso que resultou na condenação do Governador Garotinho. O que é essa luta política?
Clarissa Garotinho: Paulo, em primeiro lugar quero te agradecer por essa entrevista, pela oportunidade de estarmos conversando sobre esse processo, e é difícil encontrar esses espaços para falar.
O que acontece é o seguinte: em Campos, um Promotor, o Leandro Manhães, que não podia estar à frente desse caso - porque responde a um procedimento de investigação criminal no Ministério Público, aberto contra ele no MP a pedido do Garotinho. O Garotinho já denunciou esse Promotor ao MP e o MP considerou que as denúncias tinham fundamento, tanto que abriu um procedimento de investigação criminal contra esse Promotor. Também nesse caso tem um Juiz, Ralph Manhães (não são parentes - PHA), que não podia ser o Juiz desse processo.
Esse processo estava na Zona Eleitoral 75, que declinou para a Zona Eleitoral 76. O Promotor simplesmente tirou o processo da Zona Eleitoral 76 e jogou na 100ª Zona Eleitoral, onde está o Juiz Ralph Manhães. Ele direcionou essa ação para um Juiz, essa ação não é originária dessa Zona Eleitoral e não foi a primeira vez que o Promotor direcionou as ações dele para esse Juiz. Já aconteceu em outros casos que não têm a ver com o Garotinho.
E tem a ver também com a figura do Delegado Paulo Cassiano... ele foi usado pelo Promotor Leandro Manhães. Esse Promotor, há alguns anos pediu ao Juiz Ralph Manhães uma intervenção na Santa Casa de Misericórdia da Prefeitura de Campos (esse hospital, é importante dizer, não é da Prefeitura, mas um hospital privado, filantrópico).
Na época, o Juiz permitiu essa intervenção e foi nomeada ali uma junta interventora e o Promotor colocou o pai desse delegado Paulo Cassiano como interventor da Santa Casa naquela época. E eles queriam que a Prefeitura cobrisse todas as despesas da Santa Casa e não apenas as despesas que foram contratualizadas pela Prefeitura de Campos.
A Prefeitura (a Prefeita era Rosa Garotinha, mae de Clarissa – PHA) disse: "não podemos fazer. Só temos que pagar aquilo que contratualizamos". Então, esse Promotor fez um arresto nas contas, levou inclusive verba da Educação (a Prefeita Rosinha entrou na Justiça e ganhou), depois eles bloquearam as contas da Prefeitura (a Prefeita entrou de novo na Justiça e ganhou).
Por fim, eles fizeram uma espécie de chantagem com a Prefeitura e disseram que não atenderiam mais pelo SUS e que a Prefeitura teria que tirar todos os pacientes que já estavam lá sendo atendidos pelo SUS.
A Prefeita, então, entrou na Justiça de novo, dizendo que isso era um absurdo, inclusive por eles serem um hospital filantrópico não poderiam adotar essa postura, e ela ganhou e, quando ganhou, foi pessoalmente para o hospital e pegou todos os pacientes que estavam aguardando leitos em outros hospitais e levou para dentro da Santa Casa.
Nesse momento, ela deu uma declaração dizendo que o problema da Santa Casa não eram recursos da Prefeitura, mas um problema de gestão. E quem era o coordenador da junta interventora? Era o pai do Delegado. Que tomou as dores nesse momento e disse: "Ah, tá dizendo que meu pai não sabe fazer gestão?". Não sei qual foi a interpretação. O fato é que esse Promotor que responde a esse procedimento de investigação...
PHA: O Leandro Manhães.
C.G.: Leandro Manhães. Esse Juiz pra quem ele sempre direcionou todas as ações dele se aproveitou dessa situação do Delegado e formaram um trio que iniciou ali uma caçada política a todo o grupo político do ex-Governador Garotinho em Campos.
PHA: Com relação à acusação propriamente dita, de que houve compra de votos na eleição de 2016, qual é a resposta de Anthony Garotinho?
C.G.: Primeiro, é importante esclarecer algumas coisas: o Garotinho não foi preso e não está sendo investigado por roubo, nem por desvio de dinheiro público. É uma suspeição, uma acusação falsa de um crime eleitoral, por conta de um programa social chamado Cheque Cidadão, uma espécie de Bolsa Família, um programa de transferência de renda, onde as pessoas recebem um cartão e o utilizam para fazer compras no supermercado.
Esse programa existiu quando o Garotinho foi Governador do Estado, existiu quando a Rosinha foi Governadora do Estado, existiu na primeira gestão da Rosinha quando foi Prefeita em Campos e permaneceu na segunda gestão da Rosinha em Campos.
Houve um momento em que, com essa crise nacional e a crise do petróleo, a Prefeitura precisou fazer uma revisão de todos os seus contratos e programas, e reduziu o número de beneficiários desse programa.
Quando a Prefeitura conseguiu um alívio de caixa, aumentou novamente o número de beneficiários do programa.
Era um programa que já existia há muito tempo, que existiu no Governo do Estado, nos 8 anos de Governo dela, e apenas no último ano do Governo dela, já da segunda eleição dela a Prefeita de Campos, o Promotor alegou que esse programa, na verdade, seria uma espécie de compra de votos.
Nunca houve compra de votos. Ele resolveu fazer uma caçada política em cima de um programa social. Não há absolutamente nenhuma prova contra o Garotinho. O Garotinho não foi candidato a nada nessa eleição. Ele é acusado de um crime eleitoral, sendo que ele não foi candidato a nada, a Rosinha não foi candidata a nada, e o candidato apoiado por ele sequer foi para o segundo turno das eleições... É uma acusação que não tem o menor cabimento.
PHA: E com relação à linha do tempo, digamos assim. Há alguma relação entre o Cheque Cidadão ter sido reforçado e a proximidade da eleição, ou não há nenhuma relação entre um fato e outro?
C.G.: Não há nenhuma relação entre um fato e outro. Como estou te dizendo, é um programa que existe há muitos anos, que já tinha os seus beneficiários há 8 anos na Prefeitura de Campos.
Houve um momento em que o número de beneficiários foi reduzido por conta da crise nacional e, principalmente, por conta da crise do petróleo (todo mundo sabe que Campos é uma cidade que recebe royalties do petróleo, o que é muito importante para a arrecadação do município).
Quando houve essa queda na arrecadação em função desses dois fatores, houve uma redução. E depois, no momento apropriado, quando houve novamente um fluxo de caixa normal, o número de beneficiários aumentou normalmente, como já existia antes.
PHA: Qual é a relação entre essa prisão do Governador Garotinho agora, prisão domiciliar, e aquela outra, em que houve uma cena absolutamente inaceitável, numa ambulância, com a participação decisiva da sua mãe. Existe alguma ligação entre um fato e outro?
C.G.: Na verdade, o fato é exatamente o mesmo. O Juiz, da outra vez, decretou a prisão do Garotinho, em primeira instância, ou seja, sem processo, sem sentença, sem nada.
Isso já mostra a primeira arbitrariedade do Juiz. Não havia sequer sentença, nada. Ele alegou o seguinte: "para impedir que ele tumultue a ordem pública ou para impedir que ele possa coagir testemunhas...", decretou a prisão dele em novembro do ano passado.
Essa prisão foi recheado de características não apenas arbitrárias, mas sobretudo cruéis, quando ele tirou ele (Garotinho) de dentro da UTI coronariana, onde ele tinha um exame marcado, e o transferiu para uma Unidade de Pronto Atendimento no Complexo de Gericinó, que não tinha sequer cardiologista, não tinha condições de receber uma paciente como esse…
Ele fez aquela transferência absurda e arbitrária.
E o TSE, o plenário do TSE anulou o pedido de prisão, porque considerou o pedido de prisão ilegal.
PHA: E neste momento, com relação a essa condenação a 9 anos e 11 meses, está em que pé no processo? Imagino que o Governador vá recorrer ou já recorreu...
C.G.: Daquela vez, ele deu uma prisão como uma medida cautelar, "para evitar o tumulto da ordem pública". Não havia dado sequer sentença.
Dessa vez, ele concluiu o processo em primeira instância, para encaminhar ao TRE (segunda instância), e na primeira instância ele conclui a sentença dele pedindo 9 anos e 11 meses em regime fechado.
E dá uma cautelar, obrigando ele (Garotinho) a ficar numa prisão domiciliar até que seja julgado em segunda instância, porque ele pode "tumultuar a ordem pública ou coagir testemunhas, atrapalhando o andamento do processo".
Ora, que tumulto ele está fazendo à ordem pública? Que tipo de coisa ele pode fazer no processo, como coagir testemunha e sumir com documentos, se ele já concluiu o processo e deu uma sentença?
Ele precisa apenas aguardar o julgamento da sentença em segunda instância.
Então, na verdade, ele recorreu a uma nova medida cautelar, para colocar o Garotinho na prisão domiciliar, alegando os mesmos motivos que ele alegou em novembro do ano passado e que o TSE anulou porque considerou ilegal aquela prisão.
PHA: Mas neste momento ele recorreu?
C.G.: Sim, ele recorreu. Estamos aguardando o julgamento de um habeas corpus que foi impetrado em Brasília.
Mais absurdo que isso: além de ter colocado ele numa prisão domiciliar, foi o fato de proibi-lo de trabalhar.
Primeiro, uma prisão transformada em espetáculo. Ele estava no ar, no programa de rádio dele, o mandado expedido era a partir das 11h da manhã, que é o horário em que termina o programa de rádio. Mesmo assim, os agentes da Polícia Federal que chegaram lá, a mando do Delegado, tiraram ele do ar às 10h30, antes do horário que estava expedido, simplesmente para criar um espetáculo tirando ele do programa de rádio que ele faz, onde hoje, é importante ressaltar, ele é líder de audiência. O programa dele é líder de audiência no Rio de Janeiro.
Sequer esperaram o horário que deveria ser cumprido no mandado. Então, isso já foi um absurdo.
E o segundo absurdo: proibiu ele de trabalhar, proibiu ele de se comunicar, proibiu ele de dar entrevistas, o que é uma coisa absolutamente arbitrária, um cerceamento de direitos absurdo.
Ele não pode não apenas falar sobre o processo, ele não pode falar sobre nada, ele não pode se comunicar, ele não pode sequer escrever um artigo para um jornal. Isso porque a gente está falando de uma suspeição, que não tem prova, de um crime eleitoral, de um Juiz de primeira instância, que não existe ainda condenação em segunda instância...
Agora, o Eduardo Cunha, por exemplo, que está na cadeia há um ano, escreveu um artigo para a Folha de S. Paulo. Então, por que esse cerceamento? Porque o Garotinho não pode falar?
PHA: O Garotinho se considera um preso político?
C.G.: Com certeza! Ele, na verdade, fez uma denúncia à Procuradoria Geral da República, desde o ano passado, em ele denunciou mais de 150 políticos, agentes públicos, empresas…
Inclusive, o senhor Luiz Zveiter, que foi Presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, uma pessoa muito poderosa no Judiciário do Rio de Janeiro.
O Garotinho fez a denúncia por recebimento de propina e superfaturamento na obra da construção da lâmina do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. E ele denunciou mais de 150 pessoas.
Quase todos os que estão presos aqui, da quadrilha do Governador Sergio Cabral, foram presos com os mesmos argumentos e provas que ele apresentou na denúncia que fez à Procuradoria Geral da República no ano passado.
Sergio Cabral, Wilson Carlos, Sergio Cortes, Hudson Braga…
Poderia citar dezenas desses que estão presos e condenados a partir, inclusive, da denúncia que ele fez à Procuradoria Geral da República. São os mesmos argumentos.
Agora, mais estranho, Paulo Henrique, é que houve uma audiência de conciliação entre o Garotinho e o Desembargador Luiz Zveiter um dia antes do pedido de prisão dele, agora dessa segunda vez.
Essa audiência de conciliação é uma audiência obrigatória. E, quando chegou nessa audiência, o Garotinho se recusou e falou: "não tenho nenhum tipo de acordo para fazer com o senhor Luiz Zveiter. Inclusive não o denunciei apenas no blog, eu o denunciei à Procuradoria Geral da República e quero mais: quero recorrer ao mecanismo de exceção da verdade, quero arrolar testemunhas e quero apresentar documentos e provas.”
No dia seguinte, veio o pedido de prisão dele. Então, na verdade não estou aqui falando do Judiciário como um todo, mas o fato é que existe um trio em campos: um Promotor que responde a uma ação de investigação criminal no Ministério Público que foi aberta pelo Garotinho, de um Juiz para quem esse mesmo Promotor sempre direcionou suas ações e de um Delegado movido por sentimento de vingança, pelo problema que aconteceu com o pai dele, que era interventor da Santa Casa de Misericórdia. E que recebeu todo o amparo do senhor Luiz Zveiter na Justiça Estadual. Não é fácil brigar com um homem tão poderoso como o senhor Luiz Zveiter.
PHA: Deputada: a senhora sabe se o seu pai se sentiu recompensado com a informação de que o Ministério Público Federal resolveu investigar aquela operação que ele, na Câmara dos Deputados, denunciou como sendo a MP dos Porcos (na verdade, se julgava ali, se votava ali a MP dos Portos). E o Deputado Anthony Garotinho denunciou que era uma MP dos Porcos, porque havia participação, entre outros, do Eduardo Cunha e agora se vê, possivelmente, até do Presidente Michel Temer. Anthony Garotinho soube dessa notícia e ficou feliz com isso?
C.G.: É, eu não sei se ele soube, porque eu não posso falar com ele. Estou no Rio de Janeiro neste momento e ele está na cidade de Campos. Só posso falar com ele pessoalmente, ele está proibido de falar por telefone.
Mas, com certeza, essa notícia deve ter chegado a ele. Ele deve estar realmente feliz, porque a verdade vai aparecer. E durante muito tempo ele foi como uma voz pregando no deserto. Durante muito tempo ele ficou sozinho denunciando toda essa gangue do Sergio Cabral, do Eduardo Cunha...
PHA: Deputada, por favor, eu gostaria que a senhora registrasse que ele não pregou no deserto: ele pregou no deserto acompanhado do blog Conversa Afiada.
C.G.: Ah, disso eu não tenho a menor dúvida. Mas eu digo assim: era uma voz, principalmente no meio político, falando de forma muito solitária e ninguém dava ouvido. E o tempo está mostrando quem tinha razão. E o tempo também irá mostrar a verdade sobre o que está acontecendo agora. E eu peço às pessoas: não permitam que ele seja confundido com os ladrões que roubaram o estado do Rio de Janeiro. Porque o Garotinho não é ladrão, o Garotinho não tem contas no exterior, o Garotinho não tem mansões de luxo, o Garotinho não tem fazenda. O Garotinho é político e pautou a vida política dele toda em favor daqueles que mais precisam.
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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Oposição venezuelana perde a capacidade de convocar protestos. Depois da eleição da Constituinte, as ruas de Caracas voltaram a ter paz


Guarimbeiros em protesto violento contra governo de Maduro. Facínoras venezuelanos perde 
capacidade de convocar protestos.

A imagem de uma explosão em Altamira, bairro nobre de Caracas, rodou o mundo no dia 30 de julho 
desse ano, quando 8 milhões de venezuelanos saiam de sua casas para votar na Assembleia Nacional 
Constituinte (ANC). Grupos políticos ligados à extrema direita e a partidos opositores ao governo de 
Nicolas Maduro realizaram um atentado com explosivos, que atingiu homens da Guarda Nacional 
Bolivariana e deixou mais de dez feridos. Essa foi a última imagens de protestos violentos realizados 
pelos opositores.
Na semana seguinte à Constituinte, os partidos opositores convocaram uma protesto, mas apenas 100 
manifestantes compareceram ao local do ato. Desde então, acabaram as convocações, as barricadas, 
os piquetes, e as ruas de Caracas voltaram a ter paz.
O jornalista venezuelano Victor Hugo Majano afirma que o recuo da oposição está relacionado à 
importante participação da população no processo que elegeu 545 deputados constituintes. A 
oposição se recusou a participar da disputa.
“Foi uma derrota política muito contundente. O grande número de participação legitimou totalmente 
o processo eleitoral realizado pelo chavismo e o governo, apesar da propaganda maldosa que fizeram 
sobre a Constituindo no exterior. Também houve um certo desencantamento das pessoas devido ao 
uso da violência por parte da oposição durante os protestos”, apontou o jornalista.
Majano explica que, em quatro meses de enfrentamento de rua, boa parte dos protestos opositores 
tinha baixa adesão da população. 
“A maior parte desses protestos que a gente via era algo fictício e fabricado. Os protestos massivos 
que eles conseguiram mobilizar ocorreram no início de abril. De meados de abril até o final julho, o 
que vimos eram basicamente protestos com o fechamento de ruas. Ao interromper o tráfego, gerava 
um tipo de confrontação com as forças públicas que resultou em mortes. Trancavam a cidade com 
três ou quatro pontos de fechamentos de ruas e isso dava a sensação de que era algo massivo”, relata 
o jornalista, que escreveu reportagens investigativas sobre o tema.
Duas semanas depois da eleição da Constituinte, dois dos partidos da oposição que protagonizaram 
os protestos contra Maduro acumularam outra derrota - dessa vez, no contexto das eleições prévias 
para governador realizada pela Mesa da Unidade Democrática (MUD), coalisão que 18 partidos 
opositores.
As eleições internas da MUD são feitas para escolher um candidato único entre os postulantes 
opositores para, depois, concorrer com o candidato do Partido Socialista Unidos da Venezuela 
(PSUV), do presidente Nicolas Maduro. As primárias foram realizadas em função das eleições para 
governadores de 23 estados venezuelanos, convocadas para 15 de outubro.
O partido Primeira Justiça, liderado pelo atual presidente da Assembleia Nacional da Venezuela 
(ANV), Júlio Borges, ganhou em apenas três dos 19 estados onde houve disputa. Já o partido 
Vontade Popular, do político Leopoldo Lopez (que cumpre prisão domiciliar depois de ser acusado 
de liderar protestos violentos em 2014), não ganhou em nenhum estado. O processo foi liderado por 
um partido que representa a velha oligarquia venezuelana, o Ação Democrática, que se manteve 
afastado dos protestos violentos.
A derrota desses dois partidos é explicada pelo deputado da Assembleia Nacional, Juan Andres 
Mejias, do Vontade Popular, como um reflexo da frustração que abateu os militantes desses partidos.
“Como não alcançamos o resultado esperado, isso gerou uma frustração entre aqueles que nos 
apoiam. Enquanto isso, a Ação Democrática estava focada nas eleições regionais. Foi o que produziu 
esse resultado”, afirmou o deputado opositor.
Sobre o fim dos protestos opositores, Mejias atribui a desmobilização também à “frustração, que 
provocou uma tristeza emocional”.
O taxista Javier Barrios, ex-funcionário de uma concessionária de carro, sempre votou nas eleições 
internas da oposição e, dessa vez, decidiu não votar. “Nem minha família nem eu saímos para votar. 
Não sei te dizer ao certo porque. A verdade é que a MUD não ofereceu uma alternativa política para 
o país”, afirmou o jovem de 30 anos.
O Brasil de Fato entrou em contato com a assessoria de imprensa da MUD para solicitar entrevistas 
com seus dirigentes, mas não obteve resposta até o fechamento dessa reportagem.

Exército solta nota assinada pelo comandante Villas Bôas que busca reassumir controle das ações



O Exército acaba de soltar uma nota assinada pelo general Villas Bôas que seria desnecessária, não 
fosse a atual crise vivida no país que envolve também um receio de que as Forças Armadas se 
rebelem.
A nota tem dois recados. O primeiro é o de reafirmar o compromisso democrático da instituição. O 
segundo, o de deixar claro pra dentro quem manda na quitanda.
E suficientemente clara do ponto de vista interno. Villas Bôas estaria dizendo algo como: a partir de 
agora só eu falo pra fora.

Exército Brasileiro
BRAÇO FORTE MÃO AMIGA
DOCUMENTOS À IMPRENSA 

Nota de Esclarecimento

Com relação ao episódio veiculado em mídia que envolveu o General de Exército Antônio Hamilton 
Martins Mourão, o Comandante do Exército, General de Exército Eduardo Dias da Costa Villas 
Bôas, informa:

1. O Exército Brasileiro é uma instituição comprometida com a consolidação da democracia em 
nosso País.

2. O Comandante do Exército é a autoridade responsável por expressar o posicionamento 
institucional da Força e tem se manifestado publicamente sobre os temas que considera relevantes.

3. Em reunião ocorrida no dia de ontem, o Comandante do Exército apresentou ao Sr. Ministro da 
Defesa, Raul Jungmann, as circunstâncias do fato e as providências adotadas em relação ao episódio 
envolvendo o General Mourão, para assegurar a coesão, a hierarquia e a disciplina.

4. O Comandante do Exército reafirma o compromisso da Instituição de servir à Nação Brasileira, 
com os olhos voltados para o futuro.

Atenciosamente,

CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DO EXÉRCITO
EXÉRCITO BRASILEIRO
BRAÇO FORTE - MÃO AMIGA

Em resposta a Trump, Coreia do Norte vai testar bomba de hidrogênio no Pacífico

A ameaça feita por Donald Trump de esmagar a Coreia do Norte, em discurso na ONU, levará 
o presidente Kim Jong-un a testar no Oceano Pacífico a temida “Bomba H” — a bomba 
nuclear de hidrogênio.

da Agência Brasil
O ministro de Relações Exteriores da Coreia do Norte, Ri Yong-ho, disse hoje (22) que o país 
poderia testar uma bomba nuclear de hidrogênio no Oceano Pacífico, ação que faz parte da resposta 
de “alto nível” prometida pelo presidente Kim Jong-un às ameaças dos Estados Unidos.
“Poderá ser a mais poderosa detonação de uma bomba H no Pacífico”, disse o chanceler à imprensa 
da Coreia do Sul num hotel em Nova York, onde participa da Assembleia-Geral da ONU.
As declarações foram dadas em uma resposta sobre a mensagem do líder norte-coreano publicadas 
pouco antes. Kim Jong-un afirmou em comunicado divulgado pela agência de notícias estatal KCNA 
que Trump pagará muito caro por seu “excêntrico” discurso na ONU, no qual ameaçou “destruir 
totalmente” a Coreia do Norte.
O chefe da diplomacia norte-coreana acrescentou que, de qualquer modo, as medidas precisam ser 
ordenadas por Kim Jong-un, segundo as declarações divulgadas pela agência sul-coreana Yonhap.
No comunicado divulgado pela KCNA mais cedo, o líder disse que Trump insultou a Coreia do 
Norte e que teria uma resposta à altura. Além disso, Kim Jong-un chamou o presidente americano de 
“senil” e afirmou que o republicano é “mentalmente perturbado”
Em discurso na Assembleia-Geral da ONU na última terça-feira, Trump alertou que, se os Estados 
Unidos forem forçados a se defenderem ou a um de se seus aliados, não restará opção a não ser 
“destruir totalmente a Coreia do Norte”.

ENQUANTO ISSO VIRA LATAS DO BRASIL....