sexta-feira, 20 de abril de 2018

VÍDEO: O DEPOIMENTO DE LEONARDO BOFF PARA LULA



Se dirigindo a Lula e com lágrimas nos olhos, Boff disse, em frente à Polícia Federal, logo após 
ter sido negada sua visita ao lado do Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel: “Lula, eu 
estou aqui profundamente indignado, porque uma juíza com uma cabeça muito pequena não 
permitiu que um Prêmio Nobel da Paz, como o Adolfo Pérez Esquivel e eu, como teu amigo, 
pudéssemos entrar de forma humanitária, dar-te um abraço. Negaram a nossa humanidade e a 
tua”
por Marcelo Auler, de Curitiba 
Na manhã desta quinta-feira (19/04) o prêmio Nobel da Paz (1980), Adolfo Pérez Esquivel, e o teólogo Leonardo Boff aportaram na frente do prédio da Superintendência Regional do Departamento da Polícia Federal do Paraná (SR/DPF/PR). São dois velhos amigos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que tentaram visitá-lo na “sala reservada, uma espécie de Sala de Estado Maior”,  onde ele se encontra recolhido há 12 dias, em um cumprimento antecipado de pena. Os dois, porém, foram barrados.
Sem nenhum pedido de visita ajuizado, Boff  sequer foi recebido pelo superintendente em exercício, o delegado regional executivo, Roberval Vicalvi. A única concessão que mereceu foi um banquinho na guarita da entrada do estacionamento, enquanto servidores aguardavam orientação se ele poderia ou não entrar. Ele pretendia entregar a Lula dois livros. Um de sua autoria, “O Senhor É Meu Pastor”. O segundo do frade carmelita Carlos Mesters: “A Missão do Povo Que Sofre”. Saiu de Curitiba com os mesmos na bagagem.
Esquivel, como noticiado aqui em Lula aos filhos: estou melhor do que 90% da população, na segunda-feira (16/04) ajuizou um pedido de visita ao ex-presidente. Nele especificou que estaria na cidade entre a noite de quarta-feira e à tarde de sexta-feira. Horas depois, apresentou em juízo um “Comunicado de Inspeção” que pretendia fazer, respaldado nas “Regras de Mandela” – um normativo aprovado pela ONU que foi recepcionado, no Brasil, pelo Conselho Nacional de Justiça, em 2016.
Responsável pela execução da pena de Lula, a juíza Carolina Moura Lebbos, na quarta-feira, às 14h32,  em despacho de 58 linhas, com 557 palavras, apenas justificou os motivos de indeferimento do segundo pedido ajuizado pelo Prêmio Nobel da Paz – da inspeção. Não fez menção à solicitação de visita, mesmo depois de o Ministério Público Federal não ter se oposto e a defesa de Lula esclarecer que mais do que concordar, o ex-presidente desejava ver o amigo, como noticiado aqui em Lula à juíza: desejo ver Esquivel.
Se sobrepondo ao direito divino – Diante do silêncio da juíza e preocupadas com o fato de as visitas a Lula terem sido estabelecidas nas quintas-feiras, as advogadas do argentino, no final da tarde de quarta-feira, por meio de um embargo, pediram que ela se manifestasse quanto à visita.
Ela voltou a despachar no processo às 12h27 de quinta-feira, mas ainda assim nada decidiu. Com outras 97 palavras expôs que a urgência existiu em afastar a possibilidade de Inspeção. Da visita em si, alegou não existir motivo de pressa, apesar da passagem rápida de Esquivel por Curitiba:
A urgência alegada, por sua vez, não resta caracterizada. Isso porque a prévia indicação de data pelo requerente, com curto lapso de antecedência, baseia-se apenas em critério de comodidade. Não há risco efetivo de perecimento de direito“, despachou.
Ao deixar de analisar o pedido de Esquivel, que mora fora do país e está em Curitiba de passagem, ainda que tenha especificado não haver risco de efetivo perecimento de direito, na realidade o réu deixou de usufruir, no dia marcado para as visitas, o direito que a própria Lei de Execução Penal prescreve: receber a visita de amigos. Uma delas com conotação até espiritual.
Boff, na quarta-feira à noite, no evento “Constituição da Primavera”, realizado no teatro da reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explicou que ao visitar Lula cumpriria um preceito divino. Mas, como previu na ocasião, “um juiz que maneja as leis humanas acabou se sobrepondo às leis divinas”:
Vim para cá, a convite de vocês todos, mas também por um motivo particular. Para visitar o velho amigo, de 30 anos, que está encarcerado e cumprir um preceito evangélico que está em Mateus, 25, que diz: “quando estava com fome me deste o que comer; quando estava nu me cobristes; quando estava encarcerado me visitaste”. Eu vim visitá-lo encarcerado. Agora, o que me espanta é que um juiz que maneja leis humanas pode se sobrepor a uma lei divina. Isso é injusto. Isso é indigno“.
Deferência gerou isolamento – A prisão de um ex-presidente, como descreveu o senador João Capiberibe (PSB-AP), na terça-feira (17/04), após participar da diligência à PF-PR dos onze senadores da  Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal, “é um caso raríssimo na História do nosso país”. 
Na verdade, uma situação inédita que muitos não sabem como lidar. Afinal, trata-se não apenas de um ex-presidente, mas de uma liderança política – queiram ou não seus adversários e algozes – reconhecida mundialmente e, como enfatizou Capiberibe, líder que mesmo condenado mantém a preferência de 31% do eleitorado – mais do que o dobro do segundo colocado – na corrida à Presidência da República.
Há um debate, que vai longe, se Lula é ou não preso político. Mas, independentemente dele, o entendimento de que Lula teve um julgamento político já ultrapassou ao âmbito dos chamados “operadores do Direito”. Começa a ser admitido por parte da população, como ficou claro na publicação pelo O Estado de S. Paulo, no sábado (14/04), da pesquisa do Instituto Ipsos, aqui citada em Lula aos filhos: estou melhor do que 90% da população.
Nela, 77% dos consultados concordaram com a tese de que “Os poderosos querem tirar Lula da eleição”; outros 55% apoiaram que “A Lava Jato faz perseguição política contra Lula”; e, por fim, 47% entenderam que “A Lava Jato até agora nada provou contra Lula”, contra exatos 47% que pensam ao contrário.
Lula, na verdade, é um preso diferenciado. A começar pela “deferência” concedida pelo juiz Sérgio Moro: o uso de uma “sala reservada, uma espécie de Sala de Estado Maior”. Ela, porém, lhe gerou ônus.
A iniciativa de Moro provavelmente resultou mais da preocupação com a segurança do réu do que o alegado reconhecimento pelo cargo que ocupou. Afinal, na carceragem da Polícia Federal estão alguns dos “delatores de Lula” – entre os quais o ex-ministro Antônio Palocci e Léo Pinheiro, presidente da OAS. Levar o ex-presidente para lá não era aconselhável. Preferiram adaptar um novo espaço no quarto andar da superintendência. Com isso, consciente ou inconscientemente, o isolaram. Isolamento não previsto na sentença, tampouco respaldado em alguma falta disciplinar do apenado. Logo, discutível legalmente.
Fins de semana sozinho – Embora todos que estiveram com o preso, incluindo advogados, reconheçam que as acomodações são boas perto do que se conhece de presídios e carceragens, a tendência era de Lula permanecer seis dos sete dias da semana com contato apenas com os policiais que o vigiam. As visitas se limitam às quintas-feiras. Até no banho de sol ele fica solitário.
O isolamento só é quebrado por conta do providencial rodízio de advogados, que o visitam diariamente. Menos nos finais de semana, quando isso não é permitido. Daí a promessa dos senadores de no relatório da diligência que levarão ao plenário do Senado proporem saídas para esta situação. A dúvida é como fazê-lo sem criar privilégios ao preso.

TRANSTORNADO MENTALMENTE, POSTIÇO SE COMPARA A TIRADENTES E DIZ QUE SEU GOVERNO AINDA SERÁ RECONHECIDO


Postiço dirá em pronunciamento que seu governo é mais reconhecido no exterior...kkkkkkk...

Temer gravou nesta semana 1 pronunciamento que irá ao ar nesta 6ª feira (20.abr.20189) às 20h em 
rede nacional. Fará comparação sua com Tiradentes –homenageado com feriado no sábado (21.abr)– 
e dirá que seu governo não tem sido reconhecido por seus feitos.
Temer apontará aquilo que tem sido praxe em seus discursos: redução da inflação, da taxa de juros, 
crescimento do emprego e do PIB brasileiro.
Além disso, seguirá a linha dos últimos discursos seus e de seus integrantes de governo: o Brasil é 
mais reconhecido internacionalmente que pelos próprios brasileiros.
O presidente se coloca como 1 pré-candidato à Presidência da República, cargo que ocupa desde 
2016, após o impeachment de Dilma Rousseff. A alta rejeição ao seu governo e baixa intenção de 
votos são os impeditivos para que o plano do emedebista se concretize.
O pronunciamento tem 5 minutos e foi gravado na noite de 4ª feira (18.abr) no Palácio da Alvorada.
Temer também deve pedir “união nacional” e tentará se impor como chefe de Estado. Fará que é 
necessário apoio para “não perder o que foi conquistado”.
O presidente também deve fazer 1 discurso de defesa da Constituição, como tem feito em especial 
nos últimos meses. Professor de direito constitucional, o presidente se sente à vontade para falar 
sobre a área.
O discurso deve seguir o roteiro de que o presidente é 1 defensor da Constituição. Tentará afastar a 
imagem de Temer das investigações da qual é alvo. Além de duas denúncias da qual já foi alvo –e 
que a Câmara arquivou–, o presidente também é investigado pela Procuradoria Geral da República 
por supostamente participar de 1 esquema de propina no porto de Santos.
Temer falará que seu governo é defensor das liberdades individuais. “Celebramos a liberdade da 
imprensa brasileira. A liberdade de agir segundo a própria vontade desde que isso não prejudique a 
outra pessoa”, dirá o presidente.

FAKE NEWS EM HARWARD: PICARETAS DO REGIME DE EXCEÇÃO DÃO PALESTRA EM CENTRO ACADÊMICO NOS EUA



No Jornal GGN   O oba-oba dos seminários de Harvard
por André Araújo


Moro e o Ministro Luis Roberto Barroso aparecem na imprensa brasileira de hoje como palestrantes em um seminário na Harvard Law Wchool, a Escola de Direito da Universidade de Harvard. Em toda a mídia apareceu essa notícia para demonstrar a importância dos palestrantes.
Não é bem assim. O Simpósio onde eles palestraram é na Associação dos Estudantes Brasileiros da Harvard Law School, um centro acadêmico criado por brasileiros entre as quais Luna van Brussell Barroso, filha do Ministro Barroso. Trata-se, portanto, de evento bem menor do que algum patrocinado pela própria Escola de Direito de Harvard como foi divulgado na mídia brasileira. A Escola tem muitos eventos diariamente, há dias com mais de 30 eventos, mas esse Simpósio não é da Escola e sim da Associação, é palco bem diferente porque não é de responsabilidade institucional da Escola.
Nessa entrevista de hoje Sergio Moro mencionou, como referência ao combate à corrupção, o Presidente Theodore Roosevelt. Vamos refrescar a memória. Esse presidente foi o mais imperialista entre os Presidentes americanos do Século XX, criou a política do Big Stick, ou seja, do porrete, para intervir na América Latina protegendo interesse de empresas americanas, invadiu e ocupou a República Dominicana em 1905 e Cuba em 1906. Mas o grande feito dele foi financiar com dinheiro a rodo os secessionistas do Istmo, província colombiana, para que eles se separassem da Colômbia e criassem um novo País, na realidade uma colônia americana, com bandeira americana nos dois lados do Canal, mais de cem edifícios e quarteis, base aérea e naval, a chamada “Zona do Canal ” para lá construir o Canal do Panamá inteiramente controlado pelos EUA, sendo que o dolar americano é até hoje a moeda oficial do Panamá.
Esse Theodore Roosevelt é para o juiz Moro o exemplo na luta contra a corrupção, citado por ele ontem na entrevista a propósito desse Simpósio.
Provavelmente o Presidente americano combatia as gorjetas para a polícia de Nova York, notoriamente corrupta naquele tempo, e no andar de cima operava para as grandes empresas americanas na América Latina, Sergio Moro citou um exemplo infeliz, Theo Roosevelt nunca foi um santo nem para seus patrícios, tomá-lo como paladino da moral é uma piada até para os gringos.ool, um centro acadêmico criado por brasileiros entre as quais Luna van Brussell Barroso, filha do Ministro Barroso. Trata-se, portanto, de evento bem menor do que algum patrocinado pela própria Escola de Direito de Harvard como foi divulgado na mídia brasileira. A Escola tem muitos eventos diariamente, há dias com mais de 30 eventos, mas esse Simpósio não é da Escola e sim da Associação, é palco bem diferente porque não é de responsabilidade institucional da Escola.
Nessa entrevista de hoje Sergio Moro mencionou, como referência ao combate à corrupção, o Presidente Theodore Roosevelt. Vamos refrescar a memória. Esse presidente foi o mais imperialista entre os Presidentes americanos do Século XX, criou a política do Big Stick, ou seja, do porrete, para intervir na América Latina protegendo interesse de empresas americanas, invadiu e ocupou a República Dominicana em 1905 e Cuba em 1906. Mas o grande feito dele foi financiar com dinheiro a rodo os secessionistas do Istmo, província colombiana, para que eles se separassem da Colômbia e criassem um novo País, na realidade uma colônia americana, com bandeira americana nos dois lados do Canal, mais de cem edifícios e quarteis, base aérea e naval, a chamada “Zona do Canal ” para lá construir o Canal do Panamá inteiramente controlado pelos EUA, sendo que o dolar americano é até hoje a moeda oficial do Panamá.
Esse Theodore Roosevelt é para o juiz Moro o exemplo na luta contra a corrupção, citado por ele ontem na entrevista a propósito desse Simpósio.
Provavelmente o Presidente americano combatia as gorjetas para a polícia de Nova York, notoriamente corrupta naquele tempo, e no andar de cima operava para as grandes empresas americanas na América Latina, Sergio Moro citou um exemplo infeliz, Theo Roosevelt nunca foi um santo nem para seus patrícios, tomá-lo como paladino da moral é uma piada até para os gringos.

ZÉ DIRCEU: O LEGADO DE LULA ESTÁ SENDO DESMONTADO

Eu não posso brigar com a cadeia, nem me render; vou ler, estudar e fazer política, diz Dirceu

José Dirceu, perseguido e prestes a ser preso pelo nazista Judge Murrow, deu uma longa entrevista 
para a jornalista Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo. Falou sobre Lula.

Dirceu: “nosso lado é o lado do povo, o lado do Brasil”.

O ex-ministro José Dirceu, 72, teve seus recursos negados na quinta (19) pelo Tribunal Regional 
Federal da 4ª Região e pode ser preso a qualquer momento por ordem do juiz Sergio Moro.
Por seus próprios cálculos, ele pode entrar na cadeia para não sair nunca mais. “É uma hipótese”, 
admite.
Com uma “tosse nervosa” e os olhos inchados por causa de uma operação que fez nas pálpebras —
entre outras coisas, para enfrentar a fraca luz da prisão e manter o hábito da leitura—, ele recebeu a 
Folha um dia antes do julgamento para a seguinte entrevista.

Folha – Como o senhor se sente hoje, prestes a ser preso de novo?
Dirceu – O país vive uma situação de insegurança e instabilidade jurídica, de violação dos direitos e 
garantias individuais. O aparato judicial policial se transformou em polícia política.
Como a minha vida é o PT e o projeto que o Lula lidera, eu tenho que me preparar para continuar 
fazendo política. Eu não posso me render ao fato de que vou ser preso.
O senhor está com 72 anos e foi condenado a 41 anos de prisão. Estamos falando de um regime 
fechado de sete anos.
É. E eles acabaram com a progressão penal. Você só pode ser beneficiado se reparar o dano que 
dizem ter causado. E como, se todos os seus bens estão bloqueados? Acabaram com o indulto [para 
crimes de colarinho branco]. Vamos cumprir a pena toda.
Então o senhor pode entrar agora na cadeia para não sair nunca mais?
É uma hipótese.
E como se sente?
Não muda nada. Preso ou aqui fora, vou fazer tudo o que eu fazia: ler, estudar e fazer política.Eu 
tenho que cumprir a pena. Eu não posso brigar com a cadeia. O preso que briga com a cadeia cai em 
depressão, começa a tomar remédio.
Os presos antigos, de forma jocosa mas a sério, quando veem um de nós não aceitando… porque é 
duro perder a liberdade. Quer dizer, não perde porque não perde a liberdade de criar, de pensar, e 
também não perde o afeto, o amor. Milhões de pessoas vivem numa condição subumana por causa da 
pobreza, da exploração. E criam, né? Fazem música, arte, criam os filhos, batalham.
Mas eles [presos antigos] dizem [para quem chega na cadeia]: “Já chorou bastante? Já rezou? Já 
chamou mamãe? Já leu a Bíblia? Então agora, cidadão, começa a trabalhar! Arruma emprego aqui 
dentro pra fazer remissão [da pena]. Estuda, viu?
Outra coisa: arruma a tua cela. Transforma aquilo num mocozinho seu, num apartamentinho, põe 
fotografia da tua filha, põe a bandeira do teu time. Limpa ela direitinho, melhora o que você come. 
Joga futebol. Porque você vai ficar aqui quatro anos. [Aumentando o tom de voz]. Tá entendendo o 
que eu tô te falando? Ou você quer ficar igual àqueles lá? [referindo-se a presos deprimidos].
Aquilo ali é três Frontais [remédio para ansiedade] por dia. Olha como ele já tá andando durinho. É o 
crack em parte que queimou a cabeça dele. Mas o resto é a depressão.
O senhor ouviu esses conselhos quando entrou no sistema penitenciário?
Ouvi. Eu cheguei muito deprimido no CMP [Complexo Médico Penal de Pinhais, em Curitiba]. A 
minha filha estava denunciada —depois ela foi inocentada—, o meu irmão estava preso.
Eu tomava indutor do sono. Mas logo parei. Fui buscar emprego na biblioteca. Li cem livros no um 
ano e nove meses em que fiquei lá.
Outros presos vão trabalhar na lavanderia, consertam roupa, outros vão para a censura para ver se os 
Sedex [enviados pelas famílias] estão dentro da norma, orientados por um agente.
E eu virei, né? Todo sábado e domingo, quando fazíamos almoços coletivos, eu também escrevia as 
minhas memórias, na cela, à mão.
E como era a convivência com Eduardo Cunha?
Normal. Você está preso. Convive com [condenados pela lei] Maria da Penha, com um pedófilo 
condenado a cem anos de prisão. Ele é o chefe de um setor. É uma pessoa normal, quieta.
A primeira reação é “não vou falar nunca com ele”. Depois de três anos, minha cara, não adianta. 
Tem que falar.
Lá tá todo mundo na mesma m., entendeu? Há uma solidariedade. “Vamos evitar que o velhinho 
pegue sarna, vamos limpar a cela dele, vamos levar ele para tomar banho”.
Se contamina uma cela, pode contaminar todas as 32 celas da galeria, com sarna, com pulga. Temos 
que cuidar para que todo mundo ferva a água.
E o Eduardo Cunha?
Ele é muito disciplinado. Dedica uma parte do tempo para ler a Bíblia, frequenta o culto. Conhece a 
Bíblia profundamente. E em outra parte do tempo se dedica a ler os processos.
É uma convivência normal. Vamos limpar os banheiros? Vamos. Vamos lavar os corrimões? Vamos.
Tem que limpar o xadrez todos os dias, lavar as portas e a galeria, para evitar doenças. Nós ficamos 
na sexta galeria, [que abriga] os presos da Lava Jato, Maria da Penha, advogados, empresários, 
alguns condenados por crimes sexuais. São 60 presos, separados dos 700 [do complexo penal].
Falavam de política?
Falávamos. Sempre tem uma hora em que um preso joga xadrez, dominó, o outro toca música, ou 
está acabando de almoçar, voltando do trabalho. Nessas horas você sempre conversa.
E todo mundo é inocente, né? O cara matou a avó, fritou o gato dela, comeu. Mas ele começa a 
conversar com você e a reclamar que é inocente.
Ficam mais tempo trancados ou circulando?
Ficamos na tranca quando tem rebelião no sistema porque se tem em uma cadeia pode ter na outra. 
No dia a dia, levantamos às 6h30. Os carros chegam entregando o café da manhã. São muito 
barulhentos. Todo mundo acorda. Aí sai da cela. Quem tem que trabalhar vai trabalhar.
Às 11h30, chega o almoço. Tudo lá é simples, mas honesto. A comida é simples —de pensão, de 
quartel—,mas honesta. A roupa de cama é simples, mas honesta. Às 13h30, alguns presos vão ao 
médico, outros ao parlatório [falar com os advogados]. Todos podem ir na biblioteca retirar um livro.
Desce no pátio duas horas por dia para jogar futebol e tomar sol. E volta. Desce uma vez por semana 
para ver a família. E volta. Por três, quatro, dez anos, você passa a maior parte do tempo numa 
galeria de 120 m por 30 m com várias celas. Essa é a realidade do preso.
E as visitas da família?
Você não pode receber a tua família mal. A gente briga muito com os outros presos: “Tua família não 
pode te ver assim. Fique melhor. Se arruma. Levante o ânimo. Imagine como vai ficar a tua mãe”.
E, se a família chega chorando, o preso volta da visita, deita na cama e cai. É duro ver a família indo 
embora. É duro. Muitos choram.
O senhor conviveu com Antonio Palocci?
Estive com ele uma só vez, na Polícia Federal. Foi quando ele me disse —ele usou esta expressão: “o 
Leo [Pinheiro, ex-executivo da OAS] vai salgar o Lula [o empreiteiro revelou à Justiça que pagou a 
reforma do tríplex do petista]”.
E me disse que ele mesmo ia relatar, em depoimento, como era o caixa dois no Brasil. Deu a 
entender que ia falar do sistema bancário, eu entendi que ia falar da TV Globo. E fiquei apreensivo. 
Voltei e conversei com o Eduardo [Cunha] e com o [João] Vaccari [ex-tesoureiro do PT que está 
preso]: “Tô achando que o Palocci vai fazer delação”.
Os dois ficaram indignados comigo. Principalmente o Eduardo, que disse: “Eu convivi com ele. Em 
hipótese nenhuma”. Eu deixei para lá.
É verdade que o marqueteiro João Santana contou para o senhor que delataria?
O que fizeram com a Mônica [Moura], mulher dele, foi terror psicológico. Colocaram ela na triagem 
de Piraquara, uma das piores penitenciárias do Paraná, totalmente dominada pelo crime.
Colocar na triagem significa o seguinte: te colocam numa cela pequena, sem luz, sem nada. Te dão a 
comida pela bocuda. Sai para tomar banho dez minutos e volta. Em dois dias você faz delação, né?
E isso não é uma tortura psicológica?
Ele falou para mim depois, um pouco como desabafo, angustiado: “Não tenho condição”. 
Preocupado, né? Porque as pessoas têm vergonha de fazer delação.
Eu falei: “João Santana, da minha parte você vai continuar tendo o meu respeito. Essa é uma questão 
de vocês”. Já os empresários têm as razões deles, salvar a empresa, o patrimônio, os empregos.
O senhor também conviveu com o Marcelo Odebrecht.
Ele ficava sozinho numa cela. É afável, educado. Mas tem uma vida muito própria. Faz ginástica 
oito, dez horas por dia. Então não convive, né? Todo mundo sabia que ele era assim e todo mundo 
respeitava.
Ele se comportou muito bem. Até poderia ser de maneira diferente, pelo que representava. Mas ali é 
todo mundo igual. Preso não aceita [comportamento diferente]. Quando você entra no sistema, tem 
que pôr na cabeça o seguinte: “Eu sou preso. Aqui eu sou igual a todo mundo”. Os presos te 
respeitam se eles veem que você é um deles.
Como vê a perspectiva de Lula ficar preso sozinho? Ele suporta o isolamento?
Como o tratamento é respeitoso e ele recebe advogados todos os dias, e a família uma vez por 
semana, vai se adaptando.
O pior para ele já aconteceu: a indignidade de ser condenado e preso injustamente. Depois disso, tem 
que se adaptar às condições e transformar elas em uma arma para você. Esse é o pensamento. Mas eu 
acho que raramente um ser humano suporta ficar um ano num banheiro e quarto vendo três vezes por 
dia alguém trazer comida para ele.
Agora surgiu a ideia de o Lula ir para um quartel. Seria pior ainda. Porque eles não que em ninguém 
lá. A função do quartel não é ser presídio. Ele vai ficar mais isolado.
E ele não consegue?
Eu acho que ele não deve. É uma questão política. Ele deve conviver com outras pessoas, pensar o 
país, pensar no que está acontecendo. Ele não está proibido de fazer política só porque está preso.
Se o Lula vier para a sexta galeria [unidade do complexo penal em que Dirceu ficou detido], verá 
que é uma convivência normal. É muito raro ter um incidente. E na prisão você conversa, aprende 
muita coisa. As pessoas têm muito o que ensinar.
Às vezes você acredita no mito que criam sobre você. Que você é especial, que teve uma vida, no 
meu caso, que dá até um filme. Mas você começa a conversar com um preso comum, e descobre que 
é fantástica a vida de cada um lá.
O que o senhor sentiu quando viu Lula sendo preso?
Eu sou muito frio para essas questões, sabe? Acho que ele fez o que tinha que fazer, aquela 
resistência simbólica foi necessária. E nós ganhamos essa batalha política e midiática.
Mas nada mexeu com o senhor?
Eu fiz da minha vida praticamente o Lula. E me mantive leal a ele. Não faltaram oportunidades, 
amigos e companheiros que me empurravam para romper com ele, em vários episódios. Mas eu 
sempre achei que a obra do Lula, a liderança dele, o que ele fez pelo país, compensava qualquer 
outra coisa. Então eu não dei importância. Depois de uma semana, já não lembrava.
Em 2011, eu estava num barco alugado, pescando, e recebi um telefonema com a informação de que 
o Lula estava com câncer. Eu chorei. Me deu a sensação de que poderia ser o começo do fim da vida 
do Lula. Mas agora, como já passei três vezes pela prisão, é diferente.
Você tem que lutar por todos os meios, legais e políticos, para ser solto. Mas sempre tenho a ideia de 
que, se souber levar a prisão, ela pode se transformar numa melhora para você mesmo. De estudo, de 
pesquisa, de reflexão.
Em algum momento dessas reflexões na prisão o senhor concluiu que errou e cometeu crimes?
Eu não cometi crimes. Não há nenhuma prova, nenhum empresário ou diretor afirmando que eu pedi 
alguma coisa na Petrobras. O que eu errei? Na minha relação com [o lobista e delator] Milton 
Pascowitch. Eu comprei um imóvel, financiei, paguei a entrada.
Ele reformou o imóvel. Eu não paguei. Foi um erro meu. Eu não poderia ter estabelecido essa 
relação.
Era um empréstimo não declarado. Que virou propina. Foi uma relação indevida. Admito. Mas não 
criminosa.
O senhor já disse que a militância é solidária mas que vocês cometeram muitos erros.
Eu estava falando de mim. Eu sempre digo: eu tenho apoio da quase absoluta maioria da militância 
do PT porque ela é generosa. E essa solidariedade não é porque todos concordam com minhas ideias 
nem pelo que fiz na minha vida profissional recente. É pelo que eu fiz pelo PT, pelo Brasil, pelo 
Lula. É pelo que eu represento.
Querer ser consultor e ganhar dinheiro foi um erro?
Eu não queria ganhar dinheiro. Eu queria sustentar a minha defesa e a minha vida política. Eu não 
tenho patrimônio. A casa da minha mãe eu tinha comprado antes, o apartamento do meu irmão foi 
financiado.
Eu tenho R$ 2.000 na minha conta. É só ver como eu vivo, no apartamento da minha sogra. É só 
perguntar para o prédio sobre o IPTU. Vai na escola da minha filha perguntar sobre a mensalidade.
Quais foram os erros que o senhor cometeu então?
Eu não deveria ter feito consultoria. Ela cria um campo nebuloso entre os meus interesses como 
consultor e o interesse público. Eu ficava me lamentando: “Por que eu fui fazer essa coisa 
[consultoria] com a Engevix [pela qual foi condenado]?”
O Vaccari falava: “Para com isso, Zé Dirceu. Você não foi condenado por isso”. Depois fui 
condenado em outro processo sem ter nada a ver com nada. E o Vaccari falou: “Tá vendo?”.
Então eu às vezes fico dividido. E concluo que na verdade eu fui condenado por razões políticas. Eu 
não fui condenado pelas consultorias que prestei.
Lula fez um governo aprovado por 83% dos brasileiros. Por outro lado, desvios de milhões foram 
comprovados. O fato de vocês terem financiado campanhas com dinheiro de estatais e caixa dois não 
seria razão para um arrependimento, uma autocrítica?
Nós temos que denunciar o que fizeram conosco, e não foi por causa de nossos erros. O legado do 
Lula, o nascente estado de bem-estar social que ele consolidou, está sendo todo desmontado. Estão 
desfazendo a era Lula como quiseram desfazer a era Getúlio.
Eu faço o balanço histórico: estamos do lado certo e o saldo de tudo o que fizemos é fantástico. Eu 
vou dizer uma coisa para você: a Igreja Católica Apostólica Romana tem uma história de crimes 
contra a humanidade.
Não vou nem falar das Cruzadas ou da Inquisição. Se eu for olhar para ela, vou mandar prender 
todos os padres e bispos porque a pedofilia é generalizada. Ou não é? Mas é a Igreja Católica 
Apostólica Romana. A vida é assim. O mundo é assim.
O PT cometeu erros? Muitos. Mas tem uma coisa: o lado do PT na história, o nosso lado, é o lado do 
povo, do Brasil.
Não tinha outro jeito de financiar campanha?

Tem: o autofinanciamento com apoio popular. Mas, nas condições que estávamos enfrentando, era 
impossível fazermos isso. Porque a dinâmica da vida política, do sistema, é essa. A solução seria 
financiamento público com lista [partidária]. O PT lutou, o Lula lutou também por isso. Mas 
ninguém quis fazer.
Alguma vez o senhor imaginou que a história terminaria com o senhor e o Lula presos?
A tentativa de derrubar o nosso governo eu sempre imaginei. Toda vez que no Brasil há um 
crescimento muito grande das forças políticas sociais, populares, de esquerda, nacionalistas, 
progressistas, democráticas, isso acontece.
De 1946 a 1964, o Brasil viveu sob expectativas de golpe contra governos trabalhistas, getulistas. O 
Juscelino [Kubitschek] só tomou posse porque o [marechal Henrique Teixeira] Lott deu o 
contragolpe.
Só teve a posse do Jango porque [Leonel] Brizola se levantou em armas. Aliás, só derrotamos 
tentativas de golpe quando a gente tem armas. Estou falando sério.
Mas essa seria uma possibilidade?
A solução hoje é igualzinha à que eles fizeram. Desestabilizaram o governo Dilma. Impediram que 
ela aprovasse uma pauta de ajustes. Colocaram milhões de pessoas na rua e buscaram uma solução 
legal. Nós devemos fazer a mesma coisa.
E têm força para isso?
Temos. Pode demorar dois, quatro, seis anos, mas temos. Você não desmonta a estrutura de bem-
estar social que o país tem sem consequências. As forças políticas e sociais vão ganhando 
consciência. Vão surgindo novas lideranças, novos movimentos.
O país vai ter um longo ciclo de lutas. Mas primeiro é ganhar a eleição. No segundo turno, se as 
esquerdas se unirem, teremos força para isso.
Quem o senhor coloca como esquerda?
Os candidatos do PSOL, do PC do B, o PT, o PDT e o PSB.
O senhor então inclui o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, hoje no PSB?
É um candidato que pode ser cooptado pela direita. Mas pode ser que não. É uma incógnita.
O senhor votaria nele no segundo turno contra contra alguém da direita?
Bem, essa hipótese… vamos esperar. O meu candidato é o Lula. Nós temos que lutar pela liberdade 
dele, mantê-lo como candidato e registrá-lo em agosto.
Se não fizermos isso, será um haraquiri politico. Nós dividiremos o PT em quatro ou cinco facções. 
Nós temos que manter o partido unido. Daqui a 60 dias, o Lula vai tomar a decisão do que fazer, 
consultando a executiva, os deputados.
Como ele fará uma consulta de dentro da prisão?
Da prisão você consulta quem quiser. Lula vai transferir de 14% a 18% de votos para o candidato 
que ele apoiar.
De dentro da prisão?
É a coisa mais fácil que tem. É só ele falar o que ele pensa.
Mas a gente sabe o trabalho que deu para ele transferir votos em outras eleições. Ele aparecia na TV 
todos os dias, viajava pelo país.
Sabe qual é a diferença de 2014? É que o lado de lá tem a TV Globo, o aparato judicial militar e o 
poder econômico. Mas está mais desorganizado e enfraquecido do que nós.
Eu tenho confiança de que o fio da história do Brasil não é o fio das forças da direita. O fio da 
história do Brasil é o fio que nós representamos.
________________________________________________

A "JUISSA" TELEGUIADA POR MURROW: OBAMA QUER VISITAR LULA.... VAI IMPEDIR?


A "Juíssa" Carolina Lebbos cuida da execução
penal de Lula. É teleguiada por Sergio Moro. Já
proibiu governadores e até o prêmio Nobel da
Paz Adolfo Perez Esquivel de visitarem Lula.
Agora, o país dos chefes de Moro enviará um
figurão para visitar Lula. Será que Moro ou sua
títere também vão impedir?
Em caso recente, a juíza impediu visita do
ativista argentino de direitos humanos e Prêmio
Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel e do
teólogo brasileiro Leonardo Boff ao ex-
presidente Lula.
A juíza em questão adotou como prática medidas ao gosto dos inimigos do ex-presidente Lula,
produzindo material para a mídia exercitar o sadismo antipetista, como impedir visitas ao ex-
presidente, que já se recente da internação em uma cela “solitária”.





Essa juíza tem tomado decisões em lugar do juiz titular da execução penal de Lula, Danilo Pereira
Júnior, titular da 12ª Vara, onde ela atua. Como ele é constantemente convocado para assumir outras
funções no Judiciário, essa juíza tem assumido em vários momentos o dia a dia da execução penal de
pessoas condenadas na Lava Jato.
Entre elas, Lula.
Segundo uma advogada que tem um cliente preso na Lava Jato e que falou à imprensa sob condição
de anonimato, é comum que, antes de a juíza Carolina Lebbos tomar decisões sobre a execução das
penas, envie ofícios ao juiz Sergio Moro para que ele se manifeste sobre os casos.
“Ela pede muito a bênção do Moro”, disse a advogada.
Agora, porém, essa disposição para torturar Lula vai ser posta à prova. Moro, a Globo e a juizinha
teleguiada vão ter que desagradar seus patrões ianques, pois, segundo o Blog do Esmael, aliados do
PT nos Estados Unidos, como o linguista Noam Chomsky, articulam a visita a Lula do ex-presidente
norte-americano Barack Obama.
Durante o governo Lula, ele se tornou amigo pessoal de inúmeras personalidades internacionais,
entre elas Barack Obama. A amizade dos dois nasceu dessa conversa em uma reunião de cúpula que
você vai ver – ou rever -no vídeo a seguir
A grande pergunta, é: Moro e sua juíza controlada por joystick vão maltratar e debochar de um ex-
presidente como fizeram com os idosos Leonardo Boff e Adolfo Perez Esquivel? Terão coragem, de
desagradar o país ao qual devotam vassalagem?
Veremos.

LEI ROUANET LIBERA R$ 1,3 MI PARA FHC FAZER PROPAGANDA DO PLANO REAL

No momento em que setores do Poder Judiciário tentam asfixiar financeiramente o Instituto 
Lula, o Ministério da Cultura do atual governo de Michel Temer, fruto de um golpe liderado 
pelo PSDB, autorizou o Instituto FHC a captar R$ 1,3 milhão para promover uma exposição 
que faz propaganda sobre o Plano Real, ocorrido há 24 anos; nesta sexta-feira, em mais uma 
entrevista, FHC, que segundo sua ex-amante Miriam Dutra tem apartamentos em Paris e Nova 
York, disse que Lula, condenado por reformas inexistentes num imóvel da OAS no Guarujá 
(SP), não é um preso político, mas sim um "político preso"; embora conte com a mídia e as 
"instituições" a seu favor, FHC não consegue ter o reconhecimento de Lula, que lidera todas as 
pesquisas sobre sucessão presidencial

A Fundação Fernando Henrique Cardoso poderá captar até R$ 1.291.364,97, pela Lei Rouanet, para 
atualizar a exposição “Um plano real: a história da estabilização do Brasil”.
A mostra permanente da fundação “recria a experiência da crise de hiperinflação das décadas de 
1980 e 1990 e mostra a retomada da estabilidade econômica com a implantação do Plano Real”.
_______________________________

ESCARNIO !! VENCEDORA DO BBB GRITA ‘LULA LIVRE’ NA LATA DA GLOBO!!


A vencedora do Reality Show Big Brother Brasil, produzido e veiculado pela Rede Globo, 
gritou “Lula Livre” ao se reencontrar com a família; acreana, Gleici Damasceno é militante de 
direitos humanos e foi avisada da prisão de Lula pelo seu irmão no momento de reencontro 
com a família.

GENERAL VILLAS BÔAS ESTÁ NO GOLPE


O Brasil à deriva

Joaquim Xavier no Conversa Afiada

Qualquer um que se arrisque a cravar um prognóstico sobre o que vai acontecer no país daqui a um 
mês será um charlatão. A velocidade da deterioração institucional é tamanha que tanto o 
cancelamento de eleições, uma quartelada, novos assassinatos, uma explosão social ou algum fato 
imprevisto são possíveis. O país está à deriva.
Mas certos caminhos e objetivos estão traçados. Assim como seus riscos. Se vão se realizar, é outra 
história. Sobre eles, dá para dizer muita coisa.
É clara a tentativa da elite golpista de sepultar definitivamente qualquer saída respeitando a 
soberania nacional e a vontade popular. A operação é de intensidade luminar. Nem é preciso falar 
muito da mídia hegemônica, que despeja mentiras “informativas” numa quantidade e frequência que 
não se via desde o golpe de 1964. Tome-se um exemplo: a manipulação, pelos próprios donos, da 
pesquisa Datafolha, é de fazer corar até tiranos assumidos. “Lula perde votos”! No mesmo diário, 
admite-se que os cenários em que são feitas as comparações são diferentes. Mas a manchete está lá. 
Para simplificar: faz-se uma pesquisa sobre quem vai ser o campeão brasileiro de futebol. Na 
primeira, os candidatos da planilha são Corinthians, Íbis, Madureira, América-MG, Portuguesa e por 
aí afora. Fácil saber o resultado.
Aí então, algum tempo depois, se faz nova enquete, mas com outra planilha. Agora incluem-se como 
candidatos, além do Corinthians, times como Palmeiras, Flamengo, São Paulo, Grêmio e assim por 
diante. É difícil adivinhar que o Corinthians terá suas chances diminuídas no resultado?
Foi isso que o diário paulista fez na cara dura. Uma fraude que em qualquer país medianamente 
instruído seria objeto de condenação unânime por parte da chamada opinião pública, quando não de 
outras medidas saneadoras. Aqui, nada acontece. Ou melhor, acontece: a chusma de escribas a soldo 
do seu próprio patronato deita e rola comemorando e especulando sobre a “queda” do Corinthians.
Problema: mesmo com a manipulação, o Corinthians continuou disparado na frente. Ganha em todos 
os cenários fabricados na usina de empulhação estatística. Vence de lavada. Mesmo em se sabendo 
que o time, por obra do tapetão, corre o risco de ser excluído do campeonato. Mas isso não vem ao 
caso. Precisa desenhar?
Na mesma operação, neste momento assumindo o comando, surge o judissiário, como diz o C Af. 
Perda de tempo discorrer sobre o processo que levou Lula à solitária. A grosseria da peça é tamanha 
que nenhum, nenhum! jurista digno desse nome no planeta acredita no que está ocorrendo.
De lá para cá, o festival de truculência aumenta sem parar. Um prêmio Nobel da Paz é proibido de 
visitar a masmorra em que Lula foi trancafiado. As sessões do dito supremo tribunal federal viraram 
episódios de big brother de fancaria. Já comentei a qualidade infame deste tribunal, dominado em 
sua maioria por um bando de iletrados acadêmicos que não escondem seu papel de porta-vozes de 
interesses alheios à Justiça com J maiúsculo.
Em vez de zelar pela Constituição, farreiam em convescotes de centros acadêmicos dos próprios 
filhos em Harvard, vendem sua fala maltrapilha em palestras nos grotões, divertem-se enquanto o 
Brasil desce à ruína. Os 200 milhões de brasileiros parecem entregues a onze personagens cuja 
maioria é de escassa natureza intelectual e nenhum compromisso nacional. Retrato perfeito das 
coisas por aqui: não se ouve mais falar em Executivo, Legislativo. 
Mas cada vez mais se tem ouvido falar de militares. Percebe-se um cuidado protocolar quando se 
trata de Forças Armadas, mesmo entre os críticos ao golpe de temer & cia. Jornalistas respeitados 
enchem-se de sutilezas ao tocar no assunto. Um erro capital. Ilude-se quem pensa que as Forças 
Armadas estão lá quietinhas, mansinhas, prontas a bater continência à Constituição.
O general Villas Bôas, incensado por motivos insondáveis, vem se mostrando um militante golpista 
assumido. Para quem tinha dúvidas, veja sua ordem do dia 19, Dia do Soldado. Ao lado do maior 
corrupto do Brasil, o presidente ladrão, o general brada pelo combate à corrupção! Zorra total.
Isso depois de o mesmo general ter pressionado ostensivamente o supreminho às vésperas de um dos 
enésimos julgamentos sobre o ex-presidente Lula. Só quem acredita em Papai Noel pode pensar que 
o mundo verde oliva é servo da democracia. Com uma agravante: a qualidade do oficialato atual 
acompanha a decomposição geral em que o país se encontra. Também nos quartéis, leva quem der 
mais. Vide Bolsonaro.
O cheiro de queimado cresce à medida em que a direita anda em círculos atrás de algum candidato 
para eternizar “legalmente” o massacre da democracia. Novamente surge Joaquim Barbosa, o 
verdadeiro símbolo do golpe, título conquistado com sua atuação vergonhosa no processo do 
mensalão.
Desta serpente “jurídica” brotaram os ovos da deturpação da teoria do domínio do fato, as 
manipulações de sentenças para fustigar réus –“estou aumentando as penas para impedir a vitória de 
recursos”, disse Barbosa em alto e bom som em sessões transmitidas para todo o país--, os votos 
como o de Rosa Weber ao condenar José Dirceu –“os fatos não demonstram, mas a literatura me 
autoriza a condenar”—e outras aberrações do gênero. A maior delas, além da quartelada parlamentar, 
Sérgio Criminoso Moro. A esse respeito, sugiro uma rápida viagem pelos vídeos de Paulo Henrique 
Amorim na TV Afiada. Irrefutáveis.
Neste xadrez inédito, resta a oposição. Por paradoxal que pareça, nunca foram tão grandes e, ao 
mesmo tempo, tão difíceis, as chances de acabar com a destruição acelerada do país. Grandes, e 
imensas, pela incapacidade irremediável de a elite golpista, capitaneada pelo capital gordo e seus 
asseclas, de convencer o povo a seguir a receita de desemprego, depressão econômica e submissão 
definitiva ao grande capital nacional e internacional. Pequenas, ao mesmo tempo, pela dificuldade 
inaceitável de articular uma plataforma comum em torno da defesa incondicional da liberdade de 
Lula e de eleições livres.

Em tempo: sobre o general Villas Bôas, não deixar de ler o tiro mortal que o professor Wanderley 

HUGO DINIZ É O NOVO REITOR DA UFOPA


O professor Hugo Diniz, vencedor da consulta para escolha novo reitor da Universidade 
Federal do Oeste do Pará (Ufopa), finalmente poderá assumir o cargo. A Portaria de nomeação 
foi assinada pelo presidente Michel Temer, ontem, quinta-feira(19). O documento põe fim a 
uma verdadeira novela, depois que o MEC solicitou que a lista tríplice, contendo os nomes dos 
indicados à reitoria fosse refeita pelo Consul.

Na manhã desta quinta-feia (7), durante coletiva à imprensa, Hugo e Aldenize, da chapa Novos
Rumos, fizeram um pronunciamento breve, destacando os desafios da gestão e avanços na
universidade para os próximos quatro anos.
“Um momento muito importante para toda a comunidade, não só de Santarém, mas de toda a região
oeste do Pará. Quero agradecer a comunidade acadêmica, porque nós tivemos um momento muito
especial, esse processo todo foi muito especial, a celebração, a democracia. A universidade deu esse
exemplo, que é esperado dela”, declarou Hugo Diniz.
Hugo Diniz falou da importância de integrar a comunidade e da responsabilidade com a região oeste
do Pará. Disse ainda que firmou um compromisso com a atual reitora, Raimunda Monteiro, com os
acadêmicos e a população para dar continuidade aos projetos, avanços e conquistas adquiridos pela
Ufopa ao longo desses oito anos.
Os caminhos do desenvolvimento da universidade também foram abordados na coletiva. Segundo
Hugo Diniz, programas e projetos, entre eles, o Parque de Ciência e Tecnologia Tapajós (PCT
Tapajós) serão articulados. Ele defendeu que é uma articulação da universidade, do estado, do setor
produtivo e das instituições de pesquisa da região.
Ainda conforme Hugo Diniz, dois grandes avanços terão prioridade na Ufopa para os próximos anos.
Um deles, é a universidade multicampi, que segundo o Hugo é uma realidade, pois a Ufopa nasceu
multicampi. Outro avanço são as ações afirmativas, no processo de inclusão daqueles que não
tiveram acesso a universidade.
Os nomes do reitor e da vice serão encaminhados para o Conselho Universitário (Consun), que tem
até 20 de dezembro para homologar o resultado. Uma lista tríplice, com o resultado eleitoral, será
enviada ao Ministério da Educação até 29 de janeiro de 2018.
O presidente Michel Temer pode seguir ou não o resultado definido pela consulta pública. Também
cabe a ele promover a nomeação e a posse dos novos titulares - o regulamento não determina um
prazo para que isso aconteça.
Estudantes, professores e técnicos administrativos puderam votar na consulta pública na terça-feira
(5) em seis urnas espalhadas nos campi da Ufopa. A apuração foi feita em Santarém e acompanhada
pela comunidade acadêmica.
Hugo Diniz é doutor em Matemática pela Unicamp e professor associado da Ufopa com
atuação na graduação e na pós-graduação. Coordenou o curso de Licenciatura em Matemática na
UFPA campus Santarém, o curso de Licenciatura em Matemática e Física na Ufopa e o mestrado
profissional em Matemática e Rede Nacional da Ufopa.
Coordenou o Programa Institucional de Iniciação à Docência e a Olimpíada Brasileira de
Matemática das Escolas Pública (OBMEP) no oeste do Pará. Como representante da categoria
docente no Conselho Universitário da Ufopa, atuou ativamente na comissão especial de elaboração
do regimento geral da universidade e na defesa da garantia do direito às progressões funcionais.
Sua Vice, Aldenize Xavier é doutora em Geofísica pela Ufpa e professora da Ufopa,
com atuação na graduação e na pós graduação. Representante docente no Conselho Universitário da
Ufopa atuou ativamente na defesa da consolidação de uma universidade pública, gratuita e de
qualidade, alinhada aos princípios éticos e de responsabilidade social.
____________________________________________

PULHOCCI VAI DELATAR A GLOBO?


Bancos, Murrow? Globo, Murrow? Não vem ao caso !!

De uma extensa entrevista do Ministro José Dirceu à colonista social Mônica Bergamo, que
sentenciou que o "Lula enlouquece", com base em fontes anônimas.
Dessa vez a fonte é o Dirceu:
O senhor conviveu com Antonio Palocci? (Aqui chamado de Pulhocci)
Estive com ele uma só vez, na Polícia Federal. Foi quando ele me disse —ele usou esta expressão: "o 
Leo [Pinheiro, ex-executivo da OAS] vai salgar o Lula [o empreiteiro revelou (sic) à Justiça que 
pagou a reforma do tríplex do petista]".
E me disse que ele mesmo ia relatar, em depoimento, como era o caixa dois no Brasil. Deu a 
entender que ia falar do sistema bancário, eu entendi que ia falar da TV Globo. E fiquei apreensivo. 
Voltei e conversei com o Eduardo [Cunha] e com o [João] Vaccari [ex-tesoureiro do PT que está 
preso]: "Tô achando que o Palocci vai fazer delação".
Os dois ficaram indignados comigo. Principalmente o Eduardo, que disse: "Eu convivi com ele. Em 
hipótese nenhuma". Eu deixei para lá.
______________________________

quinta-feira, 19 de abril de 2018

UMA CONDENAÇÃO POLÍTICA, REJEITADA INTERNACIONALMENTE. MAIS UM ABUSO CONTRA LULA

A cena do desrespeito na Polícia Federal do Paraná. 

Teólogo e escritor Leonardo Boff criticou nesta quinta-feira, 19, durante visita ao acampamento da resistência democrática em Curitiba, a prisão do ex-presidente Lula; "Lula está recluso. Recluso injustamente, pois não se trata de uma condenação judicial, se trata de uma condenação política, rejeitada pelos maiores juristas nacionais e internacionais", disse Boff.

A Polícia Federal impediu que o teólogo e escritor Leonardo Boff e o vencedor do Prêmio 
Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel visitassem o e ex-presidente Lula em Curitiba, onde é 
mantido como preso político; "Lula está recluso. Recluso injustamente, pois não se trata de 
uma condenação judicial, se trata de uma condenação política, rejeitada pelos maiores juristas 
nacionais e internacionais", disse Boff; Perez Esquivel também criticou a prisão de Lula; 
“Queremos Lula livre para que ele siga caminhando com seu povo, pois é uma injustiça o que 
estão fazendo".

O Comitê Popular em defesa de Lula e da Democracia divulgou nesta quinta (19) uma cena constrangedora para o Brasil no exterior e, no mínimo, desrespeitosa em que o teólogo Leonardo Boff, aos 80 anos de idade, de bengala, aguarda sob sol forte para visitar o ex-presidente Lula, seu amigo de mais 30 anos.
Além de Boff, a PF negou que o argentino Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz de 1980, também visitasse no cárcere seu velho amigo Lula. “Não pude ver Lula, tenho de esperar. A juíza está vendo o que fazer e vou esperar”, disse Esquivel.
Abaixo, leia a íntegra do relatório do Comitê Popular em defesa de Lula e da Democracia:

1. Sentado em uma cadeira, sob forte calor, Leonardo Boff, expoente da Teologia da Libertação no Brasil, passou a manhã aguardando, diante do prédio da Superintendência da PF, a autorização para visitar o ex-presidente. “Eu que sou velho amigo de Lula vim em uma missão espiritual. Como uma lei divina pode ser negada por uma juíza terrena?”, provocou.
2. O Nobel da Paz de 1980, o argentino Adolfo Pérez Esquivel, também tentou, sem sucesso, visitar o ex-presidente, mesmo tendo protocolado, por meio de seus advogados, documentos junto ao judiciário do Brasil no Paraná com relação à visita. “Não pude ver Lula, tenho de esperar. A juíza está vendo o que fazer e vou esperar”, relatou Esquivel, ladeado por João Paulo Rodrigues (MST) e Emídio de Souza, secretário nacional de Finanças do PT.
3. Na saída do prédio da Polícia Federal, representantes do Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável e do Movimento dos Atingidos por Barragens entregaram duas cartas ao argentino em apoio à indicação de Lula ao Nobel da Paz e listando os motivos pelos quais o ex-presidente é digno dessa honraria.
4. O deputado federal Valmir Prascidelli (PT-SP) visitou o acampamento #LulaLivre nesta quinta-feira (19) e falou durante a coletiva de imprensa realizada após a saída de Boff e Esquivel da sede da Polícia Federal. “O presidente Lula precisa de todos nós, precisa dessa mobilização popular pelo Brasil inteiro para que a gente possa revogar essa prisão ilegítima e que ele possa voltar a ser presidente da República e fazer desse país um Brasil de todos os brasileiros”, disse o parlamentar.
5. Às 18h, o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP), ex-presidente da Câmara Federal e ex-presidente do Parlamento do Mercosul, participará de ato político no acampamento #LulaLivre em Curitiba.

Comitê Popular em defesa de Lula e da Democracia
#Boletim 35 – 19/04/2018 – 14h30

Conheça todos os presidentes de Cuba após a Revolução


Miguel Díaz-Canel se tornou nesta quinta-feira (19/04) o quinto líder do país desde a 
Revolução Cubana.

Manuel Urrutia Lleó – 3.jan.1959 a 17.jul.1959
O conservador Urrutia foi nomeado presidente provisório após o triunfo da Revolução. Entre as primeiras medidas adotadas por seu governo, esteve a designação de Fidel Castro como comandante-em-chefe das Forças Armadas do país.
Em 16 de fevereiro, Urrutia nomeou Fidel como primeiro-ministro do país, em substituição a José Miró Cardona. Em pouco tempo, no entanto, a atuação do presidente começou a atrasar a adoção de medidas acordadas no Conselho de Ministros – liderado por Fidel – e, com tempo, Urrutia foi perdendo prestígio e autoridade.
Em meio ao descontentamento, Fidel renuncia ao cargo de primeiro-ministro em 16 julho, acusando Urrutia de impedir a aprovação de leis revolucionárias e outras medidas. No dia 17, após um protesto em favor de Fidel, Urrutia renunciou ao cargo. Dois anos depois, se asilou nas embaixadas de Venezuela e México. De lá, foi para os Estados Unidos e se tornou professor de espanhol em Nova York. Morreu em 1981. 
Osvaldo Dorticós Torrado – 17.jul.1959 a 2.dez.1976
Dorticós foi designado pelo Conselho de Ministros para assumir a Presidência da República com a renúncia de Urrutia. No cargo, Dorticós participou da Conferência de Países Não Alinhados em Belgrado, em 1961.
Durante seu governo, Fidel exerceu o cargo de primeiro-ministro do país. Foi nos anos Dorticó que o líder da Revolução Cubana declarou o “caráter socialista” do movimento.
Em 1976, foi escolhido pela Assembleia Nacional do Poder Popular como vice-presidente do Conselho de Ministros e deixou o cargo. A partir de 1980, por três anos, foi ministro da Justiça do governo de Fidel Castro. Em junho de 1983, após a morte da esposa e em meio aos dolorosos efeitos de um problema na coluna vertebral, se matou.
Fidel Castro – 2.dez.1976 a 24.fev.2008
Fidel assumiu o comando do país, como o presidente do Conselho de Estado, após uma mudança na Constituição, aprovada em 1976. O líder histórico da Revolução Cubana ficou no cargo por quase 32 anos, após reeleições sucessivas.
Foi um dos homens mais influentes do século XX, marcando profundamente a história mundial ao criar uma sociedade comunista no mundo ocidental. No período da Guerra Fria o revolucionário se alinhou com a extinta União Soviética contra os Estados Unidos, resistindo a todas as tentativas de Washington de derrubá-lo, sendo pelas investidas para assassiná-lo, ou pela invasão direta de Cuba. De fato, Fidel esteve no centro do primeiro episódio que quase levou o mundo à beira de um Holocausto Nuclear – a crise dos mísseis de 1962.
Seu governo sobreviveu ao período de ditaduras militares na América Latina e ofereceu refúgio aos militantes perseguidos nos anos de chumbo. No final dos anos 1990, encontrou forte respaldo, principalmente com a chegada do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez ao poder em 1999 e o surgimento do bolivarianismo, ou socialismo do século 21, que resgatou parte do legado comunista da ilha.
Fidel ficou seriamente doente em meados de 2006 e foi submetido a várias operações intestinais. Inicialmente, cedeu o poder provisionalmente ao irmão, Raúl, cumprindo o previsto na Constituição de 1976, reformada em 1992. Em fevereiro de 2008, Raúl assumiu o poder definitivamente, e a intervenção de Fidel nos assuntos do país se limitou a artigos opinativos publicados pela imprensa local.
O líder histórico da Revolução Cubana morreu na noite do dia 25 de novembro de 2016. 



Raúl Castro – 24.fev.2008 a 19.abr.2018
Raúl assumiu a liderança de maneira interina em 2006, por conta da saúde debilitada do irmão. Em 2008, foi definitivamente eleito como presidente de Cuba. O governo de Raúl foi marcado pela estabilidade econômica do país e pela reaproximação com os Estados Unidos.
Após ser empossado, Raúl iniciou um processo de maior flexibilização econômica em Cuba, dando mais abertura ao trabalho privado e aos investimentos estrangeiros. Atualmente há mais de meio milhão de pessoas trabalhando por conta própria no país, o que permitiu que a ilha diversificasse a oferta de bens e serviços com maior nível de qualidade.
O governo dele desempenhou papel fundamental no processo de paz entre o governo colombiano e as então Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Havana foi palco por quatro anos de uma série de reuniões envolvendo diplomatas e dirigentes de ambos os lados.
Foi na administração de Raúl Castro que Cuba e Estados Unidos se reaproximaram. As nações haviam rompido relações em 1961, com a imposição do bloqueio econômico por parte dos EUA.
A reaproximação, que teve como um dos principais mediadores o papa Francisco, proporcionou fatos históricos como a ida de Raúl aos EUA para participar da Assembleia Geral da ONU e a visita do então presidente dos EUA Barack Obama a Cuba, pela primeira vez em 88 anos.
Miguel Díaz-Canel – a partir de 19.abr.2018
Miguel Díaz-Canel foi eleito nesta nesta quinta (19/04) o novo líder do país em substituição a Raúl Castro, que deixa o poder após cumprir dois mandatos no cargo. A eleição de Díaz-Canel aconteceu em um dia simbólico para o pais, o 57º aniversário da vitória na tentativa de invasão da baía dos Porcos.
Nascido em 1960, Díaz-Canel é engenheiro eletrônico de formação e professor universitário em Villa Clara. Desde 2003, faz parte do Birô Político do país. Ele é o primeiro dirigente cubano nascido após a Revolução de 1959 a atingir altos cargos na direção do país.
Em 2009, foi nomeado ministro da Educação Superior por Raúl. Deixou o cargo para assumir a Primeira-Vice-Presidência do país, em 2012. Nesta sexta (20/04), ele completa 58 anos de idade.
O agora presidente já afirmou, em diversas oportunidades, que a mudança na direção do país significaria uma continuidade das políticas estabelecidas após a Revolução Cubana. "Sempre haverá presidente em Cuba defendendo a Revolução, e serão companheiros que sairão do povo", disse.

Raúl Castro: a trajetória do 'discreto e implacável' guerrilheiro cubano


Miguel Díaz-Canel é eleito novo presidente de Cuba, em substituição a Raúl Castro

Após 10 anos à frente de Cuba, Raul Castro, um dos maiores ícones da Revolução Cubana, deixará a
presidência nesta quinta-feira (19/04), abrindo caminho para um novo momento de transição política 
na ilha. A análise de sua trajetória como guerrilheiro mostra que seu papel na história teve grande 
relevância e não se restringiu a estar à sombra de seu irmão mais velho, Fidel Castro.
Nascido em 3 de junho de 1931, em Bíran, na província de Holguín, Raul é o mais novo dos sete 
irmãos Castro. Desde a juventude, período em que cursou ciências sociais, já demonstrava que suas 
tendências políticas eram consonantes, mas não submissas às de Fidel: aos 20 anos, em 1953, se 
vinculou à Juventude Socialista, uma divisão do Partido Socialista Popular (PSP) que tinha o modelo 
soviético como base teórica; ao contrário de seu irmão, que pertencia ao Partido Ortodoxo, de 
inclinação nacionalista de esquerda.
No mesmo ano, o discreto e implacável Raúl – como é geralmente definido – teve um papel 
essencial no ataque ao quartel de Moncada. O objetivo da missão era a derrubada do ditador cubano 
Fulgencio Batista. Depois do fracasso da tentativa, foi ele quem conseguiu desarmar um dos 
sargentos do regime para libertar seus companheiros.
Após ser capturado junto com os poucos sobreviventes do ataque, Raúl foi condenado a 13 anos de 
prisão. No entanto, depois de dois anos, em 1955, foi anistiado por Batista, sendo obrigado a se 
exilar junto com Fidel e os demais companheiros de guerrilha no México.
Foi durante sua estadia no México que se desenrolou um dos momentos de maior relevância na
história cubana: ele conheceu o então médico argentino Ernesto Che Guevarra. Impactado com a 
figura do homem que mais tarde se tornaria um dos principais símbolos do triunfo revolucionário de 
Cuba, Raúl decidiu apresentar Che a seu irmão Fidel.
Ciente dos riscos que envolviam seu retorno à guerrilha, Raúl escreve seu testamento político ao 
embarcar, em 1956, a bordo do Granma, que tinha como destino a província oriental de Cuba. O 
receio era justificado: a nova tentativa insurrecional contra o regime militar de Batista já era prevista 
pelo exército, que conseguiu eliminar parte dos combatentes, vencendo a batalha.
Sierra Maestra
Em dezembro do mesmo ano, Raúl reencontra Fidel às vésperas do início da campanha em Sierra 
Maestra. Seu parentesco com o então líder do Exército Rebelde não lhe rendeu nenhum privilégio: 
Raúl participou da batalha como um simples guerrilheiro, indistinto de qualquer outro.
Em fevereiro de 1958, após mais de um ano na linha de frente do combate, é nomeado comandante 
do Exército Rebelde. Sua primeira grande incumbência data deste ano, quando é encarregado por 
Fidel de abrir uma segunda frente de batalha no nordeste de Sierra Maestra.
A coluna de guerrilheiros nº 6, batizada de Segunda Frente “Frank País”, é responsável, sob o 
comando de Raúl, pela libertação de um amplo território ao nordeste de Sierra Maestra.
“A forma como estes camponeses de Sierra Maestra se esforçaram para tomar conta de nós é 
admirável. Toda a grandeza da alma cubana se encontra aqui”, escreve em seu diário. Para garantir a 
possibilidade de permanência na região e assegurar meios para que os camponeses locais sejam 
amparados, Raúl passa a criar hospitais, escolas e fábricas na região.
Foi responsável pela operação que sequestrou civis e militares dos Estados Unidos para obrigar que 
o país norte-americano parasse com os bombardeios em Sierra Maestra. O artifício obteve sucesso, 
encerrando os ataques. “Os militares estadunidenses foram tratados tão bem, e foram tão 
convencidos pelos argumentos rebeldes, que vários deles desejavam ficar e lutar contra Batista”, 
afirmou a revista Time. Segundo a matéria, o intuito de Raúl era "dar uma lição em Washington".
A partir de 1959, após o triunfo da revolução, Raúl se torna formalmente ministro das Forças 
Armadas, posto que ocupou até 2008, quando assumiu a presidência no lugar de Fidel. Neste cargo, 
Raúl ocupou um posto-chave no período em que Havana deu apoio às guerrilhas que lançaram 
campanha em outros países, como no caso da Etiópia (1977-1978) e de Angola (1975-1991).
Sobre a possibilidade de espalhar a experiência cubana para outras regiões, disse em setembro de 
1961, durante discurso para a Federação Geral dos Trabalhadores do Oriente: “embora o processo 
histórico da humanidade seja inevitável e invariável, certamente poderia ser que a vitória e total 
consolidação de nossa revolução possa aproximar enormemente e encurtar muito o caminho destes 
povos irmãos da América Latina”.
Depois de derrubar Batista, enquanto Fidel se mantinha encarregado das funções governamentais, 
Raúl foi o responsável por estruturar dois pilares institucionais da revolução: o Partido Comunista e 
as Forças Armadas Revolucionárias (FAR).
Em 1976 é promovido a General do Exército cubano. Além disso, com a adoção da nova 
Constituição, implementada no mesmo ano, Raúl é eleito vice-presidente de Cuba, posto ao qual 
seria reeleito até 2006. Também foi eleito como deputado e vice-presidente do Conselho de Estado e 
do Conselho de Ministros, igualmente de 1976 a 2006.
Por causa do quadro de saúde de Fidel, assumiu a presidência interinamente em 31 de julho de 2006. 
“Fidel é insubstituível, a menos que o substituamos todos juntos”, afirmou ao assumir o cargo. Em 
24 de fevereiro de 2008, torna-se formalmente o presidente de Cuba.
Hoje, aos 86 anos, se prepara para deixar o cargo, após promover mudanças históricas na ilha. A 
maior delas, a volta das negociações diplomáticas com os Estados Unidos em 2014, algo inédito 
desde 1960 e ameaçado com a chegada de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos.
__________________________________________________________

ESQUIVEL NÃO SE INTIMIDA COM A JUISSA E VAI Á PF APOIAR LULA

Proibido de visitar Lula por uma juíza que acha que “não são impositivas” as chamadas 
“Regras de Mandela” e a lei brasileira na questão de visitas a presos, o Prêmio Nobel da Paz, 
Adolfo Pérez Esquivel, aos 86 anos, foi humilde e solidário, se juntando às centenas de pessoas 
que há duas semanas fazem vigília ao lado do prédio da Polícia Federal em Curitiba.

Judge Murrow é responsável pelas mentiras do MPF sobre o triplex


Revolta descobrir que as reformas nababescas e o “elevador privativo” usados por Sergio 
Moro 
para condenar Lula não passam de invenção usada para criar comoção contra o ex-
presidente. Moro é o maior responsável pelas mentiras do MPF.

NA FALTA DO QUE FAZER, CARRO VELHO DE TEMER NA PGR VAI INVESTIGAR ENTREVISTA DE GLEISE Á TV AL JAZEERA


Dodge 1961 

A Procuradoria-Geral da República, a PGR, não tem mais o que fazer. Segundo o Estadão, o órgão 
vai investigar a entrevista que a senadora Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT, concedeu à 
TV Al Jazeera.
A PGR agora se pauta pelas fake news (notícias falsas) de senadores de direita, como Ana Amélia 
(PP-RS), que destilam ódio, xenofobia e ignorância em relação ao mundo árabe.
A PGR que deveria de ofício descartar um inquérito tem o jeitão de censura à Gleisi é a mesma que 
livrou o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) da lava jato. A “diligente” 
Procuradoria encaminhou o propinoduto do “Santo” para a Justiça Eleitoral, como se fosse crime 
eleitoral, diferenciando-o de casos semelhantes que foram remetidos para a justiça comum.
Antes de nos esqueçamos, PGR, vá pentear macaco.
Dito isto, leia o que registrou hoje (19) o Estadão:
“A Procuradoria-Geral da República instaurou procedimento preliminar para analisar a possibilidade 
de abrir inquérito sobre um vídeo gravado pela presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), 
para a TV Al-Jazira. Na gravação, ela diz que o ex-presidente Lula é um preso político e acusa a 
Justiça brasileira. “Lula foi condenado por juízes parciais num processo ilegal. Não há nenhuma 
prova de culpa, apenas acusações falsas”, afirma. A petista termina convocando “todos e todas [do 
mundo árabe] a se juntarem na luta” para libertar Lula.
A instauração da Notícia de Fato é o primeiro passo antes de a PGR instaurar um inquérito. A 
determinação partiu da titular da Secretaria Penal da PGR, subprocuradora Raquel Branquinho.
Assista à entrevista de Gleisi na Al Jazeera:

SENADORA ANTA AMÉLIA (A MESMA DO RELHO EM LULA) ACHA QUE AL JAZIRA É A TV DO ESTADO ISLÂMICO !! ....KKKKK........


Ontem, resisti à tentação de acompanhar a “zoação” nas redes sociais com o fato de, por falar a rede
de televisão Al Jazeera, uma das mais importantes emissoras do mundo, ser acusada por uma notória 
direitista, a senadora Ana Amélia, de que exortava “o Exército Islâmico a vir ao Brasil proteger o 
PT!”. Hoje não dá !!
Achei que era apenas mais uma expressão “folclórica” da direita, no padrão das que asistimos todos 
os dias, partidas dos Magno Malta, dos Malafaia e Bolsonaro, ou de um daqueles deputados da 
tatuagem de hena.
Como estupidez contagia e essa gente quer é “causar” dizendo tal tipo de asneira, achei que era, 
como dizia minha avó, mais um “traque” verbal desta turma.
Infelizmente, é pior que isso.
Agora cedo, no Estadão, revela-se que “a Procuradoria-Geral da República instaurou procedimento 
preliminar para analisar a possibilidade de abrir inquérito sobre um vídeo gravado pela presidente do 
PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), para a TV Al-Jazira”. A iniciativa partiu da “titular da 
Secretaria Penal da PGR, subprocuradora Raquel Branquinho.”
O disparate teria tido origem na pataquada de um deputado bolsonarista, Major Olímpio, que 
apresentou à PGR documento em que diz que a emissora “alcança regiões em que há concentrações 
de diversos grupos terroristas, colocando em risco também a segurança nacional do Brasil”. O 
mesmo argumento serve, claro, para a CNN e para a BBC que, tanto quanto a Al Jazeera, transmitem 
para dezenas de paízes no mundo inteiro.
Não é possível acreditar que seja apenas burrice e desinformação sobre a emissora árabe. É, como 
disse na tribuna do Senado a própria Gleise, “má-fé e desvio de caráter”. Aos quais, ao dar 
seguimento, a Procuradoria Geral da República se associa, embarcando neste disparate.
Depois não adianta fazer cara de indignação quando os brutamontes espancam o sírio que vende 
quibe e esfirra na barraquinha.
É assim que o nazismo, racista e xenofóbico, se espalha.
A presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, chamou de “ignorante” e “mau 
caráter” a senadora Ana Amélia (PP-RS) por ela ter relacionado sua entrevista à TV Al 
Jazeera com o Estado Islâmico. ASSISTA

quarta-feira, 18 de abril de 2018

TOMADO POR GRILEIROS, ASSENTAMENTO DE DOROTHY STANG ESTÁ EM COLAPSO




FOGOS DE ARTIFÍCIO foram ouvidos em Anapu, sudoeste do Pará, na tarde de 27 de março, uma terça-feira. Eram uma comemoração à prisão preventiva do padre José Amaro Lopes, sucessor da missionária americana Dorothy Stang na defesa dos assentamentos sustentáveis na Amazônia. Padre Amaro foi detido pela polícia local e encaminhado ao Centro de Recuperação Regional de Altamira, mesma penitenciária onde o mandante do assassinato de Dorothy, o fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, cumpre pena de 30 anos. Taradão, como é conhecido, foi preso em setembro de 2017, 12 anos após o crime.
Padre Amaro é acusado de associação criminosa, ameaça, esbulho possessório (crime contra a propriedade), extorsão, assédio sexual, importunação ofensiva ao pudor, constrangimento ilegal e lavagem de dinheiro. A Comissão Pastoral da Terra, CPT, o braço no campo da Igreja Católica, ao qual Amaro é ligado, saiu em defesa do religioso.
A organização diz que as provas foram forjadas e classificou a investigação como uma nova estratégia de fazendeiros locais para enfraquecer a luta pela reforma agrária. Desde 2001, a CPT registrou dezenas de ameaças de morte contra o padre. Quando foi assassinada, em 2005, em um dos assentamentos que ajudou a fundar em Anapu, Dorothy Stang era alvo de um processo semelhante de difamação.

Ameaçados por grileiros

A prisão do líder religioso não é um fato isolado. Nos últimos dois anos, os conflitos de terra se intensificaram em Anapu, deixando um rastro de expulsões e mortes de trabalhadores rurais. Segundo relatório da CPT divulgado no dia 17, o Pará é o líder dos assassinatos no campo. De 2015 para cá, foram 21 mortes ligadas a conflitos fundiários. A tensão já era acentuada desde que Dorothy começou a atuar na região, no início dos anos 2000, quando criou os Projetos de Desenvolvimento Sustentável Esperança e Virola-Jatobá, assentamentos de trabalhadores rurais sem-terra localizados a cerca de 600 km ao sul de Belém. A missão desses PDS, que abrigam centenas de famílias, era explorar a floresta aliando agricultura familiar às técnicas de conservação ambiental.
Em novembro passado, o clima piorou. Um grupo de 200 homens invadiu o Virola-Jatobá. Organizado por dissidentes e com apoio de fazendeiros, o grupo ocupou uma parte do PDS que impede os assentados de escoar a madeira que garantiria o seu sustento. Segundo os assentados, o bando demarcou lotes de 100 hectares com estacas e derrubou parte da floresta que, 15 anos depois da criação da reserva, continuava 90% de pé. Cinco meses se passaram, e o cenário permanece exatamente igual.
“Nunca trabalhei numa comunidade tão insegura. Se continuar assim, nos encaminhamos para uma tragédia.”
Depois da invasão, o ativista Valdemir Resplandes, ligado à CPT, foi assassinado. Em 10 de janeiro, ele foi morto a tiros depois de ser obrigado por pistoleiros a descer da moto em que carregava o sobrinho na garupa. Resplandes já havia relatado que estava sofrendo ameaças de morte desde 2016. “Nos últimos dois anos, nunca trabalhei numa comunidade tão insegura. Se continuar assim, nos encaminhamos para uma tragédia”, atesta Andreia Barreto, defensora pública da Vara Agrária do Pará.
Apesar da violência e da tensão, moradores do PDS e pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Pará que atuam na reserva relatam que têm tido dificuldades para chamar a atenção das autoridades para o problema.

O PDS Virola-Jatobá está sob a ameaça de grileiros e sem a proteção do poder público. Foto: 
Divulgação/AVJ
As terras do PDS pertencem à União, e cabe ao Incra regularizar os assentamentos. Mesmo tendo a obrigação de zelar pelo patrimônio público, o órgão ainda não pediu a reintegração de posse da área invadida. A Polícia Civil alegou não poder registrar um boletim de ocorrência por se tratar de uma área federal, e não houve uma ação efetiva do Ibama e da Polícia Federal para retirar os invasores da área.
“A própria existência do PDS está ameaçada e, com ele, a integridade de florestas que se estendem por mais de 30 mil hectares.”
“A própria existência do PDS está ameaçada e, com ele, a integridade de florestas que se estendem por mais de 30 mil hectares”, alerta o pesquisador da Embrapa Roberto Porro, que atua no apoio ao projeto desde a sua criação. Porro e sua mulher, Noemi Miyasaka, da Universidade Federal do Pará, vêm denunciando o abandono do projeto, que serve de modelo de reforma agrária na região amazônica por aliar agricultura familiar à conservação da floresta.
Diante da omissão do Incra, a Associação Virola-Jatobá, com ajuda da Defensoria Pública do Pará, ingressou com um ação contra o grupo dissidente com o objetivo de retirá-los de lá. No final de março, a entidade conseguiu se reunir, em Brasília, com o diretor de desenvolvimento do Incra, Ewerton Giovanni dos Santos, que prometeu agir para garantir que os assentados consigam escoar a madeira. Na terça e quarta-feira, membros do Ministério Público do Pará e do Ministério Público Federal devem ir até o PDS ver a situação; e uma audiência, no Fórum de Anapu, está marcada para 8 de maio. “Permitir que o Virola-Jatobá permaneça invadido é o mesmo que autorizar sua destruição”, diz o procurador da República Felício Pontes Jr..

Nos pátios da Reserva Legal do Plano de Manejo Florestal Comunitário do DS Virola-Jatobá, toras prontas para serem transportadas agora correm o risco de serem incendiadas pelos invasores. Foto: Divulgação/Embrapa
Não é a primeira vez que o Virola-Jatobá é ameaçado por grileiros. Em junho de 2016, a partir de denúncias dos assentados, o Incra fez vistorias e conseguiu retirar parte das pessoas que haviam comprado ilegalmente lotes dentro da reserva comercializados por João Cruz Sobrinho e Renato Cintra Cruz, fazendeiros vizinhos ao PDSs.

Campanha difamatória

A denúncia que motivou a abertura do inquérito contra o padre Amaro partiu de Silverio Albano Fernandes, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Anapu. Silverio é irmão do fazendeiro Laudelino Délio Fernandes, apontado por dois indiciados do assassinato de Dorothy Stang como um dos mandantes do crime. A participação de Délio na morte da irmã nunca foi provada, mas o fazendeiro foi condenado por crimes ambientais e investigado por fraudes milionárias em projetos da antiga Sudam, a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, criada pelo governo militar. Antes de ser assassinada, Dorothy denunciou Délio por se apropriar ilegalmente de três lotes de terras.
Em depoimento prestado à polícia em 4 de março, Silverio acusou o padre de chefiar uma organização criminosa que estaria por trás da ocupação da Fazenda Santa Maria, em Anapu, supostamente uma propriedade de um parente seu, José Albano Fernandes. A propriedade do lote de 3.100 hectares é reinvidicada pelo fazendeiro, mas a Justiça determinou que as terras voltassem para União. Mas, até o momento, a decisão não foi cumprida. O Incra não conseguiu promover o assentamento oficial das famílias. 
O motorista se apresentou para a declarante como Silverio Fernandes, dizendo para a mesma que ninguém invadisse suas terras, ou “teria sangue até a canela”.
Em 2002, Silverio também teria ameaçado Dorothy, que havia denunciado a invasão do fazendeiro em um outro lote pertencente à União. No depoimento de Dorothy, a Polícia Federal anotou: “Quando a declarante se encontrava a pé na estrada Transamazônica, um veículo parou para lhe oferecer carona, sendo que a declarante não conhecia o motorista”. “Durante a carona o motorista se apresentou para a declarante como Silverio Fernandes, dizendo para a mesma que ninguém invadisse suas terras, ou “teria sangue até a canela.”
Rayfran das Neves Sales, o Fogoió (à direita, de colete), um dos acusados de matar Dorothy Stang, faz reconstituição do crime, em Anapu (PA). Os três acusados de matar Dorothy Stang retornaram à área do crime para reconstituição vista por 53 assentados que eram liderados pela freira. A freira norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang foi assassinada, no dia 12 de fevereiro de 2005, em uma provável emboscada ocorrida numa estrada localizada no município de Anapu, próximo a Altamira (a 777 km de Belém). A irmã Dorothy, como era conhecida, atuava na região como agente da CPT (Comissão Pastoral da Terra), o braço agrário da Igreja Católica que age em conjunto com trabalhadores rurais em defesa da reforma agrária. (Anapu, PA, 24.02.2005. Foto: Jefferson Coppola /Folhapress. Digital)
Reconstituição do assassinato de Dorothy Stang em Anapu, no Pará, em 2005.

Foto: Jefferson Coppola/Folhapress Digital
Além da denúncia de Silveiro, outros dez fazendeiros prestaram depoimentos contra o padre Amaro, alegando que o religioso era o organizador de todas as invasões de terra no município. Vídeos em que Padre Amaro supostamente aparece suscitando a violência no campo foram anexados ao inquérito. Além disso, os acusadores incluíram no processo mensagens de WhatsApp e supostos comprovantes de depósito na conta do religioso e da sua irmã que mostrariam que ele negociava lotes de terra em Anapu.
A defesa do padre diz que a acusação é uma fraude. Na petição protocolada pela Comissão Pastoral da Terra, os advogados sustentam que o inquérito “é uma farsa, constituindo-se como um instrumento de criminalização indevida, que deve ser questionada em todas as frentes jurídicas possíveis.” Um dos exemplos da farsa seria um suposto vídeo em que Padre Amaro aparece incitando a violência no campo. Segundo os advogados, o conteúdo deveria ser periciado pelo Instituto de Perícia do Pará para ser anexado como prova no inquérito. Mas o laudo que comprovaria a legitimidade da gravação está assinado por um perito do Tocantins. “Quem pagou por este laudo? Quais as credenciais deste perito?”, questiona Marco Apolo, um dos advogados do religioso. Quanto aos depósitos na conta do padre, a defesa acredita se tratar de outra armação: eles teriam sido dados como doações à Igreja e depois apontados como repasses da compra de lotes.
Padre_Amaro_Arquivo_CPT4-1523899753
Padre Amaro é acusado de oito crimes. A Igreja afirma que ele é vítima de armação.

Foto: Reprodução/CTP
Os advogados da CPT também apontam que a acusação de assédio sexual não se sustenta e que Amaro é, na verdade, a vítima de uma armação. No inquérito da Polícia Civil, o delegado Rubens Mattoso anexou um vídeo em que o religioso aparece num ato sexual na casa paroquial com uma das testemunhas que o acusam e pediu ao juiz que oficiasse a Igreja Católica para que o padre fosse afastado imediatamente de suas funções. O vídeo foi vazado pelo WhatsApp. O advogado afirma que nenhuma gravação foi autorizada. “Qual é a relevância, para a investigação, deste vídeo se não a de desmoralizar Padre Amaro diante de uma comunidade conservadora? Foi feito com o único intuito de enfraquecer a importância do padre na luta pela reforma agrária. Não tem relevância nenhuma para o Direito Penal”, questiona Apolo.
Em nota traduzida em cinco línguas, a CPT e os bispos do Alto Xingu se mantêm firmes na defesa do padre, alegando que sua prisão “é uma medida que vem satisfazer a sanha dos latifundiários da região que pretendem de toda forma destruir o trabalho realizado pela CPT, e desmoralizar os que lutam ao lado dos pequenos para ver garantidos os seus direitos.”
A defesa pediu a revogação da prisão preventiva do padre. No dia 9, os promotores Antônio Manoel Cardoso Dias, Daniel Braga Bona e Juliana Cabral Coutinho, do Ministério Público do Pará, se posicionaram contra o pedido. Na última quinta-feira, o juiz responsável pelo caso, Esdras Bispo, decidiu manter o padre preso. De acordo com o magistrado, os fatos estão “amparados em amplo contexto probatório que servem para demonstrar (…) pressupostos necessários ao deferimento da medida.”
As três equipes de advogados que atuam na defesa do religioso devem entrar com um pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Pará nos próximos dias.
O fazendeiro Silverio Fernandes, autor das denúncias, não foi encontrado por telefone nem respondeu os pedidos de entrevista, feitos pelo e-mail que constam na página da Federação de Agricultura do Pará (Faepa).
Ladeira abaixo
A omissão do governo no sudoeste do Pará se agravou na gestão Temer. Após o impeachment de Dilma Rousseff, a gestão do Incra em Altamira foi substituída em 2017, e as vistorias foram interrompidas, permitindo a atuação de invasores. “As invasões nos assentamentos se intensificaram com a crise política em Brasília. Temer nomeou para o Incra um inimigo da floresta, que deu um sinal verde para os fazendeiros que nunca se conformaram com a criação dos PDS a destruir esse modelo”, diz o procurador federal Felício Pontes Jr.
Pontes se refere à nomeação de Clóvis Figueiredo Cardoso como Diretor de Terras e Implantação de Projetos de Assentamento, um advogado que foi investigado por suposto esquema de fraudes no Incra em Mato Grosso (o crime prescreveu, e Cardoso não responde mais à ação). No caso de Anapu, o Incra mantém uma unidade avançada que mantinha uma atuação forte nos assentamentos, mas permaneceu fechada por um tempo e hoje se resume a três colaboradores. Questionado sobre o abandono da unidade em Anapu, o Incra respondeu por meio da sua assessoria de imprensa que “este mês mais cinco servidores de outras unidades serão deslocados para Anapu, em caráter especial, para atendimentos relativos aos assentamentos.”
“O governo é um dos maiores inimigos da Amazônia.”
No Pará, lideranças locais afirmam que o Incra foi aparelhado politicamente por influência do deputado federal Wladimir Costa, do Solidariedade, o mesmo da falsa tatuagem do Temer, réu no STF por peculato e que teve o mandato cassado pelo TRE-PA (ele segue no cargo enquanto recorre da decisão). Costa, ligado aos ruralistas da Amazônia, emplacou o irmão Mário Sérgio Costa na Superintendência do Incra em Tapajós, com sede no município de Santarém, o amigo Alderley Cândido da Silva no Incra de Altamira, responsável por Anapu, e indicou o próprio filho de 22 anos para Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Pará. Mesmo sem curso superior, Yorann Costa conseguiu na Justiça o direito de assumir o cargo de delegado federal. Na terça, 11 de abril, após a polêmica, Yorann pediu exoneração da pasta que administra recursos de R$ 100 milhões. Cândido também foi exonerado do Incra, e um tesoureiro do Solidariedade no Pará Andrei Viana de Castro deve assumir o cargo.
imagem_1-1523899744
Servidor do INCRA conversa com membros do grupo encontrado na Reserva Legal do PDS Virola-Jatobá no último 17 de novembro.

Foto: Divulgação/Embrapa
A aprovação da lei que regulariza a ocupação de terras da União assinada por Temer em julho do ano passado também é vista por ambientalistas como um sinal verde para a grilagem. Agora, a área total do lote que pode ser legalizada aumentou de 1.500 para 2.500 hectares. Além disso, quem ocupou terras ilegalmente até 2011 poderá ser beneficiado (antes o prazo era até 2004). A lei também permite a compra de grandes áreas ocupadas por até 50% do valor mínimo da tabela do Incra. “Isso acaba estimulando novas ocupações, porque elas se tornam lucrativas”, avalia Brenda Brito, analista do Imazon. “O governo é um dos maiores inimigos da Amazônia.”
A ocupação na região da Transamazônica começou nos anos 1970. Nesta época, o governo militar dividiu Anapu em glebas e lotes de 3.000 hectares e distribuiu a empresários e fazendeiros vindos de todo país. Pelo contrato, eles deveriam provar o uso e desenvolvimento da terra por cinco anos para ganhar o direito de posse. Mas caso o acordo não fosse cumprido, as terras voltariam para União.
Foi o que aconteceu com a maioria dos lotes em Anapu que, posteriormente, foram destinados aos PDS. Inconformados com a perda da terra, muitos fazendeiros se recusaram a deixar as propriedades, entrando em confronto direto com os assentados. Dorothy Stang e Padre Amaro organizavam a resistência, fazendo a ponte entre os agricultores, órgãos estatais e MP na defesa do direito à terra.
Esta reportagem faz parte de um projeto financiado pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos.
Atualização: O trecho “o seguinte Segundo relatório da CPT divulgado neste dia 17, o Pará é o líder dos assassinatos no campo. De 2015 para cá, foram 21 mortes ligadas a conflitos fundiários” foi inserido nesta matéria após sua publicação. Errata: Anteriormente, este texto informava que “a ocupação na Amazônia começou nos anos 1970″e que o governo distribui lotes a colonos. O correto é, como informamos agora, “região da Transamazônia” e “empresários e fazendeiros. [18 de abril, 16h04]
Foto em destaque: Área de reserva legal desmatada ilegalmente em terras adjacentes ao PDS Virola-Jatobá